The Marching Morons

12/04/2013

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The Marching Morons, de C. M. Kornbluth, é uma novela de ficção científica distópica publicada em 1951, passada muitos séculos à nossa frente, no ano 7-B-936. Isso mesmo, numa época tão distante que nem faz referência ao nosso calendário.

O corretor de imóveis John Barlow, que desde 1986 vivia em animação suspensa graças a um acidente esquisito durante um tratamento dentário (um choque elétrico misturado à anestesia) acorda num mundo estranho onde acidentes estúpidos acontecem, as coisas não fazem sentido e as pessoas parecem totalmente sem noção. É exatamente essa a impressão que Barlow (e, por consequência, o leitor) tem ao observar as atitudes da população.

No decorrer da história, é explicado o que faz com que tudo pareça estranho. Devido a um processo no mínimo questionável, no qual as pessoas inteligentes tinham poucos filhos, e as pessoas idiotas tinham muitos filhos, o mundo foi sendo aos poucos dominado apenas por pessoas idiotas. O resultado é uma população de 5 bilhões de pessoas com QI médio de 45, contra uma minoria inteligente de 3 milhões de pessoas que fica escondida no Polo Norte, tentando consertar as barbaridades que acontecem no “mundo dos idiotas”.

Barlow, um corretor que nunca mediu esforços para levar vantagem em suas vendas, surge com uma proposta para acabar com os idiotas, em troca de receber o título de “Ditador do Mundo”.

Recebi a indicação dessa leitura através do site da Amazon (ah, o maravilhoso mundo das ofertas baseadas no perfil das suas últimas aquisições!), e o que mais me interessou foi o fato dessa novela ter entrado no segundo volume do Science Fiction Hall of Fame, como uma das melhores novelas até 1965. Além disso, gosto muito de ficção científica antiga. Acho legal ver como o futuro era visto sessenta, setenta anos atrás.

O autor, C. M. Kornbluth, era considerado uma das maiores promessas da ficção científica, mas sua carreira foi brutalmente interrompida aos 35 anos, quando foi vítima de um ataque cardíaco fulminante.

A leitura é divertida até certo ponto e investe bastante no sarcasmo, especialmente por causa das idiotices que acontecem no futuro, mas há uma série de polêmicas.

A ideia principal já é bem complicada. É errado afirmar que pessoas inteligentes vão ter somente filhos inteligentes, e pessoas idiotas vão ter somente filhos idiotas. É errado afirmar também que pessoas idiotas vão sempre se unir a pessoas idiotas. E mais errado ainda é afirmar que pessoas idiotas sempre vão ter muitos filhos, ao passo que pessoas inteligentes sempre vão ter poucos filhos (o que fica implícito durante a leitura). Essa é só uma das demonstrações de preconceito que aparecem na história. Há ainda um episódio de preconceito racial, no qual o protagonista se recusa a cumprimentar um homem cujo nome parece ter origem africana.

Por fim, o próprio título, que pode ser traduzido como “A Marcha dos Idiotas”, indica um certo preconceito, fazendo referência a uma suposta hipótese de crescimento populacional misturada a uma panfletagem anti-comunista, chamada “The Marching Chinese”. Segundo essa hipótese, se a população da China fosse colocada em uma fila única, e marchasse por um único portão, a “marcha” prosseguiria para sempre neste portão, pois as pessoas teriam tempo de ter filhos, e esses filhos cresceriam e também teriam filhos, e assim por diante, antes que a última pessoa cruzasse o portão.

Essas polêmicas são, na verdade, a grande virtude da história. Kornbluth foi capaz de unir uma série de medos e preconceitos, apresentando uma sociedade diferente da que era comum na ficção científica da época. Não há uma sociedade pacífica, perfeita, nivelada por cima. Ao introduzir um homem sem escrúpulos e cheio de preconceitos apresentando uma “solução” para essa sociedade, o autor ainda conseguiu mostrar que, apesar de absurda, a humanidade no ano 7-B-936 não é tão diferente daquela dos anos 1950, pouco tempo após a Segunda Guerra, quando o mundo parecia muito mais perigoso do que realmente é.

