Portal Fahrenheit

21/04/2011

O Projeto Portal teve seu último volume lançado em fevereiro deste ano.

Este projeto, organizado pelo escritor Nelson de Oliveira, apresentou seis revistas lançadas com um intervalo aproximado de seis meses ao longo dos últimos três anos. Cada revista, publicada em sistema de cooperativa, homenageava em seu título uma obra marcante da FC. Tivemos o Solaris, o Neuromancer, o Stalker, o Fundação, o 2001 e finalmente o Portal Fahrenheit.

Esta última edição é composta por vinte e quatro contos, que misturam ficção científica e fantasia.

Confesso que achei o Portal 2001, anterior a este, melhor. Claro que pode ser uma percepção só minha, mas os contos presentes naquela edição me agradaram bem mais.

Como há diversos autores experientes neste Portal Fahrenheit, mesmo que eu não tenha gostado de tudo, ainda há muita coisa interessante neste.

Na minha opinião, os trabalhos mais interessantes foram:

  • O Bunker Cretáceo, de Ataíde Tartari, que mostra uma descoberta sobre os dinossauros feita por grupo de cientistas brasileiros na Antártida. Uma história de FC sem grandes pretensões, mas incrivelmente agradável de ser lida.
  • Invasores, de Mayrant Gallo. Ao ler esse conto,  tive a sensação de estar vivendo um pós-Guerra dos Mundos. Um homem sai em busca de parentes que foram sequestrados por extra-terrestres após a Terra ter sido invadida. Ao mesmo tempo, ele sabe que também não pode confiar nos humanos que sobreviveram.
  • Tempestade Solar, de Roberto de Sousa Causo. Apesar dessa história não ser brilhante, ela fecha um ciclo, concluindo as aventuras de Shiroma, uma assassina ciborgue. O clima de New Space Opera e as intrigas entre os que estão próximos a Shiroma são empolgantes.
  • Minhas Férias, de Ricardo Delfin, é uma redação de final de férias passadas num mundo recheado de passeios sci-fi. Viagens no tempo, viagens à Lua, clones… Muito criativo esse conto.
  • Os Olhos do Gato, de Luiz Bras. Conto muito interessante sobre “ver o mundo por outros olhos”. É passado num mundo no qual homens e mulheres estão em guerra entre si. Por trás do clima bélico e místico, enxerguei um alerta sobre intolerância. Bras sabe muito bem como conduzir uma história, e usa as palavras com habilidade.
  • A Senhora do Lago, de Georgette Silen, traz a FC ao mundo do Rei Arthur. Uma história de fantasia recheada de elementos tecnológicos.
  • O Banho de Diana, de Bruno Cobbi, é, talvez, o melhor conto da antologia. Uma moça grávida no metrô começa a ter um sonho vívido e real no qual é colocada em meio a uma batalha. Muito bacana.

Bom, essa é apenas uma amostra do que esse Portal Fahrenheit nos apresenta. São os contos que mais me chamaram a atenção.

 Não vou fazer um resumo de todos os contos, porque eu li recentemente uma resenha muito bem feita pelo Alvaro Domingues, do Blog do Pai Nerd, que pode ser lida aqui. Acho que essa resenha já dá conta do recado.

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Portal 2001

06/09/2010

Recebi recentemente para leitura o Portal 2001, uma revista de FC editada por Nelson de Oliveira e com periodicidade semestral. Esse é o quinto volume, e cada uma das revistas (serão 6, ao todo), homenageia uma grande obra: Portal Solaris, Portal Neuromancer, Portal Stalker, Portal Fundação, Portal 2001 e Portal Fahrenheit.

A primeira impressão que tive ao bater os olhos na “revista” é que ela está mais para livro do que para revista. São 150 páginas e “cara”de livro.

Agora, ao começar a ler os contos de Portal 2001, minha primeira impressão foi que a leitura não é fácil. Os contos são trabalhados e bem escritos mas precisam de atenção. Não dá pra ler com pressa ou distração. Mas quem realmente gosta de FC vai se deliciar com a revista. Quem prefere leituras fáceis talvez não curta tanto.

Logo de cara, a revista abre com três contos curtos de Braulio Tavares. Os três são muito bons (A República do Recurso Infinito, Universos Tangenciais e Aquele de Nós), sendo que o segundo me chamou mais a atenção, mostrando uma troca de realidades incrível. Em uma página e meia, 5 realidades apresentadas, como num sonho, de maneira brilhante.

A revista prossegue com Roberto de Sousa Causo, em Arribação Rubra, uma aventura em estilo space opera que mistura espionagem, intrigas, jogo político. Muito bom.

A Paz Forçada, de Mayrant Gallo, mostra um futuro não muito distante em que o Brasil é uma potência importante. A paz mundial é “forçada” porque quem não se enquadra tem um final meio indesejado. O conto começa meio devagar, mas o final é inquietante e eu gostei.

Claudio Parreira aparece na revista com Além do Espelho, conto sobre um homem entregue à bebida, desesperado pela perda da mulher amada, que acaba se perdendo entre “realidades”. Muito bom!

