Revelation Space

Faz um tempo que eu quero escrever aqui sobre esse ótimo livro escrito pelo galês Alastair Reynolds. Revelation Space (lançado no Reino Unido em 2000)  é um excelente exemplo da chamada New Space Opera, uma evolução das antigas Space Operas, histórias de FC passadas no espaço, com conflitos interplanetários, colonização de outros planetas e muitas vezes presença de alienígenas.

A New Space Opera acrescenta a isso uma grande dose de ciência, tentando extrapolar as pesquisas científicas mais atuais. Essas histórias trazem seres humanos ultradesenvolvidos com implantes mecânicos ou robóticos, armas sofisticadíssimas, aplicações de mecânica quântica, cosmologia, clonagem, etc.

Basicamente, o que aconteceu é que a ciência evoluiu muito nos últimos 50 ou 60 anos. Desse modo, a FC também evoluiu e uma nova onda de escritores, especialmente britânicos, tem se dedicado a mostrar aventuras espaciais mais condizentes com os avanços que a ciência agora parece proporcionar.

Revelation Space começa no século XXVI, um futuro no qual a humanidade já saiu há muito do Sistema Solar e muitos planetas estão colonizados. Num planeta chamado Resurgam, no extremo do alcance da colonização humana, o arqueólogo Dan Silveste está liderando as escavações que estudam uma raça alienígena há muito extinta, os Amarantin. O desaparecimento dessa raça, bem no seu auge, intriga os cientistas de toda a galáxia.

Paralelamente a isso, Silveste está sendo procurado pela tripulação de uma gigantesca nave, a Nostalgia For Infinity, em um planeta chamado Yellowstone. Eles acreditam que ele é o único que tem condições de achar a cura para uma doença que está matando o seu capitão: a melding plague, causada por um vírus que ataca máquinas e tecidos orgânicos, misturando os dois e transformando-os em criaturas irreconhecíveis.

Silveste e a tripulação da Nostalgia acabam se unindo num acordo que vai trazer vantagens para ambas as partes. Ele faz as pesquisas necessárias para salvar o capitão da nave, enquanto a tripulação o ajuda a descobrir o que causou a destruição dos Amarantin. O desenrolar do livro acaba mostrando que há civilizações muito mais antigas e poderosas na galáxia do que se poderia imaginar.

O autor, Alastair Reynolds, é um astrônomo que trabalhou por muitos anos na Agência Espacial Europeia, e seu conhecimento científico aparece a toda hora no livro. Uma das evidências é que as viagens espaciais são mais lentas que a velocidade da luz. Não existem dobras, buracos de verme, hiperespaço e coisas do tipo. As leis da relatividade se aplicam integralmente e décadas se passam enquanto as naves se locomovem de planeta para planeta. É por isso que o arqueólogo Silveste está em um planeta enquanto é procurado pela tripulação da Nostalgia em outro. Simplesmente porque as notícias também demoram décadas para chegar a todos os pontos que a humanidade ocupa.

Toda essa preocupação com a “lógica” científica, ao contrário do que muitos pensariam, não quebra o ritmo da leitura. Reynolds consegue manter o suspense em alto nível durante a maior parte do texto.

Outra qualidade do autor é a qualidade das descrições dos ambientes. A Nostalgia For Infinity é uma nave enorme, que no passado transportava uma tripulação de centenas, e que agora está praticamente abandonada, exceto pelos seus oficiais. Reynolds consegue fazer com que a nave nos pareça até assombrada de tão assustadora. O mesmo ocorre quando Reynolds descreve o sítio de escavação em Resurgam.

A leitura desse livro, apesar de interessante, não é fácil. O ritmo é bom e acelerado, mas o livro é muito grande (quase 600 páginas), o que pode desencorajar alguns. Por outro lado, é um dos melhores livros que li nos últimos anos. É o tipo de livro que nos dá aquela sensação de “uau!” no fim.

Alastair Reynolds tem outros romances dentro deste universo que eu ainda não li. Todos eles podem ser lidos independentemente, sem preocupação com a ordem: Chasm City, Redemption Ark, Absolution Gap e The Prefect.

As Space Operas e sua versão “New” são o meu tipo preferido de FC. Sem dúvida, elas perdem espaço atualmente para histórias de vampiros, terror e até para as fantasias estilo RPG, mas eu ainda sou apaixonado pelo espaço e acho que as melhores histórias de FC estão lá.

2 respostas para Revelation Space

  1. Marcello Branco disse:

    “eu ainda sou apaixonado pelo espaço e acho que as melhores histórias de FC estão lá.”

    Assino embaixo, Daniel. Bela resenha, o livro deve ser muito interessante mesmo.

    • Daniel Borba disse:

      Oi Marcello, o livro é incrível mesmo. Eu já li alguns outros contos do mesmo autor que são muito bons. Tem um, inclusive numa coletânea muito boa chamada “The New Space Opera”. Vale a leitura…;)

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