Farol do Espaço Profundo

15/05/2012

Farol do Espaço Profundo, coletânea do escritor catarinense Roberto Belli, foi uma grata surpresa que veio às minhas mãos recentemente. O livro foi lançado em março deste ano de maneira independente, com o apoio da Prefeitura de Blumenau.

Em pouco mais de 160 páginas, Belli leva o leitor a diversas viagens e reflexões. São duas noveletas e quatro contos. O texto é simples e de leitura agradável, fazendo uma série de referências a diversas obras importantes da ficção científica.

Roberto Belli afirma que seu trabalho sofre influência de Isaac Asimov, Arthur C. Clarke e Stanislaw Lem, além do seriado Star Trek. Algumas dessas influências são bem perceptíveis em suas ideias.

O livro começa com uma noveleta muito boa, O Mar de Galant, uma ideia que começou com um conto e, segundo o autor, foi aumentando, aumentando… A história começa com uma expedição de socorro a um cientista isolado num planeta distante, estudando o tal mar que empresta o nome ao título. Esse mar tem características especiais, um comportamento que parece reagir à ação dos pesquisadores, sendo motivo de grande especulação. Logo de cara, vemos a forte influência que Star Trek tem nos textos de Belli. A primeira parte é uma aventura perfeita da série clássica. A noveleta segue, mostrando uma segunda expedição a Galant. Dessa vez, vemos não só Star Trek, mas a influência de Clarke, especialmente no contato com a entidade alienígena. O autor fez uma sutil homenagem às continuações de Encontro com Rama. Gostei muito dessa história.

Em seguida, temos O Farol do Espaço Profundo,outra noveleta com ar de Star Trek e forte influência de Clarke. Neste caso, temos a história narrada pelo capitão de uma nave transideral, uma nave criada para cruzar as distância interestelares. Numa missão de quase trinta anos de reconhecimento em um planeta distante, a transideral entra em contato com um artefato alienígena. A acertada decisão do capitão de não destruir o artefato a fim de estudá-lo é fundamental para que inúmeras maravilhas venham a ser apresentadas à humanidade. O tal farol do título é uma construção tecnologicamente centenas de milhares de anos à nossa frente. Além do lado filosófico, dos questionamentos que o contato com uma raça muito mais evoluída possam trazer, o conto tem um ritmo forte de aventura. Os momentos críticos (que eu não posso contar para não estragar a surpresa) são daqueles que a gente não consegue desgrudar os olhos do livro, com decisões de vida ou morte sendo tomadas uma após a outra.

O próximo conto é Tardio, uma narrativa interessante sobre uma inteligência artificial que retorna do espaço após séculos de pesquisa. O mundo está bem diferente, muito mais do que os criadores dessa inteligência supunham que estaria. E uma verdadeira catástrofe se abateu sobre a Humanidade.

Logo depois, temos Exodus, provavelmente o mais fraco dos contos deste livro. A Humanidade se vê forçada a escapar da Terra, frente à chegada de um buraco negro misterioso que vem devorando tudo no seu caminho. Fantasioso demais, até para FC; acho que foi isso que não me agradou no conto.

O próximo é A Especiaria Proibida, uma história interessante sobre um político corrupto que ganha um dinheirinho extra se aproveitando da ilegalidade de uma substância extraída da colônia que governa em Alfa Centauri. Num jogo político interessante, o homem é condenado, absolvido, vai do céu ao inferno e de volta ao céu, tudo graças a uma série de isenções, benefícios e trocas de favores. Alguém acha isso familiar?

O livro fecha com Projeto em Duas Partes, uma história de amor e viagem espacial. Tudo junto. Um conto tocante, de uma simplicidade que emociona. Ao término da leitura desse conto, admito que senti inveja e gostaria de ter escrito algo assim.

Bem, o livro não é perfeito. Apesar do texto agradável e das boas aventuras, Farol do Espaço Profundo se ressente da falta de uma revisão mais caprichada. Sendo uma publicação independente, o autor teve que se virar para cuidar de todos os detalhes do livro, o que requer um esforço hercúleo. Há alguns problemas com a diagramação também. Tudo isso já fica visível bem no começo do livro, então o que eu me propus a fazer foi curtir a leitura e passar por cima dos deslizes. Deu certo.

