Hubble em Três Atos – Considerações Finais

Se você acompanhou o Além das Estrelas nos últimos dias, aprendeu um pouco mais sobre o trabalho de Edwin Hubble, num artigo escrito em três partes pelo Professor Domingos Soares, físico da UFMG. O artigo foi publicado aqui no blog em três partes (parte 1, parte 2, parte 3) e também pode ser lido na íntegra na página do próprio autor.

Abaixo, temos as considerações finais do artigo.

Considerações finais

Hubble possuía qualidades fundamentais para um grande explorador do desconhecido: o respeito pelos dados experimentais e observacionais e a coragem de apresentar resultados inéditos cujas comprovações ainda estavam em andamento. Além disso, Hubble sabia como ninguém apresentar os resultados de sua pesquisa, de forma a despertar o interesse e o envolvimento alheio. A chamda “expansão do universo” representa um caso típico do trabalho de Hubble como “vendedor de ideias”, característica esta, proeminente no desenrolar de toda a sua carreira. Hubble parece nunca ter acreditado na expansão (ver Sandage versus Hubble e A cosmologia de Hubble), mas acabou por ser conhecido como o seu descobridor, o que lhe trouxe enormes facilidades no financiamento de seu trabalho de pesquisa e na construção de novos equipamentos. Destaca-se neste último item, a construção do famoso telescópio de 5 m de abertura do Monte Palomar.

Neste ponto, não posso resistir a um toque pessoal neste pequeno drama hubbleniano.

Como mencionei em COSMOS:05ago11, em fevereiro de 1998, eu e meu ex-aluno de mestrado, Paulo Márcio Vilaça Veiga tivemos uma noite de observação no Observatório Palomar. Observamos das 18 horas às 6 da manhã e obtivemos espectros de galáxias em interação, que haviam sido estudadas por Paulo em sua dissertação. Os espectros obtidos naquela noite foram posteriormente estudados — um sistema — por minha ex-aluna de mestrado Natália Rezende Landin, e — todos os sistemas — por meu ex-aluno David Balparda de Carvalho, também em sua dissertação de mestrado. Foi bastante emocionante para mim e Paulo estar nos mesmos ambientes onde Hubble, Humason e outros gigantes da astronomia extragaláctica estiveram.

Finalizo apresentando uma nota dissonante. O artigo do astrônomo Michael J. Way, intitulado Dismantling Hubble’s Legacy? lança dúvidas sobre a real profundidade científica de Hubble. Reproduzo o resumo do artigo:

Edwin Hubble é famoso por diversas descobertas, conhecidas tanto por astrônomos amadores quanto profissionais, estudantes e pelo público de maneira geral. Examina-se as origens dessas descobertas e demonstra-se que, em cada caso, já havia uma grande quantidade de evidências. Em alguns casos, ou a descoberta já havia sido feita, ou versões concorrentes não haviam sido adotadas devido a complexas razões científicas ou sociais.

Sintomaticamente, este artigo foi apresentado numa conferência promovida pela Sociedade Astronômica do Pacífico (Astronomical Society of the Pacific, ASP) em setembro de 2012, para celebrar o centenário da medição do primeiro espectro de M31 por Vesto Slipher. Este espectro permitiu a determinação da velocidade radial desta galáxia. O espectro de M31 apresenta um desvio espectral para o azul.

(Isso conclui o artigo “Hubble em Três Atos”. Agradeço a colaboração do Professor Soares, cujo trablaho pode ser acompanhado na lista Cosmos.)

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