Hoje, passados mais de sessenta anos após a publicação de The Marching Morons, com esse monte de tchu-tchus, tcha-tchas, lek-leks, Felicianos e Malafaias que nos rodeiam, talvez o futuro recheado de idiotices e preconceitos imaginado por C. M. Kornbluth não esteja tão distante daquele para o qual estamos nos dirigindo.


Fragmentos

10/04/2013

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Fragmentos, de Ricardo Guilherme dos Santos, publicação de 2012 pelo selo Vésper da Giz Editorial, é uma coleção de textos do autor que vão desde contos e poemas inéditos até postagens em blogs, reflexões pessoais e um trabalho acadêmico.

O que logo me chamou a atenção, quando recebi minha cópia autografada de Fragmentos foi a bela capa de Walter Tierno e o agradecimento que o autor faz a Kyanja Lee, figura simpaticíssima que conheci na Odisseia de Literatura Fantástica no ano passado em Porto Alegre. São dois pontos positivos, gente competente participando do processo de criação do livro.

O livro é composto por duas partes: “Textos Diversos” e “O Ritmo das Narrativas”, sendo esta última seu trabalho de conclusão de curso para uma pós-graduação em literatura, que não vou comentar aqui, uma vez que se trata mesmo de um trabalho acadêmico. Confesso que não o li por completo, mas apenas o resumo, alguns trechos e a conclusão. Não tem a ver com a qualidade do texto, mas isso é o que eu faço com a maioria dos trabalhos acadêmicos e artigos que leio.

Ai vai um pequeno apanhado sobre o que mais me agradou no livro:

  • o conto A Pequena Xamã, história de uma garotinha convocada para ajudar a salvar os animais, mesclada com um pouco de folclore brasileiro agrada pela simplicidade e pela mensagem final
  • o conto Sedução, uma ficção científica muito interessante sobre imvasão extraterrestre (provavelmente o texto que mais gostei no livro)
  • Sansão, uma espécie de Toy Story do mal. Um terror/policial que chega a causar alguns arrepios
  • os poemas Fragmentos, Vento, Teus Olhos e Ponto Final. São poemas curtos, não sei como comentar, só se reproduzir um deles aqui, mas gostei… vão ter que ler o livro.

Fazendo uma análise geral de Fragmentos, fica evidente que o autor é apaixonado por literatura em todas as suas formas. O conjunto de textos apresentados, assim como o título do livro indica, mostra “fragmentos” de suas ideias e pensamentos. O livro é agradável justamente por deixar transparecer que o autor escreve seus textos com o coração. No geral, o trabalho é de boa qualidade, mostrando uma preocupação do autor com o resultado final de seu trabalho e trazendo, como lemos na apresentação do livro, a harmonia no caos.

Fragmentos é uma obra interessante, de um autor ainda desconhecido do público, mas que me parece ter potencial para trabalhos mais audaciosos.

O livro pode ser adquirido aqui.

Título: Fragmentos
Autor: Ricardo Guilherme dos Santos
Editora: Giz Editorial (Selo Vésper)
Total de páginas: 147
ISBN: 978-85-7855-170-4


Segunda Odisseia de Literatura Fantástica

08/04/2013

73331_549546491732188_236872195_nPorto Alegre é palco da reunião de autores, editores e amantes do gênero

A capital gaúcha será cenário de um encontro de heróis, monstros e personagens extraordinários, na segunda semana de abril, dias 12 e 13. Personalidades ligadas aos gêneros literários de horror, fantasia e ficção científica estarão presentes no Memorial do Rio Grande do Sul (RS) para debates, palestras e sessões de autógrafos.

A 2ª Odisseia de Literatura Fantástica foi idealizada pela editora Argonautas, criação dos gaúchos Duda Falcão e César Alcázar, além de Nikelen Witter, Christian David, e do norte-americano Christopher Kastensmidt. O evento surgiu no ano passado e se consolidou por seu sucesso. Chamar atenção para o mercado editorial da área é um dos principais objetivos, uma vez que Porto Alegre já pode ser considerada cidade polo das artes fantásticas.