Gostei muito desse livro e recomendo. Quem se interessou, pode entrar em contato com o autor por email (robertocbelli@gmail.com). Além de adquirirem o livro, vão trocar mensagens com um cara super bacana e de papo muito agradável.


Páginas do Futuro

09/05/2012

Páginas do Futuro é uma antologia de ficção científica organizada por Braulio Tavares, conceituado escritor e compositor paraibano. O livro saiu pela Editora Casa da Palavra, no finalzinho de 2011 e eu, certo de que não haveria um lançamento em São Paulo, corri a comprar o meu pela internet.

Acontece que eu estava errado, e sim, houve um lançamento em São Paulo, ao qual tive a oportunidade de ir, num raro momento de folga do trabalho. O tempo voa, o evento foi há longínquos dois meses, e eu perdi a oportunidade de comentar o bate-papo agradável entre os autores, contando as histórias que os inspiraram a escrever os contos selecionados para o livro.

A figura de Braulio Tavares, por si só, já é um baita incentivo para qualquer um adquirir o livro (ou prestigiar um próximo lançamento). Seu conhecimento sobre literatura, não só na área de ficção científica, é assombroso. E seu jeito de contar as histórias é divertidíssimo.

Bem, depois de ler o livro quase todo na noite do lançamento, e enrolar um bom tempo, me propus a colocar aqui minhas impressões sobre ele.

O livro é uma pequena obra-prima em todos os sentidos. Gostei de tudo: a seleção dos contos (brilhante!), a apresentação e as ilustrações (de Romero Cavalcanti) que são lindas.

Páginas do Futuro começa com uma apresentação de Braulio Tavares, um texto onde se discute as origens da ficção científica, tanto internacional quanto nacional, incluindo comentários sobre os contos selecionados. O mercado editorial e a formação do escritor brasileiro de FC também são abordados no texto, de maneira bem crítica. Todo escritor, ou aspirante a escritor, deveria ler essa apresentação.

O conto que abre o livro é Ma-Hôre, de Rachel de Queiroz. Nessa aventura que começa em um planeta distante e termina numa espaçonave retornando à Terra, vemos o encontro entre duas civilizações em estágios diferentes de evolução. O leitor se identifica facilmente com a criatura menos evoluída. A maneira simples, quase ingênua, com que o conto é narrado esconde um final surpreendente. Um dos melhores do livro.

Em seguida, temos Veja Seu Futuro, de Ataíde Tartari, um conto que já tinha lido num dos livros do projeto Portal, organizado por Nelson de Oliveira. O texto é uma homenagem feita pelo autor à série Além da Imaginação. Assim como no saudoso seriado, vemos pessoas normais em situações inusitadas, brincando com a nossa realidade. Nesse caso, um homem descobre no centro de São Paulo uma máquina capaz de prever o futuro e passa a viver em função dessas predições. Muito legal.

O Fim do Mundo, de Joaquim Manoel de Macedo, é o conto mais antigo do livro. Escrito em 1857, conta a passagem de um cometa que destroi o mundo, ou pelo menos o Rio de Janeiro. Narrado em primeira pessoa, mostra a visão do protagonista quando consegue voltar à sua cidade, depois de ter se escondido na Lua (!) até que a poeira baixasse. Bem humorado, cheio de situações inusitadas, mostra uma visão curiosa da destruição do mundo. Gostei bastante desse.

O conto seguinte é O Inimigo Gaseificado, ou A vingança do Sr. Concreto, de Oswald Beresford, autor que se suicidou em 1924 após ter a tiragem inicial de um de seus romances queimada pelo próprio pai. O conto tem um lado cômico forte, mostrando a disputa entre dois empresários rivais, num futuro indefinido. O destaque cômico é a nova tecnologia, explorada por um dos empresários, com a qual ele ajuda os desgostosos com a vida a cometerem suicídio.

O Quarto Selo, de Ruben Fonseca, é um conto policial, ou de espionagem, não consegui definir bem. Passado no Rio de Janeiro, num futuro não muito distante, mostra um jogo de traições um tanto confuso. Esse conto foi o único com o qual eu realmente não me identifiquei no livro. Ainda assim, o último prágrafo, sarcástico ao extremo, é um desfecho ótimo.