Sentinela, de Delfin, começa falando sobre uma revolta de clones no futuro, tipo Exterminador do Futuro (sim, eu sei, no conto são clones ao invés de máquinas) e termina falando sobre um tema que eu adoro, mas não vou falar aqui para não estragar possíveis surpresas…hehe…

Mustafá Ali Kanso vem com dois contos: Herdeiro dos Ventos e Uma Carta Para Guinevere. Este último é uma carta de despedida escrita por um astronauta. Achei tocante. O primeiro conto é sobre um garoto que tem tudo para dar errado na vida, mas sempre acha um jeito de superar os obstáculos que lhe são impostos. Começa bem mas perde um pouco no final.

Planetas Invisíveis e Rebobinados, de Brontops Baruq, são dois contos muito interessantes. O primeiro apresenta uma solução inusitada para a super-população e a escassez de recursos na Terra. O segundo é um conto muito criativo escrito “em partes”. Ambos valem muito a leitura.

Prometeu Acorrentado Reboot, de Sid Castro, também me agradou. Um conto passado no espaço, num planeta distante que pode abrigar vida. Um biólogo é destacado para investigar o planeta, mas acaba ficando sem condições de retornar à nave. Uma ressalva é que a descrição do planeta é simplesmente impossível fisicamente. Isso estraga um pouco a ideia.

Marcelo Bighetti aparece com Novo Início, um conto que fala sobre viagens no tempo, alteração de realidades e nazismo. Gostei bastante desse. Cogita alguns fatos bem interessantes.

Contato Alpha 9 e Zaratustra são dois contos apresentados por Rodrigo Novaes de Almeida. O primeiro é muito legal. Meio confuso no começo, cheio de fragmentos  de informação, mas vai se ajeitando pro final, quando conseguimos identificar de onde vem esses fragmentos. O segundo é mais viajante, como se fosse um sonho cheio de imagens.

Maria Helena Bandeira vem com 5 contos: Neve e Sanduíches, A Gruta de Vênus, Eblon, Mãos de Borracha e Quem Sabe?. Destes Neve e Sanduíches e Quem Sabe? me agradaram muito. O primeiro mostra um grupo de pessoas fugindo do fim do mundo através de viagens entre diferentes universos, mas com alguns pequenos problemas. O segundo mostra uma realidade diferente da nossa, violenta e dominada por jogos on-line. Muito bons!

Marco Antônio de Araújo Bueno traz Sem Nome, Arquivo Truncado e Seguimento Dezenove. Gostei do primeiro, um relato inquietante que sugere contatos ufológicos ou teorias de conspiração.

Luis Bras vem com Primeiro de Abril – Corpus Christi, um conto delicioso de se ler. Uma viagem totalmente maluca numa cidade que tem vida própria e sofre a revolta de alguns habitantes.

Meu xará Daniel Fresnot apresenta três textos: Exit, A Vida Sexual dos Dinossauros e Convenção. Este último é um relato da convenção mundial de FC de 1994, que aconteceu em Winnipeg. O conto Exit é bacana, contando uma situação inusitada vivida no espaço.

Ricardo Delfin apresenta Destino, Futuro do Pretérito e Gazeta Marciana. Os dois último contos, muito bons. Gazeta Marciana é uma coleção de recortes de jornal com fatos que a princípio são isolados, mas se unem no final. O legal é que, como o nome do jornal indica, é tudo passado em Marte.

Amor-Perfeito de Rogers Silva fecha a revista, mostrando um conto escrito de maneira criativa com uma história de amor sem fronteiras. É interessante.

Bom, o que posso dizer para fechar o post é que gostei muito de ter lido este Portal. A qualidade dos textos é realmente muito boa e mostra que a FC pode sim ser bem escrita.

Agora é aguardar o próximo número da revista/livro.


Release: Glória Sombria

08/05/2013

jonasVejam abaixo o release de Glória Sombria, novo livro de Roberto de Sousa Causo pela Devir, que será lançado amanhã, 9 de maio, na Livraria Martins Fontes da Avenida Paulista.

Tenho acompanhado há algum tempo os preparativos para este lançamento e tudo me parece muito bacana. Causo preparou o terreno com uma série de contos em antologias como Assembleia Estelar (Devir, 2010), Futuro Presente (Record, 2009), Space Opera: Jornadas Inimagináveis em uma Galáxia não muito Distante (Draco, 2012), Sagas Volume 4 (Argonautas, 2013) e criou uma série paralela, cuja personagem principal é uma matadora ciborgue chamada Shiroma, presente nos livros da série Portal, criada por Nelson de Oliveira.

Além disso tudo, para divulgar a obra e tudo que a cerca, a Devir, em parceria com a Aquart Creative (do artista Vagner Vargas), desenvolveu o site GalAxis: Conflito e Intriga no Século 25, que apresenta esse rico universo ao leitor. Vale a pena uma conferida. Continue lendo »


Novo Festival do Minuto: Ciência

30/04/2013

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Assim como aconteceu no ano passado, o FESTIVAL DO MINUTO acaba de anunciar um concurso com o tema “Ciência”. Continue lendo »


Série Shiroma, de Roberto de Sousa Causo

07/12/2012

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Em paralelo à série de aventuras de space opera protagonizadas pelo herói espacial brasileiro, Jonas Peregrino, “As Lições do Matador”, Roberto de Sousa Causo desenvolve a série “Shiroma, Matadora Ciborgue”.

Agora no final de outubro, é divulgado o selo destinado às narrativas da série “Shiroma, Matadora Ciborgue”, em arte original de Vagner Vargas, o mais experiente ilustrador brasileiro de ficção científica.

