Olha quanta estrela eu vi ontem!

18/09/2011

Pois é, e nem precisei bater a cabeça na parede para ver um monte de estrela…

Chegando do trabalho ontem à noite, sem sono e querendo esvaziar a cabeça, resolvi dar uma olhada no céu. A Lua estava bem brilhante, já que está saindo da fase cheia. Isso significa que muitas das estrelas acabam ficando ofuscadas pelo brilho da Lua. Mas esse seria o menor dos problemas, vejam:

  1. Estou em São Paulo.
  2. De onde estava olhando o céu, tinha uma vista quase perfeita da pista do aeroporto de Congonhas com uma infinidade de luzes amarelas iluminando sei lá o quê, já que não tem voos nesse horário.
  3.  Ainda havia algumas nuvens no céu, resquícios dos últimos dias nublados que tivemos por aqui.
  4. Estava em área residencial, ou seja, o lado que não era iluminado pelo aeroporto, era repleto de casas para atrapalhar minha visão do horizonte.

Mas vejam que bacana… mesmo com tudo isso, eu consegui enxergar várias estrelas (e parte das constelações) importantes no céu. Muitas delas, senão todas, serão mostradas com mais detalhes nas próximas semanas.

Logo “acima” da Lua, mais ou menos na direção nordeste, Júpiter estava bem brilhante. Uma visão espetacular, muitas vezes tenho a impressão que é possível enxergar um disco ao invés de um ponto, de tão brilhante e bonito que é esse planeta.

Logo ao lado de Júpiter, em direção ao Norte (ou olhando à esquerda de Júpiter), era possível observar duas estrelas da constelação de Áries. Continuando o movimento para a esquerda vinham Andrômeda, bem representada pelas suas três estrelas principais, e Pegasus, uma constelação que eu acho linda e que ficou marcada na minha memória desde a minha primeira visita ao Planetário. Essa constelação é espetacular, um quadrilátero enorme de estrelas no céu representando metade do corpo do cavalo alado, com mais algumas estrelas representando a cabeça e o focinho. Linda!

Mais para o alto do céu, Fomalhaut (Piscis Austrinus), Achernar (Eridanus) e Alnair (Grus) dominavam a vista.

Já bem perto do horizonte, na direção Oeste, Altair (lembram dela, que mencionei ao falar de Aquila?) ainda estava visível.

Um pouco antes de eu “me recolher”, olhando pro lado Leste, entre umas casas que juro que fiquei com vontade de derrubar, consegui ver as famosas Três Marias (Mintaka, Alnilam e Alnitak) e Rigel, todas elas pertencentes a Orion.

Aldebaran (Taurus) também estava visível no céu, mas escondida atrás de um prédio. Sirius (Canis Major), Canopus (Carina), Betelgeuse (Orion), Deneb (Cygnus) estavam muito próximas ao horizonte para srem observadas.

Do jeito que o céu estava ontem, imagino que meu limite de observação foi até a magnitude 3 ou 3,5. Muito pouco, infelizmente, já que a vista humana consegue observar até a magnitude 6. Mas como diz aquele ditado que vivia aparecendo nos desenhos do Pica-Pau: “Se a vida te dá um limão, faça uma limonada.”

Devo confessar uma coisa. Poucas coisas são tão relaxantes para mim quanto observar o céu. Mesmo sendo um céu com poucas estrelas, sem graça, poluído e cercado de prédios por todos os lados…hehe… recomendo a experiência aos mais estressadinhos.

Na imagem abaixo, uma simulação do céu que acabei de descrever para vocês. Os astros numerados são os que eu mencionei aqui. Vejam a legenda abaixo da figura. Eu sei que a imagem está pequena, mas podem clicar nela para abrir maior em outra janela.

1. Lua / 2. Júpiter / 3. Aries / 4. Andromeda / 5. Pegasus (notem que uma das estrelas – a azul- é meio “compartilhada” com Andromeda) / 6. Fomalhaut / 7. Achernar / 8. Alnair / 9.Altair / 10. Três Marias / 11. Rigel / 12. Aldebaran / 13. Sirius / 14. Canopus / 15.Betelgeuse / 16. Deneb


Um dia na vida de um nerd…

30/05/2011

Esse sábado tive um dia bem legal.