Exercícios de Silêncio, de Finisia Fideli, é o conto que mais gostei. Novamente um choque entre civilizações. Um astronauta com problemas cai num planeta bem atrasado tecnologicamente, mas muito avançado intelectualmente. Ele precisa de todo modo encontrar um meio de consertar sua nave e descobre que seus conhecimentos científicos muitas vezes não servem para nada diante do poder de concentração e meditação dos habitantes daquele planeta. A autora afirma que teve a inspiração para escrever esse conto ao assistir um programa sobre o Tibet. A inspiração está lá, bem presente, e a mistura entre ciência e misticismo, que eu considero extremamente traiçoeira, foi brilhante nesse caso. Um dos contos mais belos que eu li nos últimos tempos.

Uma Breve História da Maquinidade, de Fabio Fernandes, conta uma história alternativa cheia de referências históricas e fictícias. Uma história muito boa. Começando no século XIX, vemos o mundo sendo moldado sob a influência de máquinas e robôs inteligentes. Temos uma espécia de revolta das máquinas, como em Matrix ou O Exterminador do Futuro, mas com uma roupagem steampunk.

O conto seguinte é Vanessa Von Chrysler, de Fausto Fawcett,uma verdadeira viagem. Um rapaz adquire num leilão, uma jovem alemã congelada desde 1940. Ao descongelá-la, eles passam a viver todo tipo de aventuras num Rio de Janeiro com espírito cyberpunk. Ou não. Sei lá. O conto é uma ótima leitura, mas uma bagunça e uma confusão de tirar o fôlego. O autor usa palavras para jogar imagens atrás de imagens na cara do leitor. E o resultado é muito bom.

Do Outro Lado da Janela, de Andre Carneiro, é um conto curtinho, mas poderoso. Um alerta sobre a mesmice que pauta muitas vidas, sobre o que nos prende ou o que nos consome. Também cairia bem num episódio de Além da Imaginação, assim como o conto de Ataíde Tartari.

Déjà-Vu, de Luiz Bras, é um conto que eu já conhecia do livro Contos Imediatos. É uma aventura de guerra, num planeta distante. A luta por um artefato que pode decidir a guerra. O diferencial é que a história é contada de trás para frente. Eu já havia gostado desse conto da primeira vez que o li. Li mais umas três ou quatro vezes, e cada vez gostei mais. Cada leitura revela um novo detalhe. Um dos maiores acertos desse livro.

O Copo de Cristal, de Jerônymo Monteiro, é outra pequena joia. Um copo de cristal quebrado encontrado no meio do mato se revela um portal que mostra imagens de outro mundo ou de outra época. Sua origem é um mistério, e o mundo que ele mostra também. Uma narrativa simples e envolvente. Esse conto está presente no Melhores Contos Brasileiros de Ficção Científica, editado por Roberto de Sousa Causo pela Devir Editora.

15 Minutos, de Ademir Assunção, é outro conto maluco. Usando o Unabomber, o famoso terrorista americano, como referência, o autor brinca com frases soltas e uma narrativa visual cheia de metáforas. A inspiração, segundo o próprio autor, veio com o próprio Unabomber, e como ele queria fazer sua mensagem chegar a todas as pessoas.

Páginas do Futuro é uma antologia muito boa. A qualidade dos contos é excelente, e é um livro que deve servir de exemplo aos novos escritores, tanto pelos temas apresentados quanto pela qualidade com que os autores escrevem.

É um livro de ficção científica e, obviamente, ela está presente em todos os contos. Mas muitas vezes é escondida pelas excelentes narrativas. Você não precisa ser um apaixonado por FC para apreciar esse livro. Veja só, não é uma excelente ideia de presente para promover esse gênero tão surrado e injustiçado?


A Terra vista do espaço

03/05/2012

Cliquem aqui, um video que mostra como os astronautas veem a Terra. Muito legal!


Sagas – Martelo das Bruxas

24/04/2012

A Editora Argonautas lançou no Fantasticon do ano passado o terceiro volume da série Sagas.

Da mesma forma que os volumes anteriores, que comentei aqui e aqui, o livro tem uma cara simpática, com uma capa bem feita (pelo artista cearense Fred Macêdo) e um formatinho pequeno e agradável. O prefácio é de Simone O. Marques.

