Hiperespaço: 30 Anos!

23/04/2013

Convite enviado pelo Cesar Silva, criador do fanzine Hiperespaço, co-editor do Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica e grande divulgador da literatura fantástica no Brasil.

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Venha comemorar conosco os 30 anos de lançamento do primeiro número do fanzine Hiperespaço, que publicou 53 edições entre 1983 e 2004.
A comemoração acontece no próximo sábado, dia 27 de abril, das 10 às 17 horas, durante a Fanzinada na Gibiteca Eugênio Colonnese, em São Bernardo do Campo, evento itinerante dedicado às edições alternativas, que marcará seus dois anos de atividades. Também haverá exposições, oficinas, lançamentos de fanzines e outras publicações, exibição de documentários sobre a atividade fanzineira no País e a apresentação da banda Poemas de Maio.
A Gibiteca Eugênio Colonnese fica na Rua Tasman, 301 (dentro da Cidade da Criança) e a entrada é franca.

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Duncan Garibaldi e a Ordem dos Bandeirantes

12/04/2013

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O blog Além das Estrelas entrou no booktour de Duncan Garibaldi e a Ordem dos Bandeirantes, romance de estreia de A. Z. Cordenonsi, publicado em 2012 pela Editora Underworld.

Não posso dizer que fiquei surpreso com a qualidade do livro, porque já esperava coisa boa. O autor teve um dos melhores contos na antologia 2013: Ano Um, que publiquei ano passado junto com a Alícia Azevedo. O que eu posso dizer é que as aventuras de Duncan Garibaldi são simplesmente deliciosas. O livro é muito, mas muito bom mesmo!

Fiquei muito satisfeito com a leitura e feliz por ver mais um talento aparecendo na nossa literatura fantástica.

O livro conta as aventuras de dois amigos, Duncan e Joaquim, que acabam se envolvendo na busca por um artefato antigo e misterioso, que pode muda mudar os destinos do mundo. A leitura é divertida e empolgante, e a história, passada no interior do Rio Grande do Sul, tem um clima de livro antigo, do tipo que a gente lia na escola. Guardadas as devidas proporções, me fez lembrar dos livros de Monteiro Lobato que eu lia quando era criança.

Entre outras, o autor revela uma paixão por tecnologias antigas, em especial uma paixão em comum com um famoso físico, personagem de The Big Bang Theory: trens! Boa parte da ação é passada num pátio abandonado cheio de antigas locomotivas.

Enfim, uma leitura imperdível. Recomendo muito.

Gostei tanto do livro que decidi colocar uma resenha mais completa na próxima edição do Somnium, a revista virtual do CLFC. Divulgarei o link assim que estiver no ar.

Título: Duncan Garibaldi e a Ordem dos Bandeirantes
Autor: A. Z. Cordenonsi
Editora: Underworld
Total de páginas: 236
ISBN: 978-85-64025-36-6


The Marching Morons

12/04/2013

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The Marching Morons, de C. M. Kornbluth, é uma novela de ficção científica distópica publicada em 1951, passada muitos séculos à nossa frente, no ano 7-B-936. Isso mesmo, numa época tão distante que nem faz referência ao nosso calendário.

O corretor de imóveis John Barlow, que desde 1986 vivia em animação suspensa graças a um acidente esquisito durante um tratamento dentário (um choque elétrico misturado à anestesia) acorda num mundo estranho onde acidentes estúpidos acontecem, as coisas não fazem sentido e as pessoas parecem totalmente sem noção. É exatamente essa a impressão que Barlow (e, por consequência, o leitor) tem ao observar as atitudes da população.

No decorrer da história, é explicado o que faz com que tudo pareça estranho. Devido a um processo no mínimo questionável, no qual as pessoas inteligentes tinham poucos filhos, e as pessoas idiotas tinham muitos filhos, o mundo foi sendo aos poucos dominado apenas por pessoas idiotas. O resultado é uma população de 5 bilhões de pessoas com QI médio de 45, contra uma minoria inteligente de 3 milhões de pessoas que fica escondida no Polo Norte, tentando consertar as barbaridades que acontecem no “mundo dos idiotas”.

Barlow, um corretor que nunca mediu esforços para levar vantagem em suas vendas, surge com uma proposta para acabar com os idiotas, em troca de receber o título de “Ditador do Mundo”.