“Shiroma, Matadora Ciborgue” é fruto do “Projeto Portal”, uma série de seis revistas semestrais de contos de ficção científica editada por Nelson de Oliveira entre 2008 e 2010. A trans-humana Shiroma é uma assassina hesitante, raptada da Terra ainda criança e levada por um casal de mercenários, Tera e Tiago, para ser treinada como matadora de aluguel.

A primeira narrativa, “Rosas Brancas” (em Portal Solaris), trata do seu sequestro e de como sua mãe, Nara Nunes, foi morta. “Concha do Mar” (Portal Neuromancer) conta como ela encontrou uma concha do mar em um mundo alienígena onde fora levada para um teste de sobrevivência, uma concha que simboliza a sua angústia íntima com o sequestro e a morte da mãe, que, na mente de Shiroma, passa a habitar, como voz incorpórea, o interior da concha. “O Novo Protótipo” (Portal Stalker) conta como ela realizou o seu primeiro assassinato, no Bairro da Liberdade, em São Paulo. “Cheiro de Predador” (Portal Fundação) mostra a heroína um pouco mais senhora de si como matadora, ao penetrar, com a ajuda de dois alienígenas, a segurança de um mundo altamente vigiado. Em “Arribação Rubra” (Portal 2001) ela cai em um ponto obscuro de um planeta alienígena, quando o seu veículo é sabotado a caminho de uma nova missão. Finalmente, em “Tempestade Solar” (Portal Fahrenheit), a matadora se defronta com o passado, e prepara violentamente o seu futuro — a ser desenvolvido em outras histórias.

“Tempestade Solar” será republicada em novembro de 2012, na antologia Todos os Portais: Realidades Expandidas (Terracota Editora), organizada por Nelson de Oliveira. A heroína já possui duas outras aventuras completas, aguardando publicação.

A série partilha do mesmo universo ficcional das aventuras de Jonas Peregrino, um herói de space opera militar que estreou com a noveleta “Descida no Maelström”, publicada em 2009 na antologia Futuro Presente, organizada por Nelson de Oliveira para a Editora Record, do Rio de Janeiro. Outras aventuras de Peregrino apareceram nas antologias Assembléia Estelar (Devir), editada por Marcello Simão Branco, e Space Opera: Jornadas Inimagináveis em uma Galáxia Não Muito Distante (Draco), editada por Hugo Vera & Larissa Caruso.

Nesse projeto, os dois personagens principais, Shiroma e Peregrino, irão se encontrar mais adiante, as duas séries se entroncando em uma única narrativa — uma vasta e complexa space opera.


Páginas do Futuro

09/05/2012

Páginas do Futuro é uma antologia de ficção científica organizada por Braulio Tavares, conceituado escritor e compositor paraibano. O livro saiu pela Editora Casa da Palavra, no finalzinho de 2011 e eu, certo de que não haveria um lançamento em São Paulo, corri a comprar o meu pela internet.

Acontece que eu estava errado, e sim, houve um lançamento em São Paulo, ao qual tive a oportunidade de ir, num raro momento de folga do trabalho. O tempo voa, o evento foi há longínquos dois meses, e eu perdi a oportunidade de comentar o bate-papo agradável entre os autores, contando as histórias que os inspiraram a escrever os contos selecionados para o livro.

A figura de Braulio Tavares, por si só, já é um baita incentivo para qualquer um adquirir o livro (ou prestigiar um próximo lançamento). Seu conhecimento sobre literatura, não só na área de ficção científica, é assombroso. E seu jeito de contar as histórias é divertidíssimo.

Bem, depois de ler o livro quase todo na noite do lançamento, e enrolar um bom tempo, me propus a colocar aqui minhas impressões sobre ele.

O livro é uma pequena obra-prima em todos os sentidos. Gostei de tudo: a seleção dos contos (brilhante!), a apresentação e as ilustrações (de Romero Cavalcanti) que são lindas.

Páginas do Futuro começa com uma apresentação de Braulio Tavares, um texto onde se discute as origens da ficção científica, tanto internacional quanto nacional, incluindo comentários sobre os contos selecionados. O mercado editorial e a formação do escritor brasileiro de FC também são abordados no texto, de maneira bem crítica. Todo escritor, ou aspirante a escritor, deveria ler essa apresentação.

O conto que abre o livro é Ma-Hôre, de Rachel de Queiroz. Nessa aventura que começa em um planeta distante e termina numa espaçonave retornando à Terra, vemos o encontro entre duas civilizações em estágios diferentes de evolução. O leitor se identifica facilmente com a criatura menos evoluída. A maneira simples, quase ingênua, com que o conto é narrado esconde um final surpreendente. Um dos melhores do livro.

Em seguida, temos Veja Seu Futuro, de Ataíde Tartari, um conto que já tinha lido num dos livros do projeto Portal, organizado por Nelson de Oliveira. O texto é uma homenagem feita pelo autor à série Além da Imaginação. Assim como no saudoso seriado, vemos pessoas normais em situações inusitadas, brincando com a nossa realidade. Nesse caso, um homem descobre no centro de São Paulo uma máquina capaz de prever o futuro e passa a viver em função dessas predições. Muito legal.

O Fim do Mundo, de Joaquim Manoel de Macedo, é o conto mais antigo do livro. Escrito em 1857, conta a passagem de um cometa que destroi o mundo, ou pelo menos o Rio de Janeiro. Narrado em primeira pessoa, mostra a visão do protagonista quando consegue voltar à sua cidade, depois de ter se escondido na Lua (!) até que a poeira baixasse. Bem humorado, cheio de situações inusitadas, mostra uma visão curiosa da destruição do mundo. Gostei bastante desse.

