Encontro com Rama: As continuações

Há uns dias eu retomei a leitura de um livro que havia literalmente sido abandonado por mim: Rama Revealed (1993), escrito por Arthur C. Clarke e Gentry Lee.

Este é o quarto livro da série iniciada  por Clarke em 1973 com Rendezvous with Rama (conhecido por aqui como Encontro com Rama).

O primeiro livro da série é um clássico. Uma FC da melhor qualidade, escrito por um dos melhores contadores de história que eu já li. O livro é tão bom que eu não me atrevo a falar muito dele agora porque já faz um bom tempo que li e muitos detalhes já desapareceram da minha memória.

Mas só para dar uma “geral”: Rendezvous with Rama mostra o encontro da humanidade com uma tecnologia totalmente desconhecida. Uma nave cilíndrica de uns 50 km de comprimento e 10 km de raio aparece a uma velocidade assombrosa cruzando o Sistema Solar. A nave recebe o nome de Rama (uma divindade hindu) e uma expedição é enviada da Terra para estudá-la. Acho que é só isso que falo por enquanto desse livro.

Quase vinte anos após o lançamento, Arthur C. Clarke, dessa vez em parceria com Gentry Lee, trouxe a continuação para Rendezvous with Rama na forma de uma trilogia que é praticamente independente do primeiro livro: Rama II, The Garden of Rama e Rama Revealed.

Interesses financeiros a parte, Rendezvous with Rama era um livro que não precisava de continuações. E não precisava mesmo. Especialmente porque fica claro para o leitor que Clarke deixou toda a escrita para Gentry Lee. Clarke era um exímio contador de histórias e só por isso, os livros já perdem bastante.

Antes de prosseguir, devo dizer que é bem possível que spoilers venham a surgir de agora em diante. Vou tentar ao máximo segurar, mas pode ser que escape alguma coisa. Continue por sua própria conta e risco…:D

Curiosamente, o primeiro contato que eu tive com o “Universo Rama” foi lendo Rama II (lançado em 1989). Nesse livro, uma nave nos mesmos moldes da primeira Rama aparece no Sistema Solar e novamente uma equipe de pesquisa é enviada a partir da Terra.

A grande personagem dessa trilogia é Nicole des Jardins, que entra na expedição como oficial médica da Newton, a espaçonave destacada para explorar Rama II. Filha de pai francês e mãe marfinense, ela foi criada na África e passou por vários rituais religiosos, ao mesmo tempo em que viajava constantemente para a Europa e estudava nos melhores centros. No final da adolescência, tornou-se campeã olímpica e conseguiu destaque na área científica como pesquisadora. De quebra, ainda teve uma filha com o herdeiro do trono britânico.

Nicole e parte da tripulação da Newton travam contato com duas raças alienígenas a bordo de Rama II: os avians e os octospiders (mantendo os nomes originais). O contato existe, mas a comunicação é quase nula. O que se entende, trocando em miúdos, é que os avians são uma raça boazinha e os octospiders são uma raça do mal.

Uma série de desavenças entre os tripulantes da Newton faz com que Nicole des Jardins e mais dois tripulantes sejam abadonados em Rama II, que ruma para fora do Sistema Solar. Um desses tripulantes, Richard Wakefield, virá a se tornar marido de Nicole.

Rama II não é um livro ruim. Seu grande pecado é ser a continuação de um livro excelente do qual nem consegue se aproximar. O livro tem várias virtudes. As descrições de Rama II são muito bem feitas, as duas raças alienígenas apresentadas são bem descritas e a maneira como o contato com os humanos é feito convence.

Além disso, a personagem principal é uma verdadeira heroína. O leitor se identifica e divide com ela os medos e tensões da exploração da nave alienígena.

Outro ponto positivo é o ritmo e as reviravoltas na história. O resultado é uma leitura interessante e que prende bem a atenção.

Mas… sim, sempre há um mas….hehe…

O final do livro dá a entender que o mistério de Rama, seu propósito e sua origem vão ser revelados. Como parte do sucesso e do apelo de Rama está em seu mistério, o leitor já tem aquela sensação desagradável de que a trilogia não vai acabar bem.

O livro seguinte é The Garden of Rama, que vai ser comentado no próximo post…:)

9 respostas para Encontro com Rama: As continuações

  1. Tibor Moricz disse:

    Encontro com Rama foi, sem nenhuma dúvida, o melhor livro que li na vida. Superior a Duna e outros. Mas faz tempo que o li e seria bom lê-lo novamente.

    • Daniel Borba disse:

      Oi Tibor, acho que eu ainda prefiro Fundação a Encontro com Rama. E do Clarke eu gostei muito de A Cidade e as Estrelas e O Fim da Infância. Difícil saber qual deles é melhor…

  2. Marcello Branco disse:

    Encontro com Rama é “A” obra-prima da ficção científica hard. Um tour de forçe de de verossimilhança e especulação criativa.

    • Daniel Borba disse:

      Oi Marcello, acho que as implicações todas que esse livro traz são fantásticas. Sem dúvida é um dos melhores livros já escritos, não só dentro da FC. Tenho falado tanto nele que estou com vontade de ler de novo…rs

  3. Eu gosto de Encontro com Rama e acho que não precisa de continuações. Como 2001. Eu sei que 2010 tem seus méritos, mas o principal demérito foi fechar um pouco o leque de possibilidades abertas em 2001, fixando algumas interpretações do que seriam os monolitos negros. Por isso nem me atrevi a chegar perto de Rama II.

    Muito boa a sua resenha.

    • Daniel Borba disse:

      Oi Alvaro, eu gostei de 2010. Já as continuações, 2061 e 3001, achei muito ruins. Eu tenho o problema de querer ir até o fim pra ver o quanto o autor consegue estragar seus trabalhos…rs

  4. […] mais: Encontro com Rama: As continuações « Além das estrelas Esta entrada foi publicada em Sem categoria e marcada com a tag além, continuações, encontro, […]

  5. Roberto de Sousa Causo disse:

    Concordo com o Álvaro. “Encontro com Rama” é sobre os mistérios do universo — explicar mistérios nem sempre é uma boa idéia, especialmente em uma parceria meio desastrada como a de Clarke com Gentry Lee. Clarke é um agnóstico interessado no que o conhecimento do universo traz de numinoso; Lee, um religioso convencional que nem contribuiu muito para o aspecto tecnológico de “Rama II”.

    Clarke passou por uma fase em que precisava encher o caixa do seu instituto no Sri Lanka, o que é um fim perfeitamente aceitável. Mas neste caso me parece que ele vendeu barato demais um clássico da FC.

    O fato é que, desde que ele se voltou mais fortemente para a divulgação científica, sua FC perdeu muito do interesse.

  6. Gostei muito de Encontro com Rama, mas As Canções da Terra Distante me apeteceu mais. rs Curiosamente, não gostei de O Fim da Infância, não sei bem porque.

    E Asimov, é clássico. Imperdível e de escrita impecável.😀

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