Recebi a indicação dessa leitura através do site da Amazon (ah, o maravilhoso mundo das ofertas baseadas no perfil das suas últimas aquisições!), e o que mais me interessou foi o fato dessa novela ter entrado no segundo volume do Science Fiction Hall of Fame, como uma das melhores novelas até 1965. Além disso, gosto muito de ficção científica antiga. Acho legal ver como o futuro era visto sessenta, setenta anos atrás.

O autor, C. M. Kornbluth, era considerado uma das maiores promessas da ficção científica, mas sua carreira foi brutalmente interrompida aos 35 anos, quando foi vítima de um ataque cardíaco fulminante.

A leitura é divertida até certo ponto e investe bastante no sarcasmo, especialmente por causa das idiotices que acontecem no futuro, mas há uma série de polêmicas.

A ideia principal já é bem complicada. É errado afirmar que pessoas inteligentes vão ter somente filhos inteligentes, e pessoas idiotas vão ter somente filhos idiotas. É errado afirmar também que pessoas idiotas vão sempre se unir a pessoas idiotas. E mais errado ainda é afirmar que pessoas idiotas sempre vão ter muitos filhos, ao passo que pessoas inteligentes sempre vão ter poucos filhos (o que fica implícito durante a leitura). Essa é só uma das demonstrações de preconceito que aparecem na história. Há ainda um episódio de preconceito racial, no qual o protagonista se recusa a cumprimentar um homem cujo nome parece ter origem africana.

Por fim, o próprio título, que pode ser traduzido como “A Marcha dos Idiotas”, indica um certo preconceito, fazendo referência a uma suposta hipótese de crescimento populacional misturada a uma panfletagem anti-comunista, chamada “The Marching Chinese”. Segundo essa hipótese, se a população da China fosse colocada em uma fila única, e marchasse por um único portão, a “marcha” prosseguiria para sempre neste portão, pois as pessoas teriam tempo de ter filhos, e esses filhos cresceriam e também teriam filhos, e assim por diante, antes que a última pessoa cruzasse o portão.

Essas polêmicas são, na verdade, a grande virtude da história. Kornbluth foi capaz de unir uma série de medos e preconceitos, apresentando uma sociedade diferente da que era comum na ficção científica da época. Não há uma sociedade pacífica, perfeita, nivelada por cima. Ao introduzir um homem sem escrúpulos e cheio de preconceitos apresentando uma “solução” para essa sociedade, o autor ainda conseguiu mostrar que, apesar de absurda, a humanidade no ano 7-B-936 não é tão diferente daquela dos anos 1950, pouco tempo após a Segunda Guerra, quando o mundo parecia muito mais perigoso do que realmente é.

Hoje, passados mais de sessenta anos após a publicação de The Marching Morons, com esse monte de tchu-tchus, tcha-tchas, lek-leks, Felicianos e Malafaias que nos rodeiam, talvez o futuro recheado de idiotices e preconceitos imaginado por C. M. Kornbluth não esteja tão distante daquele para o qual estamos nos dirigindo.


Fragmentos

10/04/2013

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Fragmentos, de Ricardo Guilherme dos Santos, publicação de 2012 pelo selo Vésper da Giz Editorial, é uma coleção de textos do autor que vão desde contos e poemas inéditos até postagens em blogs, reflexões pessoais e um trabalho acadêmico.

O que logo me chamou a atenção, quando recebi minha cópia autografada de Fragmentos foi a bela capa de Walter Tierno e o agradecimento que o autor faz a Kyanja Lee, figura simpaticíssima que conheci na Odisseia de Literatura Fantástica no ano passado em Porto Alegre. São dois pontos positivos, gente competente participando do processo de criação do livro.

O livro é composto por duas partes: “Textos Diversos” e “O Ritmo das Narrativas”, sendo esta última seu trabalho de conclusão de curso para uma pós-graduação em literatura, que não vou comentar aqui, uma vez que se trata mesmo de um trabalho acadêmico. Confesso que não o li por completo, mas apenas o resumo, alguns trechos e a conclusão. Não tem a ver com a qualidade do texto, mas isso é o que eu faço com a maioria dos trabalhos acadêmicos e artigos que leio.