O conto seguinte é O Inimigo Gaseificado, ou A vingança do Sr. Concreto, de Oswald Beresford, autor que se suicidou em 1924 após ter a tiragem inicial de um de seus romances queimada pelo próprio pai. O conto tem um lado cômico forte, mostrando a disputa entre dois empresários rivais, num futuro indefinido. O destaque cômico é a nova tecnologia, explorada por um dos empresários, com a qual ele ajuda os desgostosos com a vida a cometerem suicídio.

O Quarto Selo, de Ruben Fonseca, é um conto policial, ou de espionagem, não consegui definir bem. Passado no Rio de Janeiro, num futuro não muito distante, mostra um jogo de traições um tanto confuso. Esse conto foi o único com o qual eu realmente não me identifiquei no livro. Ainda assim, o último prágrafo, sarcástico ao extremo, é um desfecho ótimo.

Exercícios de Silêncio, de Finisia Fideli, é o conto que mais gostei. Novamente um choque entre civilizações. Um astronauta com problemas cai num planeta bem atrasado tecnologicamente, mas muito avançado intelectualmente. Ele precisa de todo modo encontrar um meio de consertar sua nave e descobre que seus conhecimentos científicos muitas vezes não servem para nada diante do poder de concentração e meditação dos habitantes daquele planeta. A autora afirma que teve a inspiração para escrever esse conto ao assistir um programa sobre o Tibet. A inspiração está lá, bem presente, e a mistura entre ciência e misticismo, que eu considero extremamente traiçoeira, foi brilhante nesse caso. Um dos contos mais belos que eu li nos últimos tempos.

Uma Breve História da Maquinidade, de Fabio Fernandes, conta uma história alternativa cheia de referências históricas e fictícias. Uma história muito boa. Começando no século XIX, vemos o mundo sendo moldado sob a influência de máquinas e robôs inteligentes. Temos uma espécia de revolta das máquinas, como em Matrix ou O Exterminador do Futuro, mas com uma roupagem steampunk.

O conto seguinte é Vanessa Von Chrysler, de Fausto Fawcett,uma verdadeira viagem. Um rapaz adquire num leilão, uma jovem alemã congelada desde 1940. Ao descongelá-la, eles passam a viver todo tipo de aventuras num Rio de Janeiro com espírito cyberpunk. Ou não. Sei lá. O conto é uma ótima leitura, mas uma bagunça e uma confusão de tirar o fôlego. O autor usa palavras para jogar imagens atrás de imagens na cara do leitor. E o resultado é muito bom.

Do Outro Lado da Janela, de Andre Carneiro, é um conto curtinho, mas poderoso. Um alerta sobre a mesmice que pauta muitas vidas, sobre o que nos prende ou o que nos consome. Também cairia bem num episódio de Além da Imaginação, assim como o conto de Ataíde Tartari.

Déjà-Vu, de Luiz Bras, é um conto que eu já conhecia do livro Contos Imediatos. É uma aventura de guerra, num planeta distante. A luta por um artefato que pode decidir a guerra. O diferencial é que a história é contada de trás para frente. Eu já havia gostado desse conto da primeira vez que o li. Li mais umas três ou quatro vezes, e cada vez gostei mais. Cada leitura revela um novo detalhe. Um dos maiores acertos desse livro.

O Copo de Cristal, de Jerônymo Monteiro, é outra pequena joia. Um copo de cristal quebrado encontrado no meio do mato se revela um portal que mostra imagens de outro mundo ou de outra época. Sua origem é um mistério, e o mundo que ele mostra também. Uma narrativa simples e envolvente. Esse conto está presente no Melhores Contos Brasileiros de Ficção Científica, editado por Roberto de Sousa Causo pela Devir Editora.

15 Minutos, de Ademir Assunção, é outro conto maluco. Usando o Unabomber, o famoso terrorista americano, como referência, o autor brinca com frases soltas e uma narrativa visual cheia de metáforas. A inspiração, segundo o próprio autor, veio com o próprio Unabomber, e como ele queria fazer sua mensagem chegar a todas as pessoas.

Páginas do Futuro é uma antologia muito boa. A qualidade dos contos é excelente, e é um livro que deve servir de exemplo aos novos escritores, tanto pelos temas apresentados quanto pela qualidade com que os autores escrevem.

É um livro de ficção científica e, obviamente, ela está presente em todos os contos. Mas muitas vezes é escondida pelas excelentes narrativas. Você não precisa ser um apaixonado por FC para apreciar esse livro. Veja só, não é uma excelente ideia de presente para promover esse gênero tão surrado e injustiçado?


As Lições do Matador

07/12/2011

Recebi recentemente o texto de divulgação de uma série de Space Opera que a Editora Devir está preparando: As Lições do Matador, de Roberto de Sousa Causo.

O projeto é ambicioso e parece ser bem interessante. Causo é um escritor que usa de maneira muito competente elementos militares em seus trabalhos. A novela O Par (Humanitas, 2008) e seu romance Selva Brasil (Draco, 2010) são bons exemplos.

Aí vai o release:

A editora paulistana Devir Livraria investe em uma série de aventuras de space opera protagonizadas pelo herói espacial brasileiro, Jonas Peregrino, criado por Roberto de Sousa Causo: a série “As Lições do Matador”.