A grande estrela dessa edição é, sem dúvida,  Christopher Kastensmidt, autor americano radicado no Brasil que foi indicado ao prêmio Nebula no ano passado.

O primeiro conto do livro é dele: Cada História Tem…Na minha opinião, é o melhor do livro. Passado na Olinda do Brasil Colônia, conta uma história de perseguição às bruxas através de diferentes pontos de vista, sempre focando a disputa entre uma bruxa e o inquisidor da região. Alternando a visão da bruxa e do inquisidor, o autor consegue criar uma história envolvente e assustadora. O conto faz com que o leitor troque de lado, ora torcendo pela bruxa, ora pelo inquisidor. Certamente, o texto é uma alegoria às disputas de hoje em dia, onde todo mundo tem razão. Basta enxergar o ponto de vista de cada um. Muito bom mesmo.

Em seguida, temos O Quão Forte Pode Um Gigante Gritar, de Ana Cristina Rodrigues. A história se passa na Irlanda, numa época distante na qual gigantes, fadas e feiticeiros se viam obrigados a dividir espaço com a crescente onda de cristianismo que avançava de maneira impiedosa. O conto mostra o drama de um gigante imortal, cansado da perseguição e violência causada pelos cristãos, que resolve viajar para o Novo Mundo. Antes, porém, ele se encontra com o filho, que não via desde muito tempo atrás. Juntos, eles partem numa última viagem que acaba trazendo resultados inesperados. O conto é bom, mas eu fiquei com a sensação de que essa história é mais longa do que aparece no livro, o que tira um pouco da força do trabalho.

O terceiro conto é Encruzilhada, de Douglas MCT. A história é interessante: duas garotas com poderes estranhos são criadas de maneira austera e violenta pela governanta da família. As diferenças entre as meninas e a governanta são cada vez mais acentuadas, culminando num final trágico. O conto é um pouco confuso. Eu o li duas vezes, mas não consegui ser cativado pela história. Ainda assim, assusta.

Logo depois, temos A Justiça deste Mundo, de Ana Lúcia Merege. Muito bom esse conto. Um jovem clérigo luta contra as injustiças enquanto bruxas e malfeitores são caçados na comunidade em que vive. Aos poucos, ele acaba se envolvendo num drama assustador e com final trágico. Muito bem escrito, é o segundo conto que mais gostei do livro.

O livro termina com Missa Negra, de Duda Falcão. Este conto mostra uma comunidade afetada por uma desgraça sem precedentes. Gado e plantações são destruídos sem motivo aparente, até que a população passa a associar a desgraça à presença de uma família que se mudou recentemente para a região. O  narrador acaba descobrindo a causa do problema e, pior, que essa causa está bem mais próxima do que lhe parece. Gostei bastante desse conto.

Sagas – Martelo das Bruxas mantém o nível de seus antecessores. Acho que é até melhor que o segundo volume, do qual eu esperava um pouquinho mais. O tema “bruxaria” é bem explorado, fugindo da mesmice e isso torna o livro uma diversão agradável.

Recomendo a leitura.


Vídeo de divulgação da Odisseia de Literatura Fantástica

23/04/2012

Vejam que legal o vídeo que o meu amigo Marcelo Bighetti fez para divulgar a Odisseia de Literatura Fantástica de Poto Alegre.


Resenha de Kaori no Somnium

22/04/2012

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Minha resenha de Kaori – Perfume de Vampira, um dos livros mais legais que li nos últimos tempos está no Somnium. O link para acessar a resenha é esse aqui.

 


Sim, eram…

22/04/2012

Sim, eram.

Este é o título do miniconto que eu escrevi para o último Terrorzine.

Lembram que eu disse aqui que não ia falar sobre o tema do Terrorzine 26? Pois é, agora eu falo: ufologia.

E aí, será que alguém se arrisca a entender o motivo do título do meu miniconto?

Melhor do que ficar chutando, é ler! Baixe o Terrorzine 26 aqui.


Meus minicontos

13/04/2012

Recentemente eu participei de três edições do Terrorzine, um fanzine virtual, organizado por Ademir Pascale e Elenir Alves.