Regina Zilberman será responsável pela palestra de abertura, na sexta-feira (12), dia temático da literatura juvenil. A romancista é graduada em letras pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e atua no meio acadêmico lecionando história da literatura. Escolas foram convidadas a participar da apresentação, pois a programação deste dia será voltada para o público infanto-juvenil.

A programação conta com mais de 50 autores, cerca de 20 editoras e muitas sessões de autógrafos confirmadas. Entre os nomes importantes estão: Simone Saueressig, Max Mallmann, Jheremy Raapack, Roberto de Sousa Causo, Giulia Moon, Rosana Rios e Martha Argel. O encontro conta com o apoio do Memorial do RS, da Secretaria da Cultura do RS, da Tytius Camisetas Alternativas, da Revista Fantástica, da Argonautas Editora, da A Bandeira do Elefante e da Arara, e patrocínio da PrintStore e da AGES.

Serviço:

Datas e horários: dias 12 (sexta-feira) e 13 de abril (sábado), das 10h00min às 19h.

Local: Memorial do Rio Grande do Sul (Rua Sete de Setembro, nº 1020 – Praça da Alfândega – Centro Histórico – Porto Alegre – RS).

Apoio: Memorial do RS, Secretaria da Cultura do RS, Tytius Camisetas Alternativas, Revista Fantástica, Argonautas Editora, A Bandeira do Elefante e da Arara

Patrocínio: PrintStore e AGES.

Entrada franca.

Contato para imprensa:
DEBORAH CATTANI


Jarbas

04/04/2013

jarbas

Ano passado, durante a Odisseia de Literatura Fantástica em Porto Alegre, recebi de presente um exemplar de Jarbas, de Andre Bozzetto Jr., romance de terror lançado em 2011 pela Editora Estronho.

Da mesma Odisseia, eu trouxe um outro livro do autor, Na Próxima Lua Cheia, do qual gostei bastante. Mas Jarbas acabou entrando na minha quase infinita fila de leitura, e aí… bom, se não tomar cuidado, acaba sendo sugado para o interior de uma singularidade e desaparece de vez.

Mas que bom que isso não aconteceu! Jarbas é uma leitura excelente, um terror de verdade, que atira aos leitores uma profusão de crueldades e insanidades sem tamanho.

O livro conta a história de Jarbas, um garoto mau por natureza, no interior do Rio Grande do Sul, que tira a “sorte grande” quando consegue ser transformado em lobisomem. No comecinho, a impressão que o leitor tem é que o menino é arteiro ou simplesmente um traquinas que não mede as consequências de seus atos. Essa impressão dura pouco, no entanto, e logo nas primeiras páginas do livro, desobrimos que, se há um adjetivo para descrevê-lo, é simplesmente esse: mau. Muito mau.

A história do lobisomem é dividida em cinco partes, que contam desde o seu surgimento (a “Natividade Licantrópica”) até o ponto em que ele passa a ser odiado não só pelos poucos humanos que têm conhecimento de sua existência, mas também pelos demais lobisomens da região. Em determinados trechos do livro, as histórias são apresentadas como pequenos “contos” que até poderiam ser lidos de maneira independente, sempre apresentando as crueldades do lobisomem Jarbas. Um assassinato aqui, outro ali, cada vez com mais requintes de crueldade. Jarbas é um lobisomem que simplesmente mata por matar. Mata porque gosta e sente prazer.

Sua maldade e sede por sangue não têm limites, até que ele acaba fazendo uma série de inimigos. Tanto humanos que querem vingança pela morte de entes queridos, quanto uma sociedade secreta de lobisomens que vive “muito bem, obrigado”, no centro de Porto Alegre, mas passa a temer a excessiva exposição que os assassinatos em série vêm ganhando. O garoto (mesmo após algumas décadas, ele ainda mantem a forma de um garoto quando é humano) passa a ser perseguido de maneira violenta, e responde com mais violência numa escalada que sai da capital e ganha o interior, arrasando com tudo que aparece pelo caminho. O resultado é uma banho de sangue sem precedentes.