As novelas e romances que vão compor a série de livros aparecerão no selo Pulsar da Devir, hoje com uma dúzia de títulos, e que já trouxe aos leitores do Brasil obras significativas como os multipremiados romances de Orson Scott Card, O Jogo do Exterminador e Orador dos Mortos, além de Tempo Fechado, de Bruce Sterling, e da Trilogia Padrões de Contato e Angela Entre Dois Mundos, ambos de Jorge Luiz Calife.

O primeiro título da série “As Lições do Matador” será Glória Sombria: A Primeira Missão do Matador. Cheio de ação, intriga e humor, Glória Sombria combina ficção científica hard e space opera militar, em uma aventura de tirar o fôlego, na qual Peregrino se defronta pela primeira vez com os enxames de naves-robôs dos “tadais”, alienígenas implacáveis que nunca mostraram a sua verdadeira face e que não dão descanso a nenhuma espécie inteligente na rica região da galáxia conhecida como “A Esfera”.

O Tenente Jonas Peregrino era só mais um oficial júnior da Patrulha Colonial, no distante futuro do século 25. Sua carreira parecia condenada à mediocridade, até que suas capacidades para o planejamento de operações especiais chamam a atenção do Almirante Túlio Ferreira, o comandante máximo da Esquadra Latinoamericana na Esfera, a maior área em conflito que a humanidade encontrou em seu avanço pelos braços espirais da Via Láctea.

Transferido para a Esfera, onde os humanos e membros de diversas raças alienígenas são fustigados por naves-robôs, Peregrino enfrentará não apenas os seus próprios limites, mas as divisões internas dentro das Forças Armadas Integradas, marcadas pela indolência, carreirismo e intriga política.

É assim que se inicia o mais novo épico da ficção científica brasileira.

As aventuras de Jonas Peregrino, porém, já estão em andamento há algum tempo. A história “Descida no Maelström” (uma homenagem a Edgar Allan Poe) apareceu na antologia Futuro Presente (2009), organizada por Nelson de Oliveira; e “Trunfo de Campanha” foi incluída na antologia Assembleia Estelar (2010), organizada por Marcello Simão Branco para o selo Pulsar a Devir. Mais noveletas com o herói deverão aparecer em antologias no futuro próximo, mas Glória Sombria é a primeira aventura de Peregrino, cronologicamente falando.

Os livros d’As Lições do Matador no selo Pulsar contarão com uma imagem de Jonas Peregrino em traje de combate, produzida pelo renomado ilustrador de ficção científica Vagner Vargas, aparecendo em todas as quartas-capas, como uma espécie de distintivo da série. Vargas também vai assinar a capa de Glória Sombria.

O premiado escritor Nelson de Oliveira fez este elogio antecipado ao livro:

Glória Sombria é o ótimo início de uma saga épica protagonizada por Jonas Peregrino, herói de perfil clássico (vale dizer: honrado e incorruptível), seguindo seu destino numa esfera de civilizações em expansão. O conflito com os tadais é intenso, mas não é o único. Outros, de natureza moral, cercam o matador-peregrino, pondo à prova sua inteligência e integridade. Enfim, um herói para tempos sombrios, com o qual os leitores gostarão de se identificar.” — Nelson de Oliveira.

  Veja algumas reações positivas às primeiras aventuras de Jonas Peregrino:

 “Um dos contos de Futuro Presente, o ‘Descida no Maelström’, de Roberto de Sousa Causo, com sua linguagem ora inovadora e difícil, proporciona ao leitor entrar em outra realidade, tão bem criada e tão detalhada, que os euro-russos, os robôs-tadai, os quadrúpedes esbeltos do Povo de Riv, os quase humanóides folsoranos, os encarapaçados mukbukmabaksai, e Peregrino, o protagonista, passam a ser personagens criadas pelo leitor, que acompanha vidrado as cenas de ação e aventura da história. Phlegethon passa a ser o seu quarto, caso o leitor aí esteja.”

—Sinvando Jr. “Realidades Alternativas”, no Rascunho: O Jornal de Literatura do Brasil versão online, 6 de março de 2010.

“Na melhor história do livro, [‘Descida no Maelström’,] Causo narra uma vibrante aventura hard envolvendo uma batalha espacial, numa óbvia homenagem ao texto clássico de Edgar Allan Poe. Astronautas de uma Terra que conquistou o espaço mas continua politicamente dividida, realizam missão de reconhecimento e combate a uma base dos tadais, uma agressiva e mais avançada tecnologicamente civilização extraterrena. A sequência final de salvamento do protagonista por seres alados de um planeta gasoso é puro sense of wonder.”

—Marcello Simão Branco. Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica 2009: Ficção Científica, Fantasia e Horror no Brasil, 24 de setembro de 2010.

“‘Descida no Maelström’, do escritor paulista Roberto Causo, é … um bom conto — entre os melhores do autor e também desta coletânea. Insere-se bem em uma das mais antigas tradições da ficção científica, a da guerra interestelar, mas sem se aprisionar em clichês previsíveis — e sem imitar demais o mestre Edgar Allan Poe, cujo conto homônimo lhe serve de referência. O autor dá ao velho tema um toque brasileiro e humanista e trabalha com especulações sobre física, biologia e tecnologia de maneira coerente e interessante.”

—Antonio Luiz M. C. Costa. CartaCapital Online, 11 de setembro de 2009.