Eu nunca tinha me imaginado escrevendo minicontos. A meta era escrever até quinze linhas. Com as alterações de parágrafo e fonte, dois deles acabaram passando um pouquinho.

É muito interessante escrever com esse limite. Não é tão simples resumir uma história em poucas linhas, mas acho que o resultado do que escrevi ficou legal.

Já falei sobre os dois primeiros, mas não custa reforçar…:D

O primeiro miniconto, O Pingente, fala sobre viagens no tempo. É um miniconto, então não dá para falar nada sobre ele, senão estraga a surpresa…rs…

Mas a edição está disponível para download aqui. Há outros trabalhos legais lá também.

O segundo miniconto é Refúgio Profanado, e fala sobre uma entidade que era muito conhecida quando eu era mais novo, mas agora parece que perdeu um pouco da “fama”: o Pé Grande. Este está disponível aqui.

O terceiro ainda não saiu, mas está em vias de. O título é Sim, eram. Título estranho, né? Vão ter que ler as 15 linhas para entender. Não vou dizer sobre o que fala esta edição do Terrorzine, só para manter o suspense…hehe… Assim que sair, eu publico aqui.


Meus trabalhos na Odisseia de Literatura Fantástica

12/04/2012

O evento ocorre nos dias 27 e 28 de abril, em Porto Alegre.

Estou animado porque a coisa promete. Teremos várias atividades legais, paineis, discussões e lançamentos. Fora a presença de diversos autores e editores.

Eu estarei presente envolvido em três lançamentos. Vejam só:

2013 – Ano um

Antologia de contos organizada por mim e Alícia Azevedo. Já falei outras vezes sobre esse livro aqui no blog, e acho que o resultado do livro ficou muito bom. O livro traz contos de oito autores que participaram do processo de seleção: Paulo Fodra, Daniel Tréz, A. Z. Cordenonsi, Carlos Relva, Josué de Oliveira, João Rogaciano, Marcelo Bighetti e Sandro Quintana; além de sete autores previamente convidados: Tibor Moricz, Ana Lúcia Merege, Gerson Lodi-Ribeiro, Roberto de Sousa Causo, Ademir Pascale, Adriano Siqueira e Duda Falcão.

O prefácio de 2013 é de Cesar Silva, um dos editores do Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica. Eu escrevi o posfácio, juntamente com Alícia Azevedo. O livro será lançado pelas Editoras Literata e Ornitorrinco.

 

Passado Imperfeito

Este livro, idealizado por Ademir Pascale, reúne oito contos que revelam diferentes aventuras até então desconhecidas, vividas por grandes personalidades da nossa História. Os autores envolvidos são: Ademir Pascale, Christian David, Daniel Borba, Estevan Lutz, Luciana Fátima, Marcelo Bighetti, Mariana Albuquerque e  Tibor Moricz. O prefácio foi escrito por Christopher Kastensmidt. O livro sai pela Editora Argonautas.

Em Passado Imperfeito, eu participo com um conto chamado A Passaarola, numa aventura extraordinária vivida pelo Padre Bartholomeu de Gusmão, que criou um aparelho capaz de voar muito antes de Santos Dummont ou dos Irmãos Wright terem sonhado em sair das barrigas das mamães. Isso aconteceu de verdade, a parte fantástica da história é outra!

Estranhas Invenções 

Mais uma criação de Ademir Pascale, este livro reúne história de ficção científica em homenagem a Leonardo da Vinci. O livro ficou bem bacana, e traz ótimas aventuras. Os autores que participam são: Ademir Pascale, Tibor Moricz, Ana Lúcia Merege , Daniel Borba, Marcelo Bighetti, Jorge Luiz Calife, Maurício Montenegro, Alícia Azevedo, Miguel Carqueija e Cesar Alcázar. O meu conto é A Ponte para o Infinito e fala sobre viagens espaciais. Vocês podem ler uma entrevista com os todos os autores nesse link. O livro sai pela Editora Ornitorrinco.

Ah… Eu também escrevi o prefácio de Estranhas Invenções. O primeiro prefácio a gente nunca esquece…:)

 

Como eu disse lá em cima, a Odisseia de Literatura promete ser Fantástica mesmo. Saibam mais sobre o evento aqui.


