O bom, o mau, o feio

20/06/2010

A última edição da Scientific American Brasil traz uma série de artigos muito interessantes a respeito de mundo sustentável, preservação de recursos e atitudes que são necessárias para garantir um futuro razoável para nós e as próximas gerações.

Na coluna Massa Crítica, o físico Lawrence M. Krauss que dirige o projeto Origins na Universidade do Arizona discute nossa capacidade de delinear a evolução do mundo. Ele tem uma visão bastante otimista da nossa atual situação e até menciona que a humanidade vai ter que se adaptar a algumas novas situações, mas vai superar os problemas de meio-ambiente que tem aparecido. Segundo ele, o nosso planejamento “deve incluir o bom, o mau e o feio.”

O que ele quer dizer com isso? Teremos algumas coisas boas acontecendo. O bom é que áreas ainda ociosas do planeta vão acabar sendo aproveitadas para a produção de alimentos, e isso é bom.

O lado mau está relacionado aos problemas decorrentes da escassez de alimentos e terras. É claro que problemas sociais vão surgir, é possível que a humanidade como um todo fique mais pobre. Esse cenário vai fazer com que tensões internacionais se agravem e populações inteira tenham que migrar para novas regiões.

O lado feio disso tudo é que a Terra está perdendo uma quantidade absurda de espécies animais e vegetais ao mesmo tempo em que as mudanças ambientais vão fazer com que predadores e pestes invadam novas regiões, em busca de alimentos alternativos.

A coluna termina fazendo uma comparação com os hominídeos que viveram há cerca de 100 mil anos no extremos sul da África e que tiveram que migrar para outras regiões devido a mudanças no nível do mar. Eles sobreviveram. Nós também podemos, especialmente porque temos ao nosso alcance um aparato tecnológico e cultural enorme que, se fossem usados racionalmente, moldariam um futuro excelente para a humaniade.

Quando eu penso em futuro para a humanidade, sempre associo ao que foi descrito em Fundação e A Cidade e as Estrelas, dois dos melhores livros de FC de todos os tempos. As sociedades descritas nesses livros tinham um nível tecnológico absurdo. Particularmente, em Fundação, a Terra havia sido destruída por causa de resíduos nucleares, mas antes disso, a humanidade já havia partido rumo às estrelas e conquistado a Galáxia.

Será que chegamos lá?


Minhas Leituras

15/06/2010

Eu criei vergonha na cara e atualizei a página Minhas Leituras que aparece no menu do blog aí em cima. Faz tempo que quero fazer isso, mas sempre vou protelando. E nem foi tão complicado. Foi só copiar e colar os arquivos de texto que eu já tinha.

Bom, tem muita coisa legal e tem muita tranqueira que eu li também. A maioria dos livros que li desde 1994 está lá.

É apenas uma lista, sem resenhas ou comentários (por enquanto), mas fiquem a vontade para comentar. Ah… se você for tão preguiçoso quanto eu, é capaz de nem querer ir lá em cima com o mouse, mas talvez queira ler se eu mandar clicar aqui.


Lançamento: Guerra Justa

06/06/2010

Ontem, na Livraria Martins Fontes da Avenida Paulista, ocorreu o lançamento do livro Guerra Justa, de Carlos Orsi.

Junto com o lançamento e a tarde de autógrafos, a Editora Draco promoveu um bate-papo sobre cyberpunk entre o autor e o escritor Fabio Fernandes. Muito legal o bate-papo. O cyberpunk é um movimento criado durante os anos 1980 e que mostra um futuro muito próximo de nós. O filme Matrix foi inspirado nesse movimento. É mais ou menos aquele tipo de “clima”.

Pena que eu tive que sair antes do fim, mas uma coisa interessante mencionada ontem é que estamos vivendo hoje aquilo que o cyberpunk previa: alta tecnologia acessível em larga escala, um mundo globalizado.

Vejam só: internet, celulares de última geração, câmeras digitais, mensagens instantâneas, redes sociais, email nos celulares, Iphones, Blackberries, clonagem, células-tronco, Projeto Genoma. Estamos vivendo o futuro. Alguém duvida?


Padrões de Contato

04/06/2010

Padrões de Contato é um clássico da FC brasileira. Escrito por Jorge Luiz Calife, é considerado por muitos como o grande romance de FC hard no Brasil. Faz tempo que eu queria escrever sobre esse livro. Eu me interessei por ele no ano passado, quando foi relançado pela Devir, mas só tive oportunidade de ler no começo desse ano.

Achei a trilogia muito boa, muito bem escrita e de ótimo nível. Devo confessar que isso foi meio surpreendente para mim. Nem é pelo autor (que eu não conhecia), nem pelo tema (que eu gosto), mas talvez pela “magnitude” da obra, ou pelo fato de ser FC hard nacional. Não sei. O fato é que eu gostei muito e acho que todo mundo que gosta de FC deveria ler esse livro.