“‘Descida no Maelström’, de Roberto Causo, é um bom conto de FC hard, escrito à maneira clássica, sobre um velho soldado que talvez não tenha lugar num mundo de paz, ou num mundo onde a guerra toma outras direções.”

—Álvaro Domingues. Blog Homem Nerd, 17 de dezembro de 2009.

“Roberto de Sousa Causo apresenta o conto ‘Trunfo de Campanha’. Causo é um dos nomes mais importantes do cenário da FC nacional, e costuma utilizar muito bem o ambiente militar para compor suas histórias, e aqui não é diferente. O conto faz parte de uma série de aventuras com o personagem Jonas Peregrino, numa galáxia cada vez mais povoada e colonizada por humanos. A história não traz qualquer ação militar propriamente dita, mas o envolvimento de militares nas tentativas de políticos em dominarem o ambiente, após o aparente e inexplicável término de uma guerra contra uma raça alienígena. A história trabalha muito bem com a forma pela qual os políticos utilizam figuras públicas, famosas, para atingir seus objetivos.”

—Gilberto Schoereder. No portal Vimana: Portal de Fantasia e Ficção Científica, 11 de maio de 2011.

“‘Trunfo de Campanha”, de Roberto de Sousa Causo, traz de volta o personagem Jonas Peregrino … em meio a uma intriga palaciana pelo controle de parte da galáxia.”

—Dorva Rezende. Plural – Notícias do Dia, 27 e 29 de agosto de 2011.

Mais informações sobre Glória Sombria e As Lições do Matador, a/c Maria Luzia:

marialuzia.devir@gmail.com

 


Anuário 2010

17/08/2011

Foi lançado no último Fantasticon o Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica 2010, sétima edição consecutiva (segunda pela Devir Livraria), organizado pelos jornalistas Marcello Simão Branco e Cesar Silva.

Vale lembrar que o Anuário, apesar de publicado em 2011, trata da literatura fantástica produzida no Brasil durante o ano de 2010, por isso o nome parece (parece!) defasado.

Sem dúvida, o ponto alto desta publicação é a entrevista concedida pelo escritor Nelson de Oliveira, eleito “personalidade do ano”, graças a seu extenso trabalho na divulgação da FC, a organização do Projeto Portal e a publicação da coletânea Paraíso Líquido (sob o pseudônimo de Luiz Bras). São mais de trinta páginas de entrevista, nas quais discute-se literatura, mercado editorial e perspectivas para a ficção científca. Simplesmente obrigatório.

O Anuário traz também um ensaio escrito pelo pesquisador Edgar Indalecio Smaniotto, O Futuro Eugenizado, tratando das influências do pensamento eugênico nos escritores brasileiros de FC durante a primeira metade do século XX.

Além das tradicionais seções informativas e das listas de publicaçãoes, o livro ainda traz diversas resenhas. Vinte, para ser mais preciso. Entre as publicações nacionais, temos: Anjos, Mutantes e Dragões (de Ivanir Calado), Guerra Justa (de Carlos Orsi), Selva Brasil (de Roberto de Sousa Causo) e Paraíso Líquido (de Luiz Bras).

Os autores dão também um grande destaque à expansão da literatura fantástica no Brasil, com um salto no número de publicações em 2010 (cerca de 900 livros foram publicados!). Tomara que, como os autores mencionam na apresentação do livro, estejamos vivendo um período de consolidação editorial dos gêneros fantásticos em nosso país.

Este ano, senti o Anuário mais completo, mais profissional, mostrando um esforço das pessoas envolvidas em melhorar o “produto”. Tenho acompanhado essa publicação há algum tempo já, e não tenho dúvidas de que os autores estão deixando um legado importante para a História da nossa literatura.


2013 – Autores Convidados

22/07/2011

Bom, como já divulguei antes, eu e Alícia Azevedo estamos organizando uma antologia com contos pós-apocalípticos, aproveitando o fim do mundo previsto para 2012. As inscrições estão abertas e vão até setembro. Vamos selecionar alguns contos que serão publicados gratuitamente junto a trabalhos de escritores convidados.

Selecionamos um time muito especial de autores, todos conhecidos e extremamente talentosos. Gostaria de apresentá-los a vocês.

Ademir Pascale, 35 anos, nasceu em São Paulo. É casado com a publicitária Elenir Alves e pai de Hector Alves Pascale. É linguista (português, inglês e literaturas), crítico de cinema e ativista cultural. É autor dos romances O Desejo de Lilith (Draco, 2010) e Encruzilhada (Literata, 2011). Organizou dez antologias e é coautor em cinco coletâneas. Twitter: http://www.twitter.com/ademirpascale. Contato: ademir@cranik.com.

Adriano Siqueira escreve sobre vampiros e terror. Começou em 1996 e, desde então, tem muitos contos distribuidos pela internet. É colecionador e produz curtas, HQs e radionovelas. É proprietário do site http://www.adoravelnoite.com,  destinado aos que apreciam os vampiros. Em 2008, teve a sua primeira participação em livro Amor Vampiro. Em 2009, esteve presente nos livros Draculea: O Livro Secreto dos Vampiros e Metamorfose: A Fúria dos Lobisomens. Em 2010 foi convidado para participar das antologias Tratado Secreto de Magia e Draculea – Parte 2. Em 2011, teve contos em Espectra e Extraneus Volume 2, além de lançar e também seu próprio livro sobre vampiros e terror Adorável Noite pela editora Estronho.