O Castelo das Águias

02/04/2012

Mês passado, eu li O Castelo das Águias, romance de fantasia escrito por Ana Lúcia Merege e publicado pela Editora Draco em 2011.

Eu já conhecia o trabalho da Ana através de algumas coletâneas, especialmente o conto A Encruzilhada, no primeiro volume da série Imaginários da Editora Draco. Em todas as oportunidades, não me decepcionei com seu contos, portanto, tinha altas expectativas em relação a este romance.

Trata-se de uma fantasia numa terra habitada por homens e elfos em convivência pacífica, apesar de algumas diferenças e intrigas entre as raças. O tal Castelo das Águias é uma escola de magia, que, me parece, foi inspirada no Castelo de Hogwarts, de Harry Potter. A importância da escola se dá pelas águias que habitam naquela região. Bebendo de uma fonte mágica próxima ao castelo, as águias ganham novas capacidades, tornando-se guerreiras, que podem ajudar as terras do Sul a manterem suas fronteiras seguras.

O Castelo das Águias é centrado na história da jovem Anna de Byrke, uma mestra de sagas que chega à escola para ensinar às crianças do Primeiro Círculo, que estão dando seus primeiros passos no caminho da magia. Como mestra de sagas, ela é encarregada de passar seus conhecimentos sobre as lendas antigas, as histórias que são passadas de geração para geração e mostram a grandeza dos antepassados, o que é fundamental para as crianças aprenderem a controlar seus poderes. Gostei demais dessa ideia. Uma analogia perfeit, tentando dar ênfase à importância da História na construção de um futuro melhor.

Anna é uma jovem simples, vinda de uma pequena comunidade isolada do resto do país. Quando chegar ao castelo, ela se depara com uma crise política envolvendo as principais cidades do país, que brigam pelo controle das águias, o que a faz descobrir que o mundo não é tão “bonitinho” quanto ela imaginava. Também logo de cara, ela se envolve com Kieran, um mago poderoso e cheio de mistérios, que talvez seja o personagem mais interessante do livro. Kieran já havia aparecido ainda criança no conto A Encruzilhada, que mencionei acima.

O livro começa um pouco devagar, mas pega ritmo da metade em diante, e gostei do que li. Portanto, meu conselho nesse caso é: não desista da leitura!

Eu realmente demorei a “engrenar”. Não sei se foi o excesso de nomes e pessoas sendo apresentadas constantemente, enquanto Anna ia sendo introduzida nesse mundo confuso de intrigas. A impressão que eu tinha era que, a cada capítulo, vinha uma avalanche de personagens novos e apresentações. Sinceramente não sei como a pobre Anna conseguiu conhecer todo mundo. Eu demorei a perceber quem era quem, e qual a relevância de cada um na trama. Outro problema é a própria Anna. Ela é uma persoangem difícil de descrever. Ela é insegura e medrosa no começo do livro, mas vai se firmando aos poucos. Uma evolução natural, mas que eu acho que aconteceu muito rápido. se o livro não ficasse tão bom da metade em diante, acho que Anna seria uma personagem ruim. Mas ela cresce junto com a trama e suas ações no final do livro mudam todo o destino do mundo.

O livro deslancha a partir da metade. E deslancha bem. Passada a apresentação dos personagens e dos problemas políticos, a coisa fica legal. A autora consegue imprimir um ritmo agradável na leitura. Kieran passa a desempenhar um papel mais importante na trama e o leitor passa a se interessar por desvendar seu passado misterioso. (Dica: leia A Encruzilhada).

Todos os eventos do livro convergem para um final muito bom, com interessantes reviravoltas e uma batalha mágica que envolve não só armas físicas e magia, mas também controle mental.

Ah, e tem as águias! As águias são criaturas fascinantes. Em seu estado “guerreiro”, elas são assustadoras e crueis, verdadeiras armas de guerra. A defesa perfeita, e também motivo de discórdia entre os povos.

Apesar de dirigido a um público mais jovem, acho que O Castelo das Águias deve agradar a leitores de todas as idades. A autora construiu com habilidade o seu mundo fantástico. Dentro dele, inúmeras posibilidades podem surgir. Há diferentes povos, diferentes tradições. Espero que mais histórias venham a surgir dentro deste mundo místico.

Gostei e recomendo a leitura…;)


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