Ai vai um pequeno apanhado sobre o que mais me agradou no livro:

  • o conto A Pequena Xamã, história de uma garotinha convocada para ajudar a salvar os animais, mesclada com um pouco de folclore brasileiro agrada pela simplicidade e pela mensagem final
  • o conto Sedução, uma ficção científica muito interessante sobre imvasão extraterrestre (provavelmente o texto que mais gostei no livro)
  • Sansão, uma espécie de Toy Story do mal. Um terror/policial que chega a causar alguns arrepios
  • os poemas Fragmentos, Vento, Teus Olhos e Ponto Final. São poemas curtos, não sei como comentar, só se reproduzir um deles aqui, mas gostei… vão ter que ler o livro.

Fazendo uma análise geral de Fragmentos, fica evidente que o autor é apaixonado por literatura em todas as suas formas. O conjunto de textos apresentados, assim como o título do livro indica, mostra “fragmentos” de suas ideias e pensamentos. O livro é agradável justamente por deixar transparecer que o autor escreve seus textos com o coração. No geral, o trabalho é de boa qualidade, mostrando uma preocupação do autor com o resultado final de seu trabalho e trazendo, como lemos na apresentação do livro, a harmonia no caos.

Fragmentos é uma obra interessante, de um autor ainda desconhecido do público, mas que me parece ter potencial para trabalhos mais audaciosos.

O livro pode ser adquirido aqui.

Título: Fragmentos
Autor: Ricardo Guilherme dos Santos
Editora: Giz Editorial (Selo Vésper)
Total de páginas: 147
ISBN: 978-85-7855-170-4


O Grande Caçador e seus cães

08/04/2013

Hoje vou falar um pouco sobre algumas das constelações mais facilmente observadas no céu. São três constelações típicas na verdade dos céus do nosso verão, mas ainda estão visíveis neste comecinho de outono: Orion, Canis Major (pronuncia-se “máior”) e Canis Minor.

Quando digo que estas constelações são típicas do verão, é porque durante esta estação do ano elas estão bem altas no céu. Orion, na verdade, é a constelação-símbolo do verão. Não lembro se já comentei aqui, mas as constelações-símbolo são: Leo (Leão, no outono), Scorpius (Escorpião, no inverno), Pegasus (o Cavalo Alado, na primavera) e Orion (o Grande Caçador, no verão).

Bem, mas voltando a falar sobre o que podemos encontrar no céu no começo da noite pelos próximos dias, a grande vantagem das três constelações que quero mostrar hoje é que suas estrelas principais são bastante brilhantes e, por isso, se destacam bastante no céu.

Primeiramente, vejam a imagem abaixo, uma simulação do céu criada com o software Stellarium. Isso é o que vamos ver se olharmos na direção do Oeste, onde o Sol se pôs. Contando com a absurda poluição luminosa que temos em nossas cidades, eu incluí poucas estrelas no céu, de modo que a imagem represente mais ou menos o que ainda é visível a olho nu no centro de uma cidade grande. A base da imagem está bem pertinho do horizonte, enquanto que o topo da imagem está um pouco abaixo do zênite, o ponto mais alto do céu. (Em todas as imagens, clique para ampliar.)

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Logo de cara na imagem, observamos dois pontos bem brilhantes, um bem lá embaixo, e outro bem lá em cima, certo? O ponto lá embaixo é o planeta Júpiter. Logo, ele será ofuscado pelo brilho do Sol, de modo que estamos nas últimas semanas para observá-lo. Depois, vamos ter que esperar alguns meses se quisermos ver o planeta gigante novamente. O ponto brilhante que está lá no alto da imagem é a estrela Sirius. Essa estrela não tem como ser confundida com nenhuma outra. É a estrela mais brilhante do céu noturno, sempre vai ser a que mais se destaca.

Nessa imagem, entre Júpiter e Sirius, há uma figura que se destaca claramente, também formada por estrelas brilhantes: um quadrilátero com três estrelinhas em seu interior. Essas três estrelinhas, conhecidas de muitos, são as Três Marias, e o quadrilátero que as cerca é a parte principal da constelação de Orion.