Eu resolvi que o dia seria qualificado como um dia “nerd e ecologicamente correto”.

A programação era longa, bem longa. E realmente era bem nerd também. Como eu ia ficar o tempo todo na rua e com acesso fácil ao metrô, o dia tornou-se ecologicamente correto porque resolvi deixar o carro na garagem…:D

Bom, logo cedo, debaixo de uma garoa fina típica de São Paulo, eu fui para o curso de astronomia prática do Observatório Céu Austral, que está sendo ministrado pelo Paulo Varella na Escola Técnica do Parque da Juventude. Duas coisas merecem menção aí.

Primeiro é a escola. O Parque da Juventude fica no terreno que abrigava o presídio do Carandiru em São Paulo. Lugarzinho que tinha tudo para ser horrível, mas que foi revitalizado e transformado num parque super agradável, com uma escola grande e bem equipada. Pelo que ouvi falar, aos sábados, com os cursos extra-curriculares (como esse de astronomia), cerca de 1200 pessoas circulam por lá. Além do curso que estou fazendo, eles tem cursos de informática, fotografia… Fiquei impressionado quando fui lá pela primeira vez.

A segunda coisa é o curso ministrado pelo Paulo. Eu o conheço há uns vinte anos mais ou menos, de cursos de astronomia lá no Planetário do Ibirapuera. O Paulo é, sem dúvida, o cara que mais entende de astronomia que eu conheço. Ele tem uma didática excelente e fala com segurança sobre qualquer assunto relacionado à astronomia. O Observatório Céu Austral, do qual ele é diretor, oferece diversos cursos em astronomia e outras ciências da Terra.

Bom, a aula de astronomia terminou por volta das 13:00, e de lá, eu segui para a Estação Paraiso do metrô, onde há uma exposição sobre ficção científica britânica promovida pela Cultura Inglesa. A exposição vai até 12 de junho e é parte da programação do 15 Cultura Inglesa Festival. Vários paineis apresentam a influência britânica na FC, seja na literatura, cinema, televisão ou quadrinhos. Uma linha do tempo que começa no século XVI com Thomas More e sua Utopia, e vai até os dias de hoje, me chamou bastante a atenção. Excelente o trabalho de pesquisa feito. Vários paineis interessantes sobre autores específicos, como Alan Moore, China Miéville, Arthur C. Clarke, H.G.Wells. Uma pena que eu cheguei lá depois do bate-papo entre o escritor Roberto Causo e Rogério de Campos, diretor da Conrad.

Saindo do metrô Paraiso, fui a pé até a Livraria Martins Fontes, que fica no começo da Avenida Paulista, onde seria o lançamento do livro O Peregrino, do Tibor ”John Doe” Moricz. Não entendeu o apelido? Compre o livro e descubra o motivo!

Ah… antes da livraria, fiz uma escala numa casa árabe, Halin. O kibe de verduras deles é maravilhoso!

O lançamento do livro do Tibor foi animado. Logo de cara, encontrei com o Roberto Causo e com o Bruno Cobbi (autor de um excelente conto no Portal Fahrenheit). Eles tinham vindo do metrô Paraíso também, acho que nos desencontramos por pouco. O Silvio “Fantasticon” Alexandre, sempre simpático, também apareceu em seguida e logo formamos uma rodinha para conversar sobre literatura fantástica. Dessa conversa, fiquei com vontade de ler O Caçador de Apóstolos, de Leonel Caldella, fortemente recomendado. Entrou na lista.

O autor e estrela da ocasião apareceu em seguida, ainda que um pouco atrasado, e logo já foi convocado para autografar alguns livros. Em seguida apareceram também o Erick “Draco” Santos, editor responsável pela publicação de O Peregrino,  Adriano Siqueira e sua já lendária máquina, com a qual registra quase todos os eventos de literatura fantástica em São Paulo, além de Larissa Caruso e Hugo Vera, organizadores da coletânea Space Opera, a ser lançada na semana que vem. Rogerio Pontenegro do Arena Fantástica também estava por lá.

