As Luzes de Alice

As Luzes de Alice, de Miguel Carqueija, e cuja primeira edição foi lançada em 2004 pelo selo Edições Hiperespaço, é a primeira aventura da vidente Alice Chantecler que aparece pela segunda vez em Os Mistérios do Mundo Negro (2011, Edições Hiperespaço), que já comentei por aqui.

O livrinho, assim como sua continuação, foi montado de maneira simples e artesanal, parecendo uma revista pequenininha. Sendo esta uma noveleta que não chega a quarenta páginas, acho que é o formato ideal. Barato, simples, e agradável.

Após ler Os Mistérios do Mundo Negro, história muito bacaninha que mistura ficção científica e horror, entrei em contato com o autor, pedindo um exemplar de As Luzes de Alice que me foi prontamente enviado. O envio, diga-se de passagem, foi bem mais rápido do que o tempo que eu levei para escrever este texto…=/

Bem, agora ao que interessa…

A história é passada numa estação espacial instalada próxima à órbita de Plutão. Apesar de não termos detalhes, a impressão que fica é que o lugar é isolado e com pouquíssimos recursos. Uma série de assassinatos assombra os habitantes do Mundo Negro, chamando a atenção da bela Alice Chantecler, vidente a serviço da Liga Internacional de Clarividência, que se coloca à disposição do administrador da Estação, mostrando que já tem uma ideia de quem (ou o quê) está por trás dos crimes. Usando seus talentos paranormais, ela sabe que o que estão prestes a enfrentar é muito mais do que um simples assassino.

Toda essa ambientação é excelente. Aquele clima de Alien, com os protagonistas trancados num ambiente fechado no meio do espaço pode ser asustador de verdade.

A noveleta é envolvente e aguça a curiosidade do leitor. Mas não chega a dar medo. A minha impressão é de que o autor poderia trabalhar um pouco mais as situações de suspense. Senti uma certa pressa em acabar logo com o problema, quando, na verdade, seria bem interessante termos um desenvolvimento maior, tanto das situações quanto dos próprios protagonistas. Essa situação ocorre inclusive no final da noveleta, onde eu esperava uma luta mais intensa e violenta, mas que terminou em pouquíssimas linhas.

Ao terminar a leitura, senti que havia terminado de ler uma grande sinopse, ou um teaser, de uma história bem maior. Quem gosta de ler histórias de terror não quer que elas acabem. Por mais masoquista que isso pareça, o que o leitor quer é mais momentos de tensão, suspense e violência. Senti claramente que o autor segurou um pouco, possivelmente para não “assustar” demais. Só não sei se isso foi de maneira consciente.

Minha impressão final é a de que As Luzes de Alice é uma excelente introdução para um universo que pode conter histórias muito boas, incluindo aí Os Mistérios do Mundo Negro,  que gostei bastante. Mas como leitura única, a noveleta passa uma sensação de “já acabou?” que pode frustrar o leitor. Minha dica aos leitores é que, se estiverem interessados adquiram as duas noveletas de uma vez. Com certeza vão aproveitar bastante.

Miguel Carqueija é um escritor talentoso e competente. Portanto, ao autor, minha dica é que se aprofunde mais nesse universo que é muito promissor. A mistura de terror com ficção científica é sempre muito legal.

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