Mas a grande verdade é que Jarbas torna-se uma figura odiada. Inclusive pelo leitor.E essa é uma das grandes virtudes do texto de Bozzetto: fazer com que o leitor, assim como as demais pessoas que o cercam, passe a odiar o lobisomem. Até mesmo os demais lobisomens, verdadeiros assassinos em série, passam a ser exemplos de bom comportamento perto de Jarbas.

Durante toda a narrativa, o estilo de Bozzetto permanece fiel à sua principal característica, que é “contar” a história. Ele abusa da violência, simplesmente porque é assim que quer que o leitor enxergue o protagonista. De maneira geral, é visível que a escrita está mais madura e consistente, mostrando que o autor trabalhou duro para aperfeiçoar seu texto. O resultado pode ser percebido na maneira como o leitor se envolve com o texto, com as descrições, com as personagens.

O livro agrada muito, a leitura flui bem e segura o leitor página após página. Mas como toda (boa) história de lobisomem, haja estômago.

Um detalhe que me agradou e mostra como o autor consegue fisgar seus leitores: estive no centro de Porto Alegre um ano atrás, e, acreditem, o livro me fez querer visitar alguns lugares novamente.

Ah, de dia, claro. Porque após a leitura de Jarbas, a noite de Porto Alegre nunca mais parecerá a mesma.

Leitura mais do que recomendada!

Título: Jarbas
Autor: Andre Bozzetto Jr.
Editora: Estronho
Total de páginas: 244
ISBN: 978-85-64590-04-5


Duplo Fantasia Heroica 3

25/03/2013

duplo-fantasia-feroica_v03Ano passado, a Devir Livraria lançou o terceiro volume voltado à fantasia heroica do selo Asas do Vento.

Assim como os volumes anteriores, este traz mais uma aventura da Bandeira do Elefante e da Arara, brilhante criação de Christopher Kastensmidt com os carismáticos aventureiros Gerard van Oost e Oludara: O Desconveniente Casamento de Oludara e Arani. A segunda aventura, no entanto, é uma novidade. Simone Saueressig substitui Roberto de Sousa Causo e sua Saga de Tajarê, apresentando O Relato do Herege, aventura misturada com terror no Brasil Colônia.

Se você ainda não ouviu falar, a Bandeira do Elefante e da Arara conta as aventuras de um par nada comum de aventureiros: um escravo liberto e um aventureiro holandês que decidem enfrentar sozinhos os mistérios e perigos do interior do Brasil Colônia. Dando continuidade aos eventos apresentados na história anterior (veja aqui), O Desconveniente Casamento de Oludara e Arani, como o título já diz, conta a história do casamento do aventureiro com a índia tupinambá Arani. O problema é que a tribo toda está inexplicavelmente apreensiva com essa história toda de casamento e Arani, mesmo apaixonada, está relutante. O motivo é que tanto Arani quanto os demais membros da sua aldeia estarão condenados se o casamento realmente acontecer. Para vencer essa maldição e realizar o desejo de ter a mulher amada, Oludara terá que enfrentar, ao lado de seu companheiro europeu, criaturas não só perigosas como extremamente ardilosas. Dessa vez, não será só uma luta desesperada contra um monstro da floresta, mas os herois terão que usar a cabeça e se mostrar mais espertos que seus oponentes. A Iara, a Flor-do-Mato e o Curupira são as figuras folclóricas que aparecem dessa vez.

A história é muito boa e cheia de aventura. Gerard e Oludara são figuras bem construídas e carismáticas, e é impossível não torcer por eles. Kastensmidt demonstra uma enorme criatividade nessa aventura. Muitos autores “queimariam” o tema com uma nova luta contra um monstro da floresta, repetindo a fórmula que já funcionou antes. Ao invés disso, o que vemos aqui são os herois tendo que usar a cabeça para vencer a malandragem da Iara e a esperteza do Curupira. Lógico que há um pouco de pancadaria (estamos numa aventura no meio da floresta, afinal!), mas o que vale aqui é a astúcia dos nossos herois. Ponto para o autor, ponto para a Bandeira do Elefante e da Arara.

Mudando totalmente o tom, a segunda noveleta presente neste volume é uma verdadeira história de terror. O Relato do Herege conta a sina de um espanhol, descendente de mouros, desterrado em solo brasileiro no século XVII. Em sua terra de origem, Índigo Ruiz Lopez, acusado de bruxaria, escapou por pouco da fogueira. Seu castigo foi desembarcar num continente selvagem e totalmente estranho, onde a morte seria mais dolorosa e lenta. Em determinado momento, o protagonista lamenta sua sorte, afirmando que teria preferido a morte rápida e menos sofrida na fogueira da Inquisição.

Acompanhando um grupo de jesuítas e índios, Lopez chega a uma Missão controlada por Diego, um capitão cruel e autoritário. Num passeio pela floresta, Lopez e um grupo de índios são surpreendidos por um feiticeiro inimigo e um demônio invocado por ele. No desespero, o herege espanhol se vê forçado a agir de acordo com sua criação e usa seus poderes mágicos para invocar um Caapora, salvando sua vida e de seus colegas, mas ao mesmo tempo revelando sua real identidade. Quando a Missão se vê cercada por inimigos e vítima de um jogo político, o capitão Diego, ciente dos poderes de Lopez, o obriga a invocar o maior deus das terras brasileiras: Tupã. Assim como fez em Contos do Sul,  Simone Saueressig quebra aquela visão monótona e ingênua da mitologia dos nossos índios. O Tupã que ela nos apresenta é cruel, sanguinário, e não concorda com a ideia de “fazer prisioneiros”.

O tom da narrativa é melancólico, apresentado em forma de diário, e faz o leitor se envolver com o sofrimento do protagonista. Ao contrário da floresta animada e alegre apresentada na primeira história do volume, temos uma selva suja, abafada, cheia de doenças e criaturas más, onde o sofrimento está sempre presente. A narrativa cersce em tensão nos momentos de ação, para em seguida voltar à tristeza do protagonista, como se ele sempre estivesse procurando por algo que nunca irá encontrar.

A escolha dessas duas histórias para o terceiro volume de Duplo Fantasia Heroica foi perfeita. São mais dois exemplos da excelente fantasia que se pode criar com mitos brasileiros. Assim como os demais volumes da série, é uma leitura imperdível.

Duplo Fantasia Heroica
Autores: Christopher Kastensmidt e Simone Saueressig
Total de páginas: 123
Editora: Devir Livraria
ISBN: 978-85-7532-526-1


Release: Os Filhos da Mente

21/03/2013

A Devir anunciou o lançamento de Filhos da Mente, último livro da saga de Ender Wiggin. Particularmente, achei esse livro espetacular. Fecha a saga com maestria. É, em muitos aspectos, um livro bem melhor que os antecessores. Talvez não tenha aquele impacto de O Jogo do Exterminador, nem as questões sociais de Orador dos Mortos, mas dá continuidade ao drama que vem se desenrolando em Xenocídio. Leitura mais que obrigatória para os apreciadores de uma boa ficção científica.

Abaixo, o release oficial:

Os Filhos da Mente capa

Título: Os Filhos da Mente
Titulo Original: Children of the Mind
Autor: Orson Scott Card
Tradução: Sylvio Monteiro Deutsch
Capa: Vagner Vargas
Número de páginas: 352
Formato: 14 x 21 cm
Editora: Devir Livraria, Selo Pulsar
ISBN: 978-85-7532-518-6
Preço: R$ 42,50

“Cada volume da Saga de Ender inclui parte da escrita
mais pungente e brilhante da década.”
—Interzone (Inglaterra)

É finalmente lançado no Brasil Os Filhos da Mente, romance que encerra a multipremiada “Saga de Ender”, iniciada com os sucessos internacionais O Jogo do Exterminador (mais de três milhões de exemplares vendidos no mundo) e Orador dos Mortos, dois romances ganhadores dos principais prêmios da ficção científica: o Hugo e o Nebula.