Muito bem, vamos ver a imagem abaixo, dando nome aos bois, digo, aos astros. Circulei também as Três Marias e a parte principal de Orion, além de marcar mais quatro estrelas que são importantes. Betelgeuse é a estrela mais importante de Orion, a Alfa-Orionis, apesar de Riegel ser a mais brilhante.

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A representação de Orion fica da seguinte forma: Betelgeuse e Bellatrix são os ombros do caçador. Riegel e Saiph são os joelhos (pés, em algumas representações). As Três Marias são o cinto dele e aquele pequeno tracinho próximo a elas forma uma linha de três estrelinhas representando sua espada. Essa linha de estrelas não ficou visível na foto, mas se o céu estiver limpo é visível a olho nu, e um detalhe interessante é que junto à estrela do meio, temos uma das regiões mais interessantes do céu, a Nebulosa de Orion,onde há uma alta taxa de formação estelar (uma vista espetacular, mesmo com um binóculo simples).

A outra estrela importante dessa imagem, como mencionei acima, é Sirius. Independentemente da imagem, o melhor jeito para localizarmos Sirius é nos lembrarmos de que as Três Marias apontam diretamente para ela (confiram na imagem). Sirius representa o coração do Canis Major, o cão maior. Numa noite um pouquinho melhor, podemos observar o desenho do cão maior, como imaginado pelos antigos. Vejam a imagem abaixo. Notem o corpo do cão, sua cabeça e o alinhamento entre Sirius e as Três Marias. OK, eu sei o que vocês estão pensando e concordo: haja imaginação!

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Por fim, temos uma terceira estrela marcante nesta região do céu, Procyon. Ela aparece em todas as imagens que coloquei acima formando um triângulo praticamente equilátero com Sirius e Betelgeuse. Esse triângulo é o chamado Triângulo do Verão (inverno, no hemisfério norte), e serve de referência para localizarmos as constelações dessa região da esfera celeste. Procyon é a estrela mais brilhante de Canis Minor, o cão menor.

A imagem abaixo faz um “resumão” de tudo que mostrei aqui. Acrescentei ainda outras três estrelas que não foram mencionadas: Aldebaran, que fica em Taurus (o touro), e a dupla Pollux e Castor, que ficam em Gemini (os gêmeos).

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O céu com estas constelações é simplesmente lindo. Agora só nos resta torcer para o céu abrir, a fim de observarmos tudo isso.


Segunda Odisseia de Literatura Fantástica

08/04/2013

73331_549546491732188_236872195_nPorto Alegre é palco da reunião de autores, editores e amantes do gênero

A capital gaúcha será cenário de um encontro de heróis, monstros e personagens extraordinários, na segunda semana de abril, dias 12 e 13. Personalidades ligadas aos gêneros literários de horror, fantasia e ficção científica estarão presentes no Memorial do Rio Grande do Sul (RS) para debates, palestras e sessões de autógrafos.

A 2ª Odisseia de Literatura Fantástica foi idealizada pela editora Argonautas, criação dos gaúchos Duda Falcão e César Alcázar, além de Nikelen Witter, Christian David, e do norte-americano Christopher Kastensmidt. O evento surgiu no ano passado e se consolidou por seu sucesso. Chamar atenção para o mercado editorial da área é um dos principais objetivos, uma vez que Porto Alegre já pode ser considerada cidade polo das artes fantásticas.

Regina Zilberman será responsável pela palestra de abertura, na sexta-feira (12), dia temático da literatura juvenil. A romancista é graduada em letras pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e atua no meio acadêmico lecionando história da literatura. Escolas foram convidadas a participar da apresentação, pois a programação deste dia será voltada para o público infanto-juvenil.

A programação conta com mais de 50 autores, cerca de 20 editoras e muitas sessões de autógrafos confirmadas. Entre os nomes importantes estão: Simone Saueressig, Max Mallmann, Jheremy Raapack, Roberto de Sousa Causo, Giulia Moon, Rosana Rios e Martha Argel. O encontro conta com o apoio do Memorial do RS, da Secretaria da Cultura do RS, da Tytius Camisetas Alternativas, da Revista Fantástica, da Argonautas Editora, da A Bandeira do Elefante e da Arara, e patrocínio da PrintStore e da AGES.

Serviço:

Datas e horários: dias 12 (sexta-feira) e 13 de abril (sábado), das 10h00min às 19h.