O volume lançado pela Devir contém a trilogia completa: Padrões de Contato (1985), Horizonte de Eventos (1986) e Linha Terminal (1991). A idéia do autor foi realmente grandiosa: cobrir vários séculos da civilização humana, desde os seus primeiros contatos com extraterrestres até que a humanidade se tornasse parte de uma comunidade galáctica ocupando vários planetas e em contato com outras civilizações. A trilogia completa ocupa uns 600 anos da história futura da Terra, começando no ano 2426.

Os três livros tem um ponto de ligação: Angela Duncan, uma mulher que teve sua vida alterada após um encontro misterioso com uma entidade alienígena extremamente avançada. No começo, tem-se a impressão de que Angela é apenas uma personagem dispensável na trama, mas aos poucos acostuma-se com ela até que ela se torna importante e, mais ainda, uma personagem querida. Angela participa de todas as histórias de maneira ativa, viajando entre as estrelas como uma representante da humanidade. Com o desenrolar do livro, ela se torna uma heroína, conhecida por toda a Galáxia como uma escolhida.

No primeiro volume, Padrões de Contato, vemos os primeiros contatos com civilizações alienígenas inteligentes. Tomamos conhecimento da Tríade, uma civilização extremamente avançada que habita o centro da Galáxia e do Batedor, uma nave espacial que chega trazendo más notícias para a humanidade.

No segundo volume, Horizonte de Eventos, uma nave espacial controlada por militares se aproxima de um mundo pacífico que está prestes a enfrentar uma crise sem precedentes. A nave é chamada Brasil, e a história toda é uma grande crítica à ditadura militar que controlava o país até o meio dos anos 1980.

No terceiro volume, Linha Terminal, Angela acaba voltando no tempo para visitar a Terra do século XX em busca de uma raça que habita nossos oceanos e parece ser a última possibilidade de salvação para a Galáxia.

Mas nesse texto eu não quero me aprofundar mais no livro. Quero apenas fazer alguns comentários.

Bom, como eu disse lá em cima, gostei muito do livro como um todo. Posso dizer que a obra é audaciosa. A FC frequentemente trata do futuro. Até mesmo do futuro distante. Mas muitas vezes isso é bem localizado ou pontual, mostrando apenas uma ou duas linhas de ação e eventos isolados. Tratar do futuro da humanidade de forma tão abrangente e tentar prever de maneira verossímil o que temos pela frente é uma tarefa que poucos autores conseguem levar a efeito. Em Fundação, Asimov consegue levar a humanidade a um futuro tão distante do nosso que a Terra se torna uma lenda quase esquecida. A Cidade e as Estrelas de Clarke também nos passa essa impressão. Em Padrões de Contato,  Calife consegue fazer isso muito bem, descrevendo uma evolução para a humanidade. Descrevendo até mesmo um futuro que é aceitável. Totalmente fantástico, como a FC quase sempre é. Mas também totalmente possível.

Durante todo o texto, o autor demonstra um bom conhecimento científico. Nada muito aprofundado a ponto de se tornar chato, mas o suficiente para fazer com que as coisas no livro façam sentido. O autor “convence” quando descreve as naves, os métodos de propulsão e os conceitos científicos envolvidos.

Eu resolvi escrever este post há algumas semanas, depois de ter lido uma entrevista do Calife para o escritor Tibor Moricz no De Bar em Bar, que pode ser lida aqui. Enquanto eu lia a entrevista, fiquei pensando em como eu tinha gostado do livro e em quanto lixo estrangeiro a gente lê por aí.

O fato é que na entrevista que eu li do Calife ele menciona alguns dos problemas para publicação e fala do pouco reconhecimento que teve. E eu fiquei pensando: “Pô, cadê todos os fãs de FC que temos por aí?” “Será que o pessoal não se interessa por livros bons como esse?” “Será preconceito como o que eu tinha?” “Será que realmente tão pouca gente comprou o livro?”. Às vezes eu acho que a gente se preocupa tanto em ampliar o conceito de literatura fantástica que acaba incluindo qualquer coisa nesse gênero e a verdadeira FC fica jogada em segundo plano.

Padrões de Contato é um livro que chega a ser épico, muito bem escrito. É um livro que merece ser comprado, lido e relido.

Por fim, novamente um apelo: Vamos valorizar a FC nacional. Vamos fazer com que as editoras resolvam investir nos autores nacionais!


Eyjafjallajökull

18/04/2010

Insignificantes, isso sim, é o que somos nessa bolinha azul, misto de pedra e água a que chamamos Terra.

Tão insignificantes somos, que a tal bolinha azul é para nós um mundo. Um mundo cheio de mistérios e forças que não conseguimos controlar. E esse mundo não passa de um ponto. Um ponto que fica num sistema solar obscuro, num braço espiral periférico de uma galáxia mediana.

Ah, não faz diferença. Acho mesmo que até somos insignificantes, mas por enquanto somos só nós. Vamos aproveitar então, antes que venhamos a ter certeza que existem outros por aí. Mais fortes, mais inteligentes e (por que não?) menos insignificantes.

(Imagem criada com dados obtidos há quase 1 mês pelo satélite Hyperion da NASA, quando o vulcão na Islândia começava a se manifestar, mas ainda bem antes dele provar para nós que realmente somos insignificantes diante da natureza que nos cerca.)