Por volta de 16:30, depois de muito bate-papo, peguei minha mochila e saí da Martins Fontes, em direção a outra livraria, a Cultura, no final da Paulista. Cerca de 15 minutos a pé. Parte do caminho eu fiz com o amigo Adriana Siqueira, que me presenteou com um exemplar de seu livro, Adorável Noite. Um livro muito caprichado, e extremamente simpático, diga-se de passagem. Aguardem a resenha.

Lá na Livraria Cultura, eu entrei numa fila para assistir ao bate-papo com o escritor e roteirista britânico Robert Shearman, vencedor do World Fantasy Awards, finalista do Hugo e roteirista de Dr.Who. O cara é extremamente simpático e engraçado, com aquele típico humor britânico. Praticamente todas as frases dele terminavam com uma risada do público presente. A programação atrasou e a posterior venda de livros e sessão de autógrafos ficou para um pouco mais tarde, no hotel onde ele estava hospedado. Já eram 19:00, e o dia seguinte começaria bem cedo para mim, por causa do trabalho. Acabei desistindo de comprar o livro e ficar na fila para o autógrafo, e voltei para casa de ônibus.

Para fechar o meu dia nerd, uma mini-maratona com seis episódios de The Big Bang Theory. Dizem que pode-se medir o seu grau de nerdice de acordo com a quantidade de piadas que você entende nessa série. Devo mencionar que até hoje, não lembro de ter deixado de entender uma piada que fosse…hehe…

Bom, acho que chega, né?

Ah… gostaria de mencionar que a minha insistência em caminhar debaixo de garoa numa temperatura de uns doze graus me rendeu uma bela dor de cabeça e um pouco de febre durante a noite. Ser nerd pode ser prejudicial à saúde…:D


2010 – Fechando a conta

31/12/2010

Mas vejam só, e não é que 2010 já acabou?

Será que foi só para mim que esse ano voou? Já escrevi isso aqui antes, e continuo insistindo. Os dias deveriam ter pelo menos umas 30 horas. Quem sabe assim a gente teria tempo de fazer tudo que tem vontade, não?

Como não adianta mesmo reclamar disso, vamos ao que interessa…

Na ficção científica, o ano de 2010 foi muito legal para mim. Afinal, consegui a minha primeira publicação. Foi um conto curto numa coletânea, UFO – Contos Não Identificados, com organização de Georgette Silen. Eu ainda tenho planos de escrever mais, e melhor, mas nem sempre é fácil conciliar todas as nossas responsabilidades. (choradeira de preguiçoso…rs)

Outra coisa bacana que aconteceu comigo foi a participação como colaborador no blog de entrevistas From Bar To Bar, do escritor Tibor Moricz. Foi um mero acaso eu ter descoberto esse blog antes de seu lançamento “oficial” e numa rápida troca de emails, veio o convite para que eu ajudasse nas traduções para inglês dos textos. O From Bar To Bar é um projeto muito legal e sinto imensa satisfação em fazer parte dele.

Um outro momento interessante nesse ano foi um pequeno debate virtual com o escritor português Luiz Filipe Silva. Ele é autor do excelente conto A Casa de um Homem, publicado no livro Imaginários 2 (Editora Draco). O resultado do debate resultou numa melhor compreensão por minha parte do conto, que eu comentei aqui.

Durante seis semanas entre setembro e outubro desse ano, participei de um curso de História da Ficção Científica ministrado pelo Fábio Fernandes, um dos caras que mais entende do assunto no Brasil. O curso foi muito bom, aprendi muita coisa, fiz novos amigos, e alguns dos meus comentários podem ser vistos aqui , aqui ou aqui.

Acompanhando as leituras de outras pessoas que se interessam por ficção científica, devo confessar que meu ritmo de leitura não é dos mais rápidos, e eu não consigo ler tantos livros quanto eu gostaria. Para saber o que eu li esse ano, e ver meus comentários sobre alguns dos livros, dê uma olhadinha aqui. Ainda estou devendo posts sobre alguns dos livros desse ano, mas calma, tudo a seu tempo…:D

Do que eu li esse ano, o melhor livro foi, sem dúvida nenhuma, a trilogia Padrões de Contato, de Jorge Luiz Calife. Este é um belíssimo livro, relançado em 2009 pela Devir, que traz uma trilogia incrível, de proporções quase épicas. Leitura mais que obrigatória para todo fã de FC no Brasil. Se tivesse sido lançado nos EUA ou no Reino Unido, esse livro já teria esgotado várias edições.