Local: Memorial do Rio Grande do Sul (Rua Sete de Setembro, nº 1020 – Praça da Alfândega – Centro Histórico – Porto Alegre – RS).

Apoio: Memorial do RS, Secretaria da Cultura do RS, Tytius Camisetas Alternativas, Revista Fantástica, Argonautas Editora, A Bandeira do Elefante e da Arara

Patrocínio: PrintStore e AGES.

Entrada franca.

Contato para imprensa:
DEBORAH CATTANI


Jarbas

04/04/2013

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Ano passado, durante a Odisseia de Literatura Fantástica em Porto Alegre, recebi de presente um exemplar de Jarbas, de Andre Bozzetto Jr., romance de terror lançado em 2011 pela Editora Estronho.

Da mesma Odisseia, eu trouxe um outro livro do autor, Na Próxima Lua Cheia, do qual gostei bastante. Mas Jarbas acabou entrando na minha quase infinita fila de leitura, e aí… bom, se não tomar cuidado, acaba sendo sugado para o interior de uma singularidade e desaparece de vez.

Mas que bom que isso não aconteceu! Jarbas é uma leitura excelente, um terror de verdade, que atira aos leitores uma profusão de crueldades e insanidades sem tamanho.

O livro conta a história de Jarbas, um garoto mau por natureza, no interior do Rio Grande do Sul, que tira a “sorte grande” quando consegue ser transformado em lobisomem. No comecinho, a impressão que o leitor tem é que o menino é arteiro ou simplesmente um traquinas que não mede as consequências de seus atos. Essa impressão dura pouco, no entanto, e logo nas primeiras páginas do livro, desobrimos que, se há um adjetivo para descrevê-lo, é simplesmente esse: mau. Muito mau.

A história do lobisomem é dividida em cinco partes, que contam desde o seu surgimento (a “Natividade Licantrópica”) até o ponto em que ele passa a ser odiado não só pelos poucos humanos que têm conhecimento de sua existência, mas também pelos demais lobisomens da região. Em determinados trechos do livro, as histórias são apresentadas como pequenos “contos” que até poderiam ser lidos de maneira independente, sempre apresentando as crueldades do lobisomem Jarbas. Um assassinato aqui, outro ali, cada vez com mais requintes de crueldade. Jarbas é um lobisomem que simplesmente mata por matar. Mata porque gosta e sente prazer.

Sua maldade e sede por sangue não têm limites, até que ele acaba fazendo uma série de inimigos. Tanto humanos que querem vingança pela morte de entes queridos, quanto uma sociedade secreta de lobisomens que vive “muito bem, obrigado”, no centro de Porto Alegre, mas passa a temer a excessiva exposição que os assassinatos em série vêm ganhando. O garoto (mesmo após algumas décadas, ele ainda mantem a forma de um garoto quando é humano) passa a ser perseguido de maneira violenta, e responde com mais violência numa escalada que sai da capital e ganha o interior, arrasando com tudo que aparece pelo caminho. O resultado é uma banho de sangue sem precedentes.

Mas a grande verdade é que Jarbas torna-se uma figura odiada. Inclusive pelo leitor.E essa é uma das grandes virtudes do texto de Bozzetto: fazer com que o leitor, assim como as demais pessoas que o cercam, passe a odiar o lobisomem. Até mesmo os demais lobisomens, verdadeiros assassinos em série, passam a ser exemplos de bom comportamento perto de Jarbas.

Durante toda a narrativa, o estilo de Bozzetto permanece fiel à sua principal característica, que é “contar” a história. Ele abusa da violência, simplesmente porque é assim que quer que o leitor enxergue o protagonista. De maneira geral, é visível que a escrita está mais madura e consistente, mostrando que o autor trabalhou duro para aperfeiçoar seu texto. O resultado pode ser percebido na maneira como o leitor se envolve com o texto, com as descrições, com as personagens.

O livro agrada muito, a leitura flui bem e segura o leitor página após página. Mas como toda (boa) história de lobisomem, haja estômago.

Um detalhe que me agradou e mostra como o autor consegue fisgar seus leitores: estive no centro de Porto Alegre um ano atrás, e, acreditem, o livro me fez querