Into the Wild – Na Natureza Selvagem

20/03/2012

Hoje, excepcionalmente, o livro que comento aqui não é FC. Fazia um bom tempo que eu não lia nada fora do gênero fantástico, e meio que por acidente, o livro Into the Wild, de Jon Krakauer, veio parar em minhas mãos.

Este livro, apesar de lançado em 1996, ganhou um certo destaque mais recentemente, graças ao filme de 2007 dirigido por Sean Penn, com Emile Hirsch e Vince Vaughn no elenco. Não vi o filme, mas preciso corrigir essa falha urgentemente. O filme tem trilha sonora composta por Eddie Vedder. Só isso já valeria o ingresso. Ou o aluguel do DVD, sei lá.

O livro é resultado da pesquisa feita pelo escritor e jornalista Jon Krakauer sobre a aventura de um jovem americano chamado Chris McCandless (1968-1992).

OK, vocês me perguntam, mas quem é Chris McCandless?

Eu respondo: em 1992, um jovem de classe média alta dos EUA , aos vinte e dois anos e recém-formado na faculdade, abandona a família, a vida confortável e doa para a caridade os vinte e quatro mil dólares que tinha na poupança, a fim de viver o sonho de cruzar o país em direção ao Alasca, onde pretendia passar algum tempo isolado, vivendo apenas do que a natureza podia oferecer. Depois de cruzar o país mais de uma vez, de carro, de carona, de barco e até a pé por mais ou menos um ano e meio, ele chegou ao Alasca. Quatro meses depois, seu corpo foi encontrado já em decomposição num abrigo para caçadores bem no coração do último estado americano.

Calma lá, não estraguei o final do livro. Isso já é mencionado logo no comecinh e não vai ser surpre. O que realmente importa no livro é a aventura em si, os motivos que levaram o rapaz a abandonar tudo em busca de um sonho, as reflexões por trás disso tudo, suas cartas, e até as especulações sobre as causas de sua morte.

Achei o livro simplesmente maravilhoso. O autor, contratado pela revista Outside para escrever um artigo sobre a morte do rapaz, ficou tão apaixonado pela história que resolveu ampliar suas pesquisas, investigando mais a fundo a vida de McCandless, seus diários, fotografias e outras pistas deixadas nos quase dois anos em que esteve viajando. A esse trabalho, foram acrescentados depoimentos das pessoas que conviveram com ele, inclusive do último homem que o viu ainda vivo, prestes a entrar na floresta do Alasca. O autor ainda faz um paralelo com a história de outras pessoas que também “sumiram” da civilização. Nessas comparações, tenta encontrar o que faz algumas pessoas terem esse desejo por uma vida mais simples, sem os laços que normalmente nos unem à civilização.

No caso de Chris McCandless, não havia o desejo de suicídio, nem de se isolar indefinidamente. O que ele queria era simplesmente passar um tempo sozinho, conhecer a natureza, aproveitar o que ela tem a nos oferecer. Depois disso tudo, voltar e contar a todos como a vida pode ser simples e bela. Esses pensamentos aparecem diversas vezes nos diários que ele deixou.

Ele era louco? De pedra.

Mas era gênio também. Afinal, de gênio e louco, todo mundo tem um pouco. O rapaz era inteligente, e fez amigos por onde passou. Aprendeu com pessoas de diferentes culturas e regiões do país. Trabalhou muito e sobreviveu por semanas em condições que não aguentaríamos nem por um dia. Sua viagem foi de aprendizado, em busca de se tornar uma pessoa melhor e mais completa. E é interessante notarmos a evolução que seus registros mostram.

Into the Wild é um livro fácil de ser lido. Há entrevistas, passagens extraídas dos livros preferidos de McCandless, especulações sobre seus ideais e até um pouco de aventura. O autor nos faz admirar a personalidade do rapaz, e nos últimos capítulos, mesmo sabendo o final da história, a gente tem aquela sensação de “caramba, não precisava ser assim” ou “ele quase escapou”.

É totalmente indicado para quem tem um pinguinho daquele sentimento de aventura ou de liberdade. Vale muito a pena!

Em tempo: vi que o livro foi publicado em português pela Companhia das Letras e pode ser facilmente comprado pela internet…;)


Filho de nerd…

11/04/2011

… nerdinho é!

Meu filho Henrique resolveu entrar no mundo dos blogs. Há algum tempo ele vinha falando que queria montar um blog para falar sobre videogames.

Semana passada, ele pediu minha ajuda e criamos um blog para ele. Como todo garoto de onze anos, ele adora Pokemon e Super Mario. Depois de muito “brainstorming”, resolvemos homenagear suas duas séries de videogame favoritas no nome do blog: Poketroopa.

Verifiquem o blog aqui.

Ele já postou algumas coisinhas lá e tem pesquisado bastante para não escrever bobagens. Podem acessar, ler, comentar…


We’ll Always Have Paris, de Ray Bradbury

03/02/2011

Foi totalmente por acaso que eu encontrei esse livro outro dia na Saraiva do Shopping Paulista, aqui em São Paulo. Eu estava com minha irmã dando uma xeretada na prateleira dos livros em inglês quando ela de repente pegou um livro e perguntou:

- Esse não é aquele cara que escreveu aquele livro do circo?

E eu respondi:

- Sim! Deixa eu ver!

Bom, “aquele cara” era Ray Bradbury, e “aquele livro do circo” era Algo Sinistro Vem Por Aí, que ela pegou emprestado de mim há algum tempo e gostou muito.

Confesso que acabei levando We’ll Always Have Paris mais por causa do autor mesmo, sem nem mesmo ver sobre o que se tratava.

Tive uma grande surpresa ao começar a ler essa antologia lançada em 2009 e composta por vinte e dois contos inéditos de Bradbury e me dar conta de que a grande maioria não se trata de contos de ficção científica. Muito pelo contrário, quase todos os contos tratam do cotidiano, de situações vividas no dia-a-dia, de coisas quase insignificantes a um observador comum. A grande diferença aí é que Bradbury não é um observador comum, e sabe como contar excelentes histórias, sejam elas de ficção científica ou não.

Logo na introdução, Bradbury nos diz que We’ll Always Have Paris é o resultado do trabalho de duas pessoas: o Bradbury que observa e o Bradbury que escreve. Ele também nos adverte que as histórias não foram planejadas, mas simplesmente foram explosões ou impulsos de pensamentos que ele acabou pondo no papel.

O resultado desses impulsos é um livro pequeno e notável. Bradbury sabe o que faz. Mesmo quando a história não é tão interessante assim, seu jeito de escrever e sua habilidade com as palavras é de dar inveja, fazendo o leitor se envolver profundamente.

Na introdução do livro, ele também diz: “Espero que aproveitem essas histórias. Não pensem muito nelas, apenas tentem se apaixonar por elas, assim como eu me apaixonei.”

E foi mais ou menos isso que tentei fazer durante a leitura. Sem procurar “porques” ou explicações para os fatos mais bizarros. Apenas li e aproveitei.

Dentre as vinte e duas histórias, algumas são obras-primas:

Massinelo Pietro: uma história real que fala de um vendedor de bairro barulhento e bagunceiro que é odiado pelos vizinhos. Até o dia em que ele desaparece e passa a fazer falta.

The Visit (A Visita): para mim, a melhor e mais tocante história do livro. Conta o encontro entre um rapaz que passou por um transplante de coração e a mãe do rapaz que doou o coração. Simplesmente linda.

We’ll Always Have Paris (Sempre Teremos O Que Aconteceu Em Paris): o título é também uma famosa frase do filme Casablanca, e aqui uma situação vivida no filme é mais ou menos recontada. Um homem sai para passear à noite em Paris e tem um encontro romântico inusitado.

Pietà Summer: uma história simples e maravilhosamente tocante sobre o amor e a admiração de um filho por seu pai. Começa de maneira tão simples e termina de maneira fantástica.

Fly Away Home (no contexto do conto, podemos traduzir como “Um Lar que Voa Para Bem Longe”): essa é tão “Crônicas Marcianas” que eu fui dar uma olhada no livro para confirmar que não estava lá. Não está. Ficção científica passada em Marte mostrando o começo da colonização. Imperdível.

Un-Pillow Talk: sabe aquela história de ficar conversando na cama e fazendo planos com a pessoa amada? Isso é o tal “pillow talk”. Essa história é justamente o oposto disso. Mas é simplesmente apaixonante.

If Paths Must Cross Again (Se os Caminhos Se Cruzarem Novamente): um casal que acaba de se conhecer descobre que conviveram na mesma vizinhança e tiveram conhecidos em comum algum tempo antes. História bonitinha.

A Literary Encounter (Um Encontro Literário): um homem apaixonado por literatura cuida do seu relacionamento de acordo com o estilo ou autor que está lendo no momento. Genial.

Ao mesmo tempo em que penso que é impresisonante ver um autor como Bradbury, já com a idade tão avançada, produzindo coisas tão belas e tocantes, penso que somente a sabedoria dos que já viveram muito (e bem) é capaz de produzir histórias assim. Esse livro é daqueles que pode ser lido e relido inúmeras vezes, sem nunca perder a magia da primeira leitura.


Liquidação

24/01/2011

A novidade da semana é que, por razões diversas, estou vendendo boa parte dos meus livros. A maioria é de FC, com alguns de fantasia no meio.

Tem livros em inglês e português, além de alguns quadrinhos. Quase tudo em ótimo estado de conservação.

Como a lista é grande, coloquei tudo num outro blog que criei só para que fosse mais fácil de visualizar tudo.

Quem quiser dar uma olhada, é só clicar aqui.

 


JediCon São Paulo 2010

21/11/2010

Faz tempo que não apareço por aqui! E acabei vindo para fazer uma nota rápida sobre a JediCon 2010 que aconteceu ontem em São Paulo.

Já fazia uns 3 anos que eu não ia, e ia ficar mais um ano sem ir, mas no final das contas, resolvi dar uma passadinha lá durante a tarde.

E sabe que foi bem legal?

Claro que tinha vários Darth Vaders diferentes, uns muito bons, outros nem tanto. Tinha vários Stormtroopers, Clone Troopers, Jedis, Padawans, etc. Tinha um ou dois Han Solos e eu vi pelo menos uma Princesa Leia. Esses eventos são legais porque a gente vê muita coisa bem feita, e também vê muita coisa trash. Sair de casa fantasiado é pagar mico. Sair de casa com uma fantasia meia-boca é mico elevado ao cubo…hehe… Mas enfim, um amigo meu sempre diz que o que importa é a pessoa estar feliz…:D

No geral, o evento foi bem agradável, tinha muita gente e vários stands, que vendiam desde canetinhas compradas na 25 de março com um logo qualquer de filme ou seriado, até esculturas muito bem feitas de personagens clássicos de Star Wars, Alien, Exterminador do Futuro. Tinha um Yoda de uns 60 cm de altura que estava perfeito.

Um stand que estava bem concorrido era o stand dos autores. Alguns livros estavam sendo lançados lá e tinha uma boa quantidade de autores autografando seus trabalhos, que podiam ser comprados a preços bem mais camaradas que os praticados nas livrarias.

Para mim, o ponto alto foi a apresentação da Banda Marcial de Cubatão. Eles tocaram os temas de Harry Potter e a Pedra Filosofal, O Parque dos Dinossauros, King Kong e Piratas do Caribe. No fundo do palco, um telão exibia cenas dos filmes. Não vou exagerar e dizer que a apresentação foi impecável, porque não foi. Mas eles tocaram o suficiente. O tema de O Parque dos Dinossauros é lindo, e tocado por uma banda, com todos os instrumentos de percussão e sopro ao vivo, fica ainda mais impressionante.

