Imaginários 3

Já faz umas 3 semanas que comentei com o editor Erick Santos Cardoso, da Draco, que eu ia comentar aqui no blog o terceiro volume da Coleção Imaginários. O tempo passou e eu demorei bem mais do que tinha planejado para escrever aqui. Antes tarde do que nunca, certo?

Dessa vez, o próprio Erick foi o responsável pela organização da coletânea, mantendo o mesmo formato das edições anteriores. São 10 contos, num total de 128 páginas. Para minha alegria, a qualidade da coletânea se manteve também. Um conto, em especial, mexeu muito comigo: Corre, João, corre, de Cirilo S. Lemos, que eu comento abaixo.

Antes, no entanto, vamos dar uma passada rapidinha por cada um dos contos:

A Torre das Almas (Eduardo Spohr): um conto muito bacana mostrando uma guerra entre anjos passada no mesmo universo do romance lançado recentemente pelo autor, A Batalha do Apocalipse, que fez bastante sucesso na última Bienal do Livro. A quantidade de anjos que aparecem no conto, cada um com “funções” e poderes específicos é bem legal. Vale muito a leitura e deixa a gente com vontade de saber o desfecho da guerra.

Breve Relato da Ascenção do Papa Alexandre IX (Marcelo Ferlin Assami): um conto muito bem escrito, cheio de alternativas, mas extremamente complicado. Na primeira vez que li, confesso que me perdi bastante. Na segunda, peguei um pouco melhor a ideia. O conto mostra um complô para que um novo papa seja eleito. Achei-o mais interessante pela maneira como o autor escreve e pela ironia apresentada do que pela história propriamente dita.

As Noivas Brancas (Rober Pinheiro): FC muito boa no estilo space opera. Gostei da narrativa em primeira pessoa, mostrando o capitão decadente  de uma nave numa missão de resgate. O ritmo da leitura é muito bom e agradável. É um daqueles contos que nos segura até a última linha.

Bonifrate (Douglas MCT): eu já li vários comentários sobre esse conto. Uns falam que é steampunk, outros que é new weird, outros que é  história alternativa. O que eu realmente vi foram alguns elementos de steampunk e uma bela história de FC misturada com fantasia inspirada em Pinocchio. Eu também notei uma inspiração no conto Paycheck, de Philip K. Dick. Gostoso de ler, faz com que a gente se identifique e torça pelo protagonista.

Dies Irae (Lidia Zuim): uma narrativa cyberpunk “clássica”. Uma hacker é perseguida pelos poderosos por ter jogado na rede vídeos comprometedores envolvendo violência e assassinato de pessoas importantes. O ritmo é bom e lembra um videoclipe. Só achei que termina muito de repente. Mas ainda assim, eu gostei.

Vida e Morte do Último Astro Pornô da Terra (Marcelo Galvão): muito interessante essa história que conta como seria se robôs tivessem sido criados nos anos 1960-70 para substituir humanos em diversas atividades, especialmente para serem atores em filmes pornô. Um ator decadente é chamado para contracenar com um desses robôs. O problema é que o tema do filme é totalmente incorreto e o ator acaba se recusando a filmar, atraindo para si a ira do produtor e do seu companheiro de filmagem. Muito bom.

Corre, João, corre (Cirilo S. Lemos): como eu falei lá em cima, gostei muito desse conto. É, na minha opinião, o melhor do livro. Um pai tenta desesperadamente salvar a vida do filho, literalmente correndo da morte. O título foi extremamente feliz. A história é engraçada em alguns momentos, triste em outros  e tocante como um todo. Li três vezes em seguida, de tanto que gostei. Minha vontade era sair correndo junto com o João e ajudar…

Uma Segunda Opinião (Fernando Santos de Oliveira): uma menina tímida é ridicularizada pelas colegas de escola e parte em busca de vingança. A leitura não é chata, mas é muito previsível. Lá no começo, depois de uma ou duas páginas eu já imaginei como seria o final. E acertei. Podia ser melhor, ou o final podia ter sido mais caprichado.

Maria e a Fada (Ana Cristina Rodrigues): legal essa história. E deve ter dado muito trabalho para a autora. O que eu achei mais legal é que o conto apresenta duas histórias, já que um dos personagens “conta” a história de uma fada casada com um mortal. Eu achei a história muito bonita, tentei escrever mais sobre ela, mas acho que ia estragar algumas surpresas, então desisti. Gostei muito.

O Primmeiro Contacto (Fabio Fernandes): o autor apresenta o conto, dizendo que não foi escrito por ele, mas que o encontrou num sebo no Rio de Janeiro. Supostamente, o conto foi escrito nos anos 1920 por um autor brasileiro desconhecido de FC. Citando o Sr. Spock e o Dr. Sheldon Cooper: fascinante! Na verdade, o conto é uma brincadeira e uma homenagem a várias personalidades importantes do começo do século XX. Santos Dummont, Howard Hughes, Amelia Earhart, Edmond Hamilton, Arthur C. Clarke e outros são os protagonistas desse conto que mostra o que aconteceria se a humanidade tivesse atravessado as estrelas ainda no século XX e se deparado com uma civilização belicosa e inimiga. A grafia utilizada pelo autor é a mesma do início do século XX. Demora um pouco para a gente se acostumar, mas é bem legal de ler.

Mais uma vez, a Editora Draco acertou com Imaginários. O livro é gostoso de ler e a edição é bem caprichada. Eu já disse, e repito, que essa coleção foi uma das melhores coisas que aconteceram na FC brasileira nos últimos tempos. A iniciativa da editora, ainda mais agora que publicou mais autores novos, é muito boa e merece ser prestigiada. Esse é o tipo de livro que você pode dar para qualquer um, mesmo que não seja leitor de FC, e a pessoa certamente vai adorar.

Já estou aguardando ansioso o volume 4, previsto para o final do ano.

3 respostas para Imaginários 3

  1. […] conto que eu achei simplesmente maravilhoso: Corre, João, Corre, de Cirilo S. Lemos, publicado na Imaginários 3. Sem dúvida esse foi o melhor conto que eu li esse ano. Somente esse conto já vale o preço que […]

  2. […] Borba, no blog Além das Estrelas, também gostou do conto, achando “muito interessante essa […]

  3. […] Borba, no blog Além das Estrelas, também gostou do conto, achando “muito interessante essa […]

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