O ano de 2013 marcará o lançamento da aguardada adaptação cinematográfica de O Jogo do Exterminador, um filme de Gavin Hood (diretor de X-Origens: Wolverine e O Suspeito), com produção de Summit Entertainment, K/O Products e Odd Lot Entertainment, distribuição da Lionsgate e estreia prevista para dezembro. (Veja mais em http://www.imdb.com/title/tt1731141)

Os Filhos da Mente traz o planeta Lusitânia, colonizado por brasileiros, onde o herói da saga, Andrew “Ender” Wiggin, forjou uma situação em que humanos, pequeninos e a Rainha da Colmeia podem viver juntos.

Nesse planeta, as três espécies inteligentes, tão diferentes entre si, podem finalmente encontrar um terreno em comum. Mas Lusitânia também sustenta o descolada, vírus que mata todos os humanos infectados por ele, mas que os pequeninos necessitam para a sua reprodução. O Congresso das Vias Estelares teme seus efeitos como arma de destruição em massa, se o vírus se espalhar pelos Cem Mundos a partir de Lusitânia. Por isso, envia uma esquadra de naves equipadas com “o Doutorzinho”, uma arma de destruição planetária. A Esquadra está a caminho, e o segundo xenocídio (o genocídio de uma espécie alienígena) parece inevitável.

Jane, a inteligência artificial que é a aliada mais poderosa de Ender, também está na mira do Congresso, depois de ser descoberta pelas autoridades vivendo nas redes de computadores que unem os Cem Mundos. Apenas Jane pode salvar o planeta. Ela descobriu como transportar naves para Fora do Universo e instantaneamente retorná-las em um local diferente, superando o limite da velocidade da luz.

Enquanto isso, dois seres criados inadvertidamente por Ender — réplicas dos seus irmãos Peter e Valentine — correm contra o tempo para descobrir um meio de deter a Esquadra e salvar Jane.

Em Os Filhos da Mente, Orson Scott Card alia sua poderosa imaginação, perfeita técnica narrativa e domínio do enredo, com um raro conhecimento da condição humana. Uma ficção científica de ideias e de emoções, que prova que a especulação filosófica e científica pode ser tão instigante quanto a ação física.

Esta edição de Os Filhos da Mente conta com arte de capa de Vagner Vargas (http://www.vagnervargas.com.br), o mais experiente ilustrador brasileiro de ficção científica.

Os Filhos da Mente é um dos principais lançamentos da Devir em 2013, dentro do selo Pulsar, com mais de 15 títulos da mais significativa ficção científica nacional e internacional.

Sobre o autor:

Orson Scott Card é um premiado e popular autor de ficção científica e fantasia, cuja carreira começou em fins da década de 1970 — estréia coroada com o Prêmio John W. Campbell Jr. de Melhor Autor Novo em 1979. Seus livros da Saga de Ender alcançaram enorme popularidade internacional, e O Jogo do Exterminador motivou — além dos Prêmios Hugo e Nebula — um Prêmio Edwards, da Associação Americana de Bibliotecas, por sua contribuição à literatura para jovens nos Estados Unidos. Sobre Card, Isaac Asimov escreveu: “Não vi ninguém que alcançasse a popularidade de Orson Scott Card, seja com leitores ou críticos, desde Robert Heinlein em seu auge, quarenta anos atrás.” Card, que já viveu no Brasil, mora atualmente na cidade de Greensboro, Carolina do Norte. Dele a Devir já publicou no selo Pulsar O Jogo do Exterminador e Orador dos Mortos.

Elogios a Os Filhos da Mente:

“Este é um final digno do que poderia ser chamado de uma saga da evolução ética da humanidade, um conceito raramente tentado antes e nunca realizado com o sucesso que Card alcança.”
—Booklist

“[Os Filhos da Mente] é filosófico a respeito do propósito e do sentido da vida inteligente, da interconexão de todas as coisas, e do poder do amor.”
—Publishers Weekly

Elogios a O Jogo do Exterminador e Orador dos Mortos:

“O Jogo do Exterminador é um romance comovente e cheio de surpresas que parecem inevitáveis depois que são explicadas.”
—The New York Times Book Review

“Card compreende a condição humana e tem coisas de real valor a dizer a respeito dela. Ele conta a verdade bem — no fim das contas, o único critério de grandeza. O Jogo do Exterminador ainda estará descobrindo novos leitores quando noventa e nove por cento dos livros publicados neste ano estiverem completamente esquecidos.”
—Gene Wolfe

