I, Robot – Eando Binder

Recebi a indicação desse conto através de um email do amigo Eduardo Torres, presidente do CLFC (Clube dos Leitores de Ficção Científica). Muito legal!

Apesar do nome, não tem nada a ver com o livro de Isaac Asimov. Pelo contrário, foi publicado anteriormente, na revista Amazing Stories em janeiro de 1939 pelos irmãos Earl e Otto Binder. (Por isso o nome “Eando” Binder. Sacaram? Só as iniciais: E and O.)

Este é o primeiro de uma série de contos sobre Adam Link, um robô criado com tanta perfeição que conseguia raciocinar e sentir emoções como se fosse humano. Apesar de uma aparência “metálica”, Adam foi construído de maneira muito semelhante a um humano.

Em I, Robot, Adam Link faz um breve relato, em primeira pessoa, de sua criação e  de como foi “educado” pelo criador, o Dr. Link. O tempo todo, Adam demonstra ter adquirido consciência e memória, reagindo com preocupação genuína às situações que enfrenta.

O conto faz, claramente, uma homenagem a Frankenstein, de Mary Shelley. Mas Adam Link não é um monstro. Pelo contrário, é uma criatura boa. Incomodado com o desfecho do livro de Shelley, diz: “Mas é a premissa mais tola de todas: uma criatura voltar-se contra o seu criador, como se não tivesse alma. Esse livro está errado.”

Inspirado em Mary Shelley, o robô dos irmãos Binder certamente inpirou outros autores. Isaac Asimov foi um deles. Ele mesmo declarou que, apesar de seu livro homônimo ser mais famoso, o conto dos irmãos Binder é mais antigo e chamou muito sua atenção, levando-o a escrever Robbie (o primeiro conto de seu livro Eu, Robô) cerca de dois meses depois. Ainda segundo Asimov, o nome I, Robot usado em seu livro foi sugestão do editor e usado contra a sua vontade. Reflexos do trabalho dos irmãos Binder no de Asimov são visíveis. O robô leva sempre em consideração o bem-estar dos humanos. Há também uma preocupação sobre como ou a quem o robô vai servir. O robô interage naturalmente com o seu criador. Todos esses elementos foram usaodos também por Asimov. Em alguns momentos, ao ler este conto, vi influências em outro trabalho clássico do “bom doutor”: O Homem Bicentenário.

I, Robot é simples e tocante. Ficção científica antiga, aparentemente ingênua. Mas só aparentemente. No fundo, fica a mensagem sobre até que ponto aceitamos aquilo que desconhecemos. Mais ainda, até que ponto estamos dispostos a ouvir e entender antes de julgar.

Poucos foram os contos que eu li e ficaram realmente marcados. Os Nove Bilhões de Nomes de Deus (Arthur C. Clarke), Sonhos de Robô (Isaac Asimov), By His Bootstraps (Robert A. Heinlein, não sei como foi traduzido, se é que foi), Unaccompanied Sonatta (Orson Scott Card, sei que foi traduzido na Quark há uns 10 anos, mas não lembro o título) e Os Que Se Afastam de Omelas (Ursula K. LeGuin) são alguns exemplos. Este I, Robot, de Eando Binder, acaba de entrar nessa lista. Um dos melhores contos que já li.

Encontrei disponível para downolad gratuito aqui e aqui. Há outro livro com a assinatura de Eando Binder disponível no site ManyBooks.Net: Shipwreck in the Sky, que pode ser acessado através desse link.

2 respostas para I, Robot – Eando Binder

  1. osmir rocha disse:

    bacana, daniel borba. um amigo me falou sobre esse conto hoje, e encontrei sua matéria sobre ele no google. sucinta e a mais bacana que li.
    em tempo, o conto ‘by his bootstraps’ está no livro ‘ameaça da terra’ com o nome de ‘pelos cordões de suas botas’ (que até hoje me coloca a pensar…
    abraços.

    osmir

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