Ana Lúcia Merege é carioca, aquariana e trabalha na Biblioteca Nacional . Adora escrever, viajar, ler sobre Mitologia, Pré-História e Idade Média. Dos muitos rabiscos já produzidos, publicou O Castelo das Águias (Draco, 2011), Os Contos de Fadas (Claridade, 2010), O Caçador (Franco, 2009), O Jogo do Equilíbrio (Fábrica do Livro, 2005), além de contos e artigos. Blog: http://www.estantemagica.blogpot.com

Duda Falcão é escritor e editor. Desde 2009 participou de mais de 20 antologias. É um dos dois editores da Argonautas Editora. Website: http://museudoterror.blogspot.com e http://www.argonautaseditora.com. Contato com o autor: dudawfalcao@gmail.com.

Gerson Lodi-Ribeiro publicou duas noveletas na versão brasileira da Asimov’s: a FC hard Alienígenas Mitológicos e a história alternativa A Ética da Traição que abriu as portas do subgênero no fantástico lusófono. Autor da noveleta de FC premiada A Filha do Predador, das coletâneas Outras Histórias…, O Vampiro de Nova Holanda, Outros Brasis e Taikodom: Crônicas, e dos romances Xochiquetzal: uma Princesa Asteca entre os Incas (história alternativa) e A Guardiã da Memória (FC erótica). Editor das antologias Phantastica Brasiliana, Como Era Gostosa a Minha Alienígena!, Vaporpunk e Dieselpunk.

Roberto de Sousa Causo, formado em Letras pela USP, é autor dos livros de contos A Dança das Sombras (Caminho, 1999), A Sombra dos Homens (Devir, 2004), dos romances A Corrida do Rinoceronte (Devir, 2006) e Anjo de Dor (2009), e do estudo Ficção Científica, Fantasia e Horror no Brasil (Editora UFMG, 2003), que recebeu o Prêmio da Sociedade Brasileira de Arte Fantástica. Seus contos, mais de sessenta, foram publicados em revistas e livros de dez países. Foi um dos três classificados do Prêmio Jerônimo Monteiro (1991), da Isaac Asimov Magazine, e no III Festival Universitário de Literatura, com a novela Terra Verde (2000); foi o ganhador do Projeto Nascente 11 (da USP e do Grupo Abril) em 2001 com O Par: Uma Novela Amazônica, publicada em 2008. Completando um trio de novelas de ficção científica ambientadas na Amazônia, Selva Brasil foi lançado em 2010 pela Editora Draco. Causo escreveu sobre os seus gêneros de interesse para o Jornal da Tarde, Folha de S. Paulo e para a Gazeta Mercantil, para as revistas Extrapolation, Science Fiction Studies, Cult, Ciência Hoje, Palavra e Dragão Brasil. Também organizou as antologias Dinossauria Tropicália (GRD, 1994), Estranhos Contatos (Caioá, 1998), Histórias de Ficção Científica (Ática, 2005), Os Melhores Contos Brasileiros de Ficção Científica (Devir, 2008), Contos Imediatos (Terracota, 2009), Rumo à Fantasia (Devir, 2009), Os Melhores Contos Brasileiros de Ficção Científica: Fronteiras (Devir, 2010) e As Melhores Novelas Brasileiras de Ficção Científica (Devir, 2011). Mantém coluna quinzenal sobre ficção científica e fantasia no Terra Magazine (http://terramagazine.terra.com.br), a revista eletrônica do Portal Terra. O jornal A Tarde disse sobre ele: “Roberto de Sousa Causo é um dos mais atuantes escritores brasileiros de FC, horror e fantasia.” Vive em São Paulo, com esposa e um filho.

Tibor Moricz, filho de húngaros, é um paulistano nascido em 1959. Publicitário e escritor, publicou Síndrome de Cérbero (2007) e Fome (2008). É um dos organizadores dos dois primeiros volumes da coleção Imaginários (Editora Draco) e capitão do bem sucedido blog internacional de entrevistas ficcionais From Bar to Bar. Em 2011 publicou seu terceiro romance: O Peregrino – Em busca das Crianças Perdidas (Editora Draco) e teve o conto O Grande G selecionado para a coletânea Dieselpunk. Premiado em concursos literários, tem contos publicados em revistas virtuais e em papel.

O prefaciador da antologia,  Cesar Silva é publicitário, cartunista e editor. É autor, ao lado de Marcello Simão Branco, do Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica, publicado anualmente desde 2005. Editou um dos mais importantes fanzines da história do gênero no país, o Hiperespaço (1983-1988; 1993-2003). Como contista, fez parte das antologias Dinossauria Tropicália (1994), Outras Copas, Outros Mundos (1998), Vinte Anos no Hiperespaço (2003) e Rumo à Fantasia (2009). Mantém o blog Mensagens do Hiperespaço (mensagensdohiperespaco.blogspot.com).

 


Um dia na vida de um nerd…

30/05/2011

Esse sábado tive um dia bem legal.

Eu resolvi que o dia seria qualificado como um dia “nerd e ecologicamente correto”.

