Zumbis – Quem disse que eles estão mortos?

Histórias de zumbis são legais. Bem legais! E geralmente eu associo essas histórias a filmes trash. Aliás, zumbi é uma coisa totalmente trash, né? Aquele monte de morto-vivo andando pra lá e pra cá, totalmente perdidos, uns meio mancando, outros se arrastando. Aquele sangue todo… trash é a palavra certa para descrever os zumbis…:D

Zumbis – Quem disse que eles estão mortos? é mais uma iniciativa de Ademir Pascale, escritor e ativista cultural que já deu as caras no meu blog aqui e aqui. A ideia foi muito boa, já que os zumbis de um modo geral são muito mal explorados na literatura, especialmente no Brasil.

O resultado dessa iniciativa é um livro divertido.

Sendo um livro de zumbis, a melhor descrição para ele é…. trash! E acho que todo mundo entende, né? Nesse caso, trash é um elogio… Há, como sempre, contos muito ruins. Quase toda antologia tem desses. Há um ou outro conto muito bom. Os demais são uma leitura gostosa, divertida, e, claro, nojenta!!!

O livro ainda traz um prefácio muito bom escrito por Cesar Silva, co-autor do Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica, e um ensaio, Zumbis e mortos-vivos: elementos para a gênese de um mito literário moderno, por Edgar Indalecio Smaniotto, estudioso de história da ciência e ficção científica.

Meu Inferno Sou Eu (Mario Carneiro Junior): o livro começa bem. O fantasma de uma mulher vê seu próprio corpo se tornar um zumbi e fazer justiça pela sua morte. É bem humorado em algumas situações, e tem um final que foge do clichê.

A Mina (Pedro Moreno): um grupo de mineiros é atacado por zumbis que estavam presos no fundo de uma caverna. Nada de muito criativo.

Balidos (Rubem Cabral): esse conto mostra zumbis bem diferentes do que o esperado. Um homem consegue vender o sítio decadente que herdou do pai. Mas há um pequeno grupo de animais que não está satisfeito com o desenrolar dos fatos. Apesar do final ser um pouco atrapalhado, gostei desse conto. Zumbis bem originais…

Na Estação de Trem (Elenir Alves): mulher tem encontro marcado numa estação de trem com uma amiga que não via há muito tempo. Ao invés da amiga, ela só consegue ver uma mulher misteriosa que parece querer lhe dar um aviso.

Sobre as Águas do Amazonas (Felipe Alandt Simm): um vírus transforma as pessoas em monstros. Para fugir deles, um homem percorre o rio Amazonas de barco, encontra um jovem em apuros e o resgata. Final surpreendente. Gostei bastante deste.

Rito Necromante: Criar Zumbi (Duda Falcão): um grupo de amigos estudiosos das ciências ocultas tenta desvendar os segredos da regeneração do corpo humano. Como era de se esperar numa história de zumbis, os resultados são desastrosos.

Cinema Amador (Mariana Albuquerque): Com uma câmera na mão, garoto resolve investigar a casa mal-assombrada do bairro. Apesar de parecer desabitada, a casa esconde diversas surpresas. Bem escrito e envolvente.

Ivandro (M.D.Amado): o personagem-título tem uma profissão no mínimo estranha. Não falo mais nada para não estragar uma surpresa que acontece no meio da história. Muito bacana!

Cinzas (Alvaro Moreira de Carvalho): um grupo de exterminadores é convocado para acabar com uma “praga” de zumbis que ataca uma cidadezinha. Ideia realmente muito boa, mas que não foi bem conduzida. No entanto, devo mencionar que o tipo de zumbi apresentado no livro é o  mais cruel que eu já vi.

Filhos da Escuridão (Mandy Porto): um grupo de soberviventes faz de tudo para escapar da imensa maioria de mortos-vivos, vivendo uma verdadeira guerra. Ritmo interessante, mas narrativa um pouco confusa.

Inesperados (Francis Piera): o conto tem uma história até bacana, mas está muito mal escrito e precisava de uma revisão enorme. Recado ao autor: não se separa sujeito do predicado com vírgula!

Dia dos Mortos (Alezandre da Costa): as primeiras impressões e sensações de um zumbi “recém-transformado”. Ideia interessante, mas deveria ser melhor trabalhada.

Caindo em Desgraça (Bruno R. R. Santos): um homem rico e poderoso usa todos os seus recursos a fim de recuperar o filho doente, mas o experimento dá errado. História legal.

Inconsciência Ecológica (Frank Bacurau): um grupo de sobreviventes cria um método de fertilização para tentar repovoar o mundo e superar os zumbis. Interessante.

O Carregador de Malsã (Vinícius Carlos Vieira): finalmente alguém se lembrou de incluir o Haiti em sua história sobre zumbis! Conto bacana sobre uma experiência mística e cruel para criar mão-de-obra baratinha.

Quarentena (Alex Mir): conto meio clichê, mas com ritmo envolvente. Presidiário acorda e v6e todas as celas destrancadas e abandonadas. Quando tenta escapar, dá de cara com um mundo totalmente infectado.

A Escolha (Andre Schuck Paim): mais um conto bom e com final surpreendente. Pai encurralado com a filha em casa sem alimentos é obrigado a tomar uma dura decisão.

A Cidade dos Mortos-Vivos (Carlos Eduardo de Lima dos Santos):  cidade nos Estados Unidos é dizimada por causa de um vírus alienígena que transforma as pessoas em zumbis. Conto fraco e cheio de problemas de revisão.

Samanta (Jocir Prandi e Márson Alquati): bacana esse conto que fecha a antologia. Homem tenta proteger a filha transformada em zumbi a todo custo.

No geral, Zumbis é uma leitura legal. É longe de ser brilhante, há problemas de revisão e alguns trechos mal escritos (como em outros livros da All Print que eu já li). Mas como eu disse lá em cima. É zumbi, é trash, é MUITO legal!

(Em tempo: Zumbis – Quem disse que eles estão mortos?, organizado por Ademir Pascale, foi lançado em 2010 pela Editora AllPrint.)

3 respostas para Zumbis – Quem disse que eles estão mortos?

  1. Felipe Alandt Simm disse:

    Olá Daniel, que bom que gostou do meu conto. Como não faz muito tempo que me aventuro pela escrita, ter um retorno positivo é sempre muito motivador.
    Um abraço.

  2. Pedro Moreno disse:

    Obrigado pela opinião sobre meu conto.

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