Ainda sobre as minhas leituras do ano, como tivemos muitos lançamentos de antologias, eu gostaria de mencionar um conto que eu achei simplesmente maravilhoso: Corre, João, Corre, de Cirilo S. Lemos, publicado na Imaginários 3. Sem dúvida esse foi o melhor conto que eu li esse ano. Somente esse conto já vale o preço que eu paguei pelo livro.

Por fim, como uma das coisas que mais gosto é cinema, eu devo mencionar que até uns dez dias atrás, o melhor filme que eu tinha visto esse ano era A Origem, ficção científica muito boa que brinca o tempo todo com a realidade. Mas eu fui assistir A Rede Social um dia desses e simplesmente adorei o filme. Não escrevi nada sobre este filme aqui nem sei por quê, mas ele é muito legal. Agora já não sei mais qual o melhor filme que eu vi em 2010…hehe…   

Bom, acho que é isso. Para quem costuma visitar o meu blog, meus sinceros agradecimentos pelas visitas, pelos comentários, pelas críticas, pelos emails… Para quem está aparecendo aqui pela primeira vez, espero que esta seja a primeira de muitas visitas.

E que 2011 seja um ano muito melhor, porque é sempre assim que deve ser. Um melhor que o outro…


Dias muito curtos…

28/10/2010

Como os dias são curtos!!! Cheguei recentemente a essa conclusão. Eu precisaria de um dia com pelo menos 30 horas. O Unibanco esteve certo o tempo todo e a gente não acreditava….hehe…

Ah, meus dias também são curtos, devo dizer, porque levo pelo menos uma hora e meia de carro pra trabalhar todos os dias e, SE eu conseguir fugir do rush, uma hora pra voltar. E já me disseram que eu durmo muito também. Seis horas é muito sim, quando o tempo é escasso…:D

E isso me traz outro probleminha… além de um dia de 30 horas, eu precisava de um corpo que aguentasse ficar acordado 30 horas, né? Haja Red Bull…

Hoje eu não tenho nada para falar, justamente por isso vim aqui. Minhas últimas semanas foram corridas, o que não deixa de ser novidade.

Mas sempre dá pra gente ver/fazer alguma coisinha legal, né?

Semana passada assisti novamente a Brilho Eterno de uma Mente sem Lembrança, um filme maraviilhoso que mistura romance, fantasia e ficção científica. Eu definitivamente acho que o Jim Carrey deveria parar de fazer comédia (detesto aquelas caretas dele, imitações baratas do Jerry Lewis) e fazer filmes sérios. Esse filme é muito bacana e se juntar com O Show de Truman, outro filme “sério” dele, vocês podem concordar que ele deveria mesmo parar com as comédias.

Assisti também Atividade Paranormal em dvd. Já tinha assistido no cinema, e confesso que fiquei decepcionado dessa vez. Acho que só funciona mesmo “no escurinho do cinema” e com o som BEM alto. Será que vale a pena ver o 2?

Ah, ontem a noite, eu peguei ZDM: Terra de Ninguém, álbum em quadrinhos escrito pelo Brian Azzarello, para ler. Mas eu estava com tanto sono que peguei no sono de boca aberta, com o livro em cima de mim. Entenderam agora o que eu falei sobre ter um corpo que aguente ficar acordado 30 horas?


Rapidinhas…

13/08/2010

Esse post é só pra tirar a poeira daqui um pouco. Não tenho tido muito tempo para ler ou escrever, então acabo não conseguindo escrever aqui no blog.

Aliás, este que vos fala entra em recesso por uns dias. Férias do trabalho, merecidas e necessárias!

Antes, porém, eu tenho uma recomendação. A Revista Scarium # 26, dedicada a ficção científica, tem um conto muito bonito escrito pelo Hugo Vera. O nome do conto é Um Novo Sol Para Contemplar. O conto é passado num planeta distante, um refúgio para a humanidade que vem sofrendo seguidos ataques de uma raça alienígena. Gostei muito.

Ah, vale lembrar que eu não comentei a coletânea UFO – Contos Não Identificados aqui. Como sou parte interessada em eventuais comentários, achei por bem me abster.

Nos próximos dias, pretendo ler Contos Imediatos, coletânea organizada pelo Roberto de Sousa Causo (recebi uma cópia autografada pelo Tibor Moricz), Anno Dracula (de Kim Newmann) e Projeto Portal 2001, edição mais recente da revista de FC editada por Nelson de Oliveira (essa eu ganhei do Causo).

Mais pra frente, eu comento. Ou não, se me der preguiça…hehe…


A primeira vez a gente não esquece

01/08/2010

Pois é, a primeira vez é mesmo inesquecível. Semana passada eu tive a oportunidade de participar do lançamento da Coletânea UFO: Contos Não Identificados, organizado por Georgette Silen e publicado pela Editora Literata. Dessa vez, eu não fui como leitor, mas fui como um dos autores. Essa foi a minha primeira publicação e fiquei muito feliz com isso…:)

O lançamento foi na Saraiva do Shopping Center Norte, num espaço muito bom que eles tem para esse tipo de evento, com um auditório bem confortável. Eu fiz de tudo para chegar lá na livraria bem cedo, mas claro que o trânsito de São Paulo não ajudou e o shopping estava lotado, fiquei uns 20 minutos procurando vaga para estacionar e cheguei lá na correria, super preocupado de passar vexame logo na minha “estreia”.

Felizmente eu consegui chegar a tempo de pegar meu crachá, assinar um “ok” na lista de presença dos autores e ainda aguardar um pouco a palestra sobre ufologia que foi dada pelo autor convidado Renato Azevedo. Antes disso, ainda encontrei e bati um papo com o Adriano Siqueira, do site Adorável Noite, com o link aí ao lado. Conversei um pouco com o Renato e a Georgette (a organizadora do livro), e procurei por alguns dos autores que eu já conhecia, mas não encontrei ninguém. Aí fiquei meio sem graça e acabei indo sentar no auditório e esperar pela palestra…hehe…

A palestra do Renato foi bastante interessante. Ele soube conduzir o tema muito bem, apresentando uma histórico de casos ufológicos marcantes, inclusive com várias fotos sobre Roswell e Varginha. Além disso, ele foi super receptivo pras perguntas e mostrou um grande conhecimento na área. Vale lembrar que o Renato é autor do livro De Roswell a Varginha, ficção científica ufológica passada nos dias atuais, meio estilo Arquivo X.

Logo após a palestra, começou a sessão de autógrafos. Pra mim, essa foi a parte mais legal. Eu dei e ganhei vários autógrafos e acabei conhecendo muitos dos autores. Foi uma oportunidade muito bacana para trocar ideias, experiências e conhecer melhor o pessoal.

Agora sobre o livro…

UFO – Contos Não Identificados conta com 33 contos de FC relacionados à ufologia. A regra era que todos os contos deveriam ter como protagonistas os alienígenas. Eu já li metade dos contos e devo dizer que tem bastante coisa legal. Além disso, temos o prefácio escrito por Rober Pinheiro e um artigo sobre FC ufológica por Edgar Smaniotto. O livro recebeu também ilustrações por Anubian Etriel.

Quem quiser adquirir o livro pode entrar nos sites da Livraria Saraiva e da Livraria Cultura, ou me mandar uma mensagem. Esses últimos, claro, terão a honra (?!?!?!?) de adquirir um livro autografado….:D


O bom, o mau, o feio

20/06/2010

A última edição da Scientific American Brasil traz uma série de artigos muito interessantes a respeito de mundo sustentável, preservação de recursos e atitudes que são necessárias para garantir um futuro razoável para nós e as próximas gerações.

Na coluna Massa Crítica, o físico Lawrence M. Krauss que dirige o projeto Origins na Universidade do Arizona discute nossa capacidade de delinear a evolução do mundo. Ele tem uma visão bastante otimista da nossa atual situação e até menciona que a humanidade vai ter que se adaptar a algumas novas situações, mas vai superar os problemas de meio-ambiente que tem aparecido. Segundo ele, o nosso planejamento “deve incluir o bom, o mau e o feio.”

O que ele quer dizer com isso? Teremos algumas coisas boas acontecendo. O bom é que áreas ainda ociosas do planeta vão acabar sendo aproveitadas para a produção de alimentos, e isso é bom.