“Uma história brilhante, contada de uma maneira tão ágil que não conseguimos parar para pensar… Card é importante porque o que ele diz é importante… E Card é importante por causa da habilidade de sua escrita, que parece ser clara e aberta, mas que é deliberadamente concebida para sacudir nossas mentes e o faz espantosamente bem.”
—John Clute, The Illustrated Encyclopedia of Science Fiction

“Menos impetuoso que O Jogo do Exterminador, Orador dos Mortos pode ser um livro muito melhor. Não perca!”
—Analog: Science Fiction and Fact

“O trabalho mais poderoso que Card produziu, Orador não apenas completa O Jogo do Exterminador, ele o transcende… Altamente recomendado para leitores interessados nas complexidades e ambiguidades culturais que os melhores romances de ficção científica exploram.”
—Fantasy Review

“[Orador dos Mortos] se beneficia de uma crescente unidade dramática e de um pano de fundo bem desenvolvido.”
—Booklist

Devir Livraria: “Líder em ficção científica, fantasia e horror”
Rua Teodureto Souto, 624 – Cambuci – São Paulo-SP, CEP 01539-000
Fone: (11) 2127-8787
Mais informações: luzia@devir.com.br
Visite o nosso site: http://www.devir.com.br


Contos do Sul

06/03/2013

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Li no começo deste ano este livrinho, ao mesmo tempo charmoso e aterrorizante, da escritora gaúcha Simone Saueressig.

A quarta capa diz que “é uma coletânea de contos fantásticos de fundo folclórico… A Iara, o Lobisomem, a Mula Sem Cabeça, o Diabo e o Saci se reúnem nestas páginas para oferecer aos leitores cinco histórias fantásticas repletas de Brasil.”

O livro faz alusão à obra do escritor gaúcho Simões Lopes Neto (1865-1916), em especial Contos Gauchescos (1912) e Lendas do Sul (1913).

Com exceção do Diabo, todas as figuras folclóricas representadas neste volume são tipicamente brasileiras, e a escritora faz um trabalho excelente em representá-las da maneira mais assustadora possível. Esqueçam o lado romântico de cada uma das lendas. Em Contos do Sul, elas aparecem assutadoras e mortais. Os finais não são felizes e podem gerar pesadelos aos mais desavisados.

O livro é curtinho e pode ser lido numa única sentada. Não vou comentar todos os cinco contos, pelo simples motivo de que curti muito ir descobrindo, a cada virar de páginas, pistas que me fariam entender qual era o folclore envolvido. Em alguns deles, só vamos saber no final do conto qual é o monstro da vez. Acho que é justo manter a surpresa para os futuros leitores.

A exceção é o conto O Saci, que não faz mistério nenhum quanto ao tema e é, na minha modesta opinião, o melhor de todos. De todos os pequenos detalhes que fazem deste conto uma obra-prima, o que mais me chamou a atenção foi a menção do Saci preso numa garrafa. Coisa que eu não via desde criança, quando assistia o Sítio do Pica-Pau AmareloO Saci começa com um circo chegando a uma pequena cidade do interior, atraindo a atenção de todas as crianças das redondezas. Um menino, apaixonado pela equilibrista do circo, decide que, para ganhar um beijo, vale mexer com o pequeno monstro que o avô tem guardado no fundo de um galpão. Sem dúvida, esse foi o Saci mais assustador que eu já vi.

Contos do Sul é um livro exemplar. Simples, gostoso de ler, e muito, mas MUITO bem escrito. Simone Saueressig dá um verdadeiro espetáculo ao provar que, em matéria de histórias de terror, nossa cultura não perde para ninguém. Na dedicatória que ela escreveu em meu exemplar, lemos: “espero que te faça bater forte o coração”. Na época, não acreditei que isso pudesse acontecer. Hoje me vejo forçado a rever minha posição.

O livro pode ser adquirido no site da autora, o Porteira da Fantasia.

Título: Contos do Sul
Autora: Simone Saueressig
Total de páginas: 96
ISBN: 978-85-913198-0-0