Constelações: Corvus

Corvus, o Corvo, é uma constelação muito fácil de ser observada no céu de outono e começo de inverno. Hoje mesmo, chegando em casa por volta das 19:00, estava bem brilhante no alto do céu. Ela ainda vai ficar bem visível no começo da noite por mais algumas semanas.

Na localização das constelações, a princípio tentarei ser bem didático. Vou usar termos que são pouco usuais em astronomia, como à esquerda, à direita, acima, abaixo. Especialmente hoje, que vamos usar o Cruzeiro do Sul como referência, esses termos farão sentido, mesmo que não sejam totalmente precisos. Os mais puristas terão que me perdoar em favor da didática…:D

Para localizar Corvus, vamos usar uma que é bem conhecida de todos: o Cruzeiro do Sul. Antes de prosseguir, quero fazer uma observação sobre o Cruzeiro. Existem alguns outros conjuntos de estrelas (não necessariamente constelações) que podem ser bem parecidas com o Cruzeiro. Para não comprar gato por lebre, aí vão algumas dicas:

  1. o Cruzeiro do Sul forma uma cruz (duhhh… brincadeirinha, essa todo mundo sabe…;))
  2. observando a partir da ponta de baixo da cruz, e fazendo uma volta em sentido horário pelas 4 estrelas que formam a cruz, vemos as estrelas em brilho descrescente
  3. alinhadas com a estrela da ponta de cima (se imaginarmos que estamos vendo a cruz na posição “de pé”, à esquerda da cruz), formando uma linha reta com essa estrela da ponta, veremos duas estrelas bem brilhantes. Não vou falar sobre elas agora, mas são bem fáceis de serem observadas.
  4. só o Cruzeiro do Sul tem aquela quinta estrela “intrometida” quase no centro da cruz.

Bem, dito isto, vamos achar o Corvo:

  1. imagine uma linha reta que liga as duas estrelas do braço maior da cruz (o braço “de pé”),
  2. siga para “cima” (usando a cruz como referência) por uma distância equivalente a mais ou menos 6 vezes o tamanho do braço maior da cruz,
  3. você vai chegar a um trapézio formado por quatro estrelas, como na imagem abaixo.
  4.  Parabéns! Leitores, Corvus. Corvus, leitores. Pronto, estão oficialmente apresentados.

Notem a coloração das estrelas, e comparem com a bela foto abaixo. Vejam como seria essa constelação sem poluição e sem iluminação artificial. As duas imagens estão um pouco “tortas”, uma em relação à outra, mas dá para reconhecer qual estrela é qual.  As duas estrelas azuladas são chamadas Algorab (esq.) e Gienah Ghurab (dir.). A estrela amarela é Kraz, e a alaranjada é Minkar. qualquer dia desses, apareço aqui com uma tabela mostrando tamanho, brilho e distância dessas e outras estrelas em relação ao Sol.

Além de ser muito fácil de ser localizada no céu, essa constelação tem um objeto muito interessante dentro de seus limites: as Galáxias Antenas (NGC 4038 / NGC 4039). Essas duas galáxias estão se unindo em uma “super galáxia”, num processo que deve formar bilhões de estrelas e levar algumas centenas de milhões de anos. Vejam a imagem abaixo, obtida com o Hubble. Originalmente, os dois objetos eram galáxias espirais independentes. Notem as manchas alaranjadas, que indicam os centros das galáxias originais. Há diversas regiões azuladas, nas quais estrelas estão se formando, ainda cercadas por hidrogênio a altas temperaturas, que aparecem com uma coloração rosada na imagem. Esse objeto exótico está a cerca de 62 milhões de anos-luz da nossa galáxia.

Bem, missão cumprida. Espero que tenham curtido…;)

7 respostas para Constelações: Corvus

  1. Lunatico disse:

    Muito obrigado pelas explicações didáticas….e bem legal conseguir localizar uma constelação🙂
    Valeu pelo tempo investido.

  2. Ligia Prado disse:

    Adorei seu blog! Quem sabe agora eu consigo ver alguma coisa além do Cruzeiro do Sul e do Escorpião… Obrigada!

    • Daniel Borba disse:

      Oi Ligia, que bom que gostou. Entao vc consegue localizar o escorpião, legal! É uma das minhas favoritas, mas vou esperar um pouco pra falar dele. Ainda temos outras coisas interessantes remanescentes do céu de outono pra falar…

  3. Quando eu tinha menos experiência na observação, cheguei a confundir Corvus com a parte dianteira de Scorpius, num primeiro momento, anos atrás.
    Mas são tantas para estudar e gravar, que Corvus foi ficando para depois,e nem sabia dos nomes dos objetos principais. Sem falar nesta antropofágica união das duas espirais, do qual também não havia visto ainda.
    Portanto valeu a tua didática e que muitos outros possam assimilar conhecimento !

  4. Fernando disse:

    Bom trabalho!
    Já fiz curso de Observação do Céu, porém faço uma mistureba danada das constelações e ao final, não consigo nem localizar as mais fáceis…
    Acho legal no seu trabalho o acréscimo de informações a respeito de outros corpos, objetos e estruturas pois isso auxilia a fixação da localização deles no espaço. Parabéns.

    • Daniel Borba disse:

      Oi Fernando, eu acho o curso de observação no planetário muito bom. Aprendi quase tudo que sei sobre as constelações lá. E na época que eu fiz o primeiro curso, o parque ficava fechado de noite, quase sem iluminação. Dava pra sair da aula e ver “ao vivo” o que tínhamos aprendido. Muito bom… Bem, espero que continue acompanhando o blog. Abraço.

  5. Elmer Baumgratz disse:

    Excelente explicação!!!

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