A programação era longa, bem longa. E realmente era bem nerd também. Como eu ia ficar o tempo todo na rua e com acesso fácil ao metrô, o dia tornou-se ecologicamente correto porque resolvi deixar o carro na garagem…:D

Bom, logo cedo, debaixo de uma garoa fina típica de São Paulo, eu fui para o curso de astronomia prática do Observatório Céu Austral, que está sendo ministrado pelo Paulo Varella na Escola Técnica do Parque da Juventude. Duas coisas merecem menção aí.

Primeiro é a escola. O Parque da Juventude fica no terreno que abrigava o presídio do Carandiru em São Paulo. Lugarzinho que tinha tudo para ser horrível, mas que foi revitalizado e transformado num parque super agradável, com uma escola grande e bem equipada. Pelo que ouvi falar, aos sábados, com os cursos extra-curriculares (como esse de astronomia), cerca de 1200 pessoas circulam por lá. Além do curso que estou fazendo, eles tem cursos de informática, fotografia… Fiquei impressionado quando fui lá pela primeira vez.

A segunda coisa é o curso ministrado pelo Paulo. Eu o conheço há uns vinte anos mais ou menos, de cursos de astronomia lá no Planetário do Ibirapuera. O Paulo é, sem dúvida, o cara que mais entende de astronomia que eu conheço. Ele tem uma didática excelente e fala com segurança sobre qualquer assunto relacionado à astronomia. O Observatório Céu Austral, do qual ele é diretor, oferece diversos cursos em astronomia e outras ciências da Terra.

Bom, a aula de astronomia terminou por volta das 13:00, e de lá, eu segui para a Estação Paraiso do metrô, onde há uma exposição sobre ficção científica britânica promovida pela Cultura Inglesa. A exposição vai até 12 de junho e é parte da programação do 15 Cultura Inglesa Festival. Vários paineis apresentam a influência britânica na FC, seja na literatura, cinema, televisão ou quadrinhos. Uma linha do tempo que começa no século XVI com Thomas More e sua Utopia, e vai até os dias de hoje, me chamou bastante a atenção. Excelente o trabalho de pesquisa feito. Vários paineis interessantes sobre autores específicos, como Alan Moore, China Miéville, Arthur C. Clarke, H.G.Wells. Uma pena que eu cheguei lá depois do bate-papo entre o escritor Roberto Causo e Rogério de Campos, diretor da Conrad.

Saindo do metrô Paraiso, fui a pé até a Livraria Martins Fontes, que fica no começo da Avenida Paulista, onde seria o lançamento do livro O Peregrino, do Tibor “John Doe” Moricz. Não entendeu o apelido? Compre o livro e descubra o motivo!

Ah… antes da livraria, fiz uma escala numa casa árabe, Halin. O kibe de verduras deles é maravilhoso!

O lançamento do livro do Tibor foi animado. Logo de cara, encontrei com o Roberto Causo e com o Bruno Cobbi (autor de um excelente conto no Portal Fahrenheit). Eles tinham vindo do metrô Paraíso também, acho que nos desencontramos por pouco. O Silvio “Fantasticon” Alexandre, sempre simpático, também apareceu em seguida e logo formamos uma rodinha para conversar sobre literatura fantástica. Dessa conversa, fiquei com vontade de ler O Caçador de Apóstolos, de Leonel Caldella, fortemente recomendado. Entrou na lista.

O autor e estrela da ocasião apareceu em seguida, ainda que um pouco atrasado, e logo já foi convocado para autografar alguns livros. Em seguida apareceram também o Erick “Draco” Santos, editor responsável pela publicação de O Peregrino,  Adriano Siqueira e sua já lendária máquina, com a qual registra quase todos os eventos de literatura fantástica em São Paulo, além de Larissa Caruso e Hugo Vera, organizadores da coletânea Space Opera, a ser lançada na semana que vem. Rogerio Pontenegro do Arena Fantástica também estava por lá.

Por volta de 16:30, depois de muito bate-papo, peguei minha mochila e saí da Martins Fontes, em direção a outra livraria, a Cultura, no final da Paulista. Cerca de 15 minutos a pé. Parte do caminho eu fiz com o amigo Adriana Siqueira, que me presenteou com um exemplar de seu livro, Adorável Noite. Um livro muito caprichado, e extremamente simpático, diga-se de passagem. Aguardem a resenha.

Lá na Livraria Cultura, eu entrei numa fila para assistir ao bate-papo com o escritor e roteirista britânico Robert Shearman, vencedor do World Fantasy Awards, finalista do Hugo e roteirista de Dr.Who. O cara é extremamente simpático e engraçado, com aquele típico humor britânico. Praticamente todas as frases dele terminavam com uma risada do público presente. A programação atrasou e a posterior venda de livros e sessão de autógrafos ficou para um pouco mais tarde, no hotel onde ele estava hospedado. Já eram 19:00, e o dia seguinte começaria bem cedo para mim, por causa do trabalho. Acabei desistindo de comprar o livro e ficar na fila para o autógrafo, e voltei para casa de ônibus.

Para fechar o meu dia nerd, uma mini-maratona com seis episódios de The Big Bang Theory. Dizem que pode-se medir o seu grau de nerdice de acordo com a quantidade de piadas que você entende nessa série. Devo mencionar que até hoje, não lembro de ter deixado de entender uma piada que fosse…hehe…

Bom, acho que chega, né?

Ah… gostaria de mencionar que a minha insistência em caminhar debaixo de garoa numa temperatura de uns doze graus me rendeu uma bela dor de cabeça e um pouco de febre durante a noite. Ser nerd pode ser prejudicial à saúde…:D