O lado mau está relacionado aos problemas decorrentes da escassez de alimentos e terras. É claro que problemas sociais vão surgir, é possível que a humanidade como um todo fique mais pobre. Esse cenário vai fazer com que tensões internacionais se agravem e populações inteira tenham que migrar para novas regiões.

O lado feio disso tudo é que a Terra está perdendo uma quantidade absurda de espécies animais e vegetais ao mesmo tempo em que as mudanças ambientais vão fazer com que predadores e pestes invadam novas regiões, em busca de alimentos alternativos.

A coluna termina fazendo uma comparação com os hominídeos que viveram há cerca de 100 mil anos no extremos sul da África e que tiveram que migrar para outras regiões devido a mudanças no nível do mar. Eles sobreviveram. Nós também podemos, especialmente porque temos ao nosso alcance um aparato tecnológico e cultural enorme que, se fossem usados racionalmente, moldariam um futuro excelente para a humaniade.

Quando eu penso em futuro para a humanidade, sempre associo ao que foi descrito em Fundação e A Cidade e as Estrelas, dois dos melhores livros de FC de todos os tempos. As sociedades descritas nesses livros tinham um nível tecnológico absurdo. Particularmente, em Fundação, a Terra havia sido destruída por causa de resíduos nucleares, mas antes disso, a humanidade já havia partido rumo às estrelas e conquistado a Galáxia.

Será que chegamos lá?


Minhas Leituras

15/06/2010

Eu criei vergonha na cara e atualizei a página Minhas Leituras que aparece no menu do blog aí em cima. Faz tempo que quero fazer isso, mas sempre vou protelando. E nem foi tão complicado. Foi só copiar e colar os arquivos de texto que eu já tinha.

Bom, tem muita coisa legal e tem muita tranqueira que eu li também. A maioria dos livros que li desde 1994 está lá.

É apenas uma lista, sem resenhas ou comentários (por enquanto), mas fiquem a vontade para comentar. Ah… se você for tão preguiçoso quanto eu, é capaz de nem querer ir lá em cima com o mouse, mas talvez queira ler se eu mandar clicar aqui.


Lançamento: Guerra Justa

06/06/2010

Ontem, na Livraria Martins Fontes da Avenida Paulista, ocorreu o lançamento do livro Guerra Justa, de Carlos Orsi.

Junto com o lançamento e a tarde de autógrafos, a Editora Draco promoveu um bate-papo sobre cyberpunk entre o autor e o escritor Fabio Fernandes. Muito legal o bate-papo. O cyberpunk é um movimento criado durante os anos 1980 e que mostra um futuro muito próximo de nós. O filme Matrix foi inspirado nesse movimento. É mais ou menos aquele tipo de “clima”.

Pena que eu tive que sair antes do fim, mas uma coisa interessante mencionada ontem é que estamos vivendo hoje aquilo que o cyberpunk previa: alta tecnologia acessível em larga escala, um mundo globalizado.

Vejam só: internet, celulares de última geração, câmeras digitais, mensagens instantâneas, redes sociais, email nos celulares, Iphones, Blackberries, clonagem, células-tronco, Projeto Genoma. Estamos vivendo o futuro. Alguém duvida?


Padrões de Contato

04/06/2010

Padrões de Contato é um clássico da FC brasileira. Escrito por Jorge Luiz Calife, é considerado por muitos como o grande romance de FC hard no Brasil. Faz tempo que eu queria escrever sobre esse livro. Eu me interessei por ele no ano passado, quando foi relançado pela Devir, mas só tive oportunidade de ler no começo desse ano.

Achei a trilogia muito boa, muito bem escrita e de ótimo nível. Devo confessar que isso foi meio surpreendente para mim. Nem é pelo autor (que eu não conhecia), nem pelo tema (que eu gosto), mas talvez pela “magnitude” da obra, ou pelo fato de ser FC hard nacional. Não sei. O fato é que eu gostei muito e acho que todo mundo que gosta de FC deveria ler esse livro.