A última apresentação foi o tema de Star Wars, claro, e o público aplaudiu de pé. Esse sim, foi de arrepiar. No final, um dos Darth Vaders presentes (na verdade, o melhor) subiu no palco ao som da Marcha Imperial e passou a reger a banda usando o sabre de luz como batuta. A foto ficou mais ou menos, mas dá pra ter uma ideia da quantidade de pessoas presentes. (Menção especial pra todos os celulares filmando ou fotografando…rs)

No final, eu ainda consegui tirar uma foto com o Vader. A foto ficou um lixo e não saía direito. Depois de três tentativas, resolvi deixar o cara em paz. Não é muito sábio encher o saco de um Lord Sith, né?

 

 


Convite

10/10/2010


Rapidinhas…

13/08/2010

Esse post é só pra tirar a poeira daqui um pouco. Não tenho tido muito tempo para ler ou escrever, então acabo não conseguindo escrever aqui no blog.

Aliás, este que vos fala entra em recesso por uns dias. Férias do trabalho, merecidas e necessárias!

Antes, porém, eu tenho uma recomendação. A Revista Scarium # 26, dedicada a ficção científica, tem um conto muito bonito escrito pelo Hugo Vera. O nome do conto é Um Novo Sol Para Contemplar. O conto é passado num planeta distante, um refúgio para a humanidade que vem sofrendo seguidos ataques de uma raça alienígena. Gostei muito.

Ah, vale lembrar que eu não comentei a coletânea UFO – Contos Não Identificados aqui. Como sou parte interessada em eventuais comentários, achei por bem me abster.

Nos próximos dias, pretendo ler Contos Imediatos, coletânea organizada pelo Roberto de Sousa Causo (recebi uma cópia autografada pelo Tibor Moricz), Anno Dracula (de Kim Newmann) e Projeto Portal 2001, edição mais recente da revista de FC editada por Nelson de Oliveira (essa eu ganhei do Causo).

Mais pra frente, eu comento. Ou não, se me der preguiça…hehe…


Fora do ar

12/07/2010

Incrível o que 3 dias sem conexão fazem com a gente, né? Estou sem internet temporariamente e estou praticamente perdido!!! Falta o que fazer, falta o que ler, falta o que assistir. Falta tudo. Eita vício!!!

Usar a internet em computador dos outros não é nada agradável. A impressão é que estamos violando algum espaço inviolável. Ou que estamos tentando roubar as senhas e xeretar a vida do outro. Sempre tem aquele negócio, né? “Isso é assim mesmo?” “Ah, coloca a senha aqui pra mim.” “Posso abrir esse arquivo?”. Coisas do tipo…

Eu até tentei “emprestar” o sinal de algum vizinho, mas todo mundo tem sinal bloqueado. Pessoalzinho egoísta, viu?

Bom, a passagem aqui pelo blog foi somente para tirar a poeira e avisar que logo volto. Espero, espero mesmo, que alguém esteja sentindo minha ausência por aqui…;)


Sigam-me os bons!

06/07/2010

Ah, é claro que os maus e os que ainda não sabem se são bons ou maus também podem me seguir.

Depois de muito tempo, tanto tempo que nem consegui um endereço com o nome do blog, acabei me rendendo ao Twitter. Não sei ainda como funciona direito, e nem sei se vou ficar postando. Mas lá estou.

Querem me seguir? O caminho é esse.


O mundo ficou mais burro…

19/06/2010

O mundo ficou ainda mais burro e ainda mais cego hoje.

Hoje, na verdade, refere-se a ontem, e o verdadeiro autor da frase é o cineasta Fernando Meirelles comentando o falecimento de José Saramago, escritor português.

Eu li apenas dois livros dele: O Evangelho Segundo Jesus Cristo e Ensaio Sobre A Cegueira. Este último, um dos melhores livros que eu li. Passa muito perto da FC. Memorial do Convento está na lista de futuras leituras.

Gostei muito dos dois livros que li dele. Muito mesmo. É o único ganhador de Prêmio Nobel de língua portuguesa, e, mesmo que ele não seja brasileiro, eu me sinto um pouquinho orgulhoso por isso.


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