O volume lançado pela Devir contém a trilogia completa: Padrões de Contato (1985), Horizonte de Eventos (1986) e Linha Terminal (1991). A idéia do autor foi realmente grandiosa: cobrir vários séculos da civilização humana, desde os seus primeiros contatos com extraterrestres até que a humanidade se tornasse parte de uma comunidade galáctica ocupando vários planetas e em contato com outras civilizações. A trilogia completa ocupa uns 600 anos da história futura da Terra, começando no ano 2426.

Os três livros tem um ponto de ligação: Angela Duncan, uma mulher que teve sua vida alterada após um encontro misterioso com uma entidade alienígena extremamente avançada. No começo, tem-se a impressão de que Angela é apenas uma personagem dispensável na trama, mas aos poucos acostuma-se com ela até que ela se torna importante e, mais ainda, uma personagem querida. Angela participa de todas as histórias de maneira ativa, viajando entre as estrelas como uma representante da humanidade. Com o desenrolar do livro, ela se torna uma heroína, conhecida por toda a Galáxia como uma escolhida.

No primeiro volume, Padrões de Contato, vemos os primeiros contatos com civilizações alienígenas inteligentes. Tomamos conhecimento da Tríade, uma civilização extremamente avançada que habita o centro da Galáxia e do Batedor, uma nave espacial que chega trazendo más notícias para a humanidade.

No segundo volume, Horizonte de Eventos, uma nave espacial controlada por militares se aproxima de um mundo pacífico que está prestes a enfrentar uma crise sem precedentes. A nave é chamada Brasil, e a história toda é uma grande crítica à ditadura militar que controlava o país até o meio dos anos 1980.

No terceiro volume, Linha Terminal, Angela acaba voltando no tempo para visitar a Terra do século XX em busca de uma raça que habita nossos oceanos e parece ser a última possibilidade de salvação para a Galáxia.

Mas nesse texto eu não quero me aprofundar mais no livro. Quero apenas fazer alguns comentários.

Bom, como eu disse lá em cima, gostei muito do livro como um todo. Posso dizer que a obra é audaciosa. A FC frequentemente trata do futuro. Até mesmo do futuro distante. Mas muitas vezes isso é bem localizado ou pontual, mostrando apenas uma ou duas linhas de ação e eventos isolados. Tratar do futuro da humanidade de forma tão abrangente e tentar prever de maneira verossímil o que temos pela frente é uma tarefa que poucos autores conseguem levar a efeito. Em Fundação, Asimov consegue levar a humanidade a um futuro tão distante do nosso que a Terra se torna uma lenda quase esquecida. A Cidade e as Estrelas de Clarke também nos passa essa impressão. Em Padrões de Contato,  Calife consegue fazer isso muito bem, descrevendo uma evolução para a humanidade. Descrevendo até mesmo um futuro que é aceitável. Totalmente fantástico, como a FC quase sempre é. Mas também totalmente possível.

Durante todo o texto, o autor demonstra um bom conhecimento científico. Nada muito aprofundado a ponto de se tornar chato, mas o suficiente para fazer com que as coisas no livro façam sentido. O autor “convence” quando descreve as naves, os métodos de propulsão e os conceitos científicos envolvidos.

Eu resolvi escrever este post há algumas semanas, depois de ter lido uma entrevista do Calife para o escritor Tibor Moricz no De Bar em Bar, que pode ser lida aqui. Enquanto eu lia a entrevista, fiquei pensando em como eu tinha gostado do livro e em quanto lixo estrangeiro a gente lê por aí.

O fato é que na entrevista que eu li do Calife ele menciona alguns dos problemas para publicação e fala do pouco reconhecimento que teve. E eu fiquei pensando: “Pô, cadê todos os fãs de FC que temos por aí?” “Será que o pessoal não se interessa por livros bons como esse?” “Será preconceito como o que eu tinha?” “Será que realmente tão pouca gente comprou o livro?”. Às vezes eu acho que a gente se preocupa tanto em ampliar o conceito de literatura fantástica que acaba incluindo qualquer coisa nesse gênero e a verdadeira FC fica jogada em segundo plano.

Padrões de Contato é um livro que chega a ser épico, muito bem escrito. É um livro que merece ser comprado, lido e relido.

Por fim, novamente um apelo: Vamos valorizar a FC nacional. Vamos fazer com que as editoras resolvam investir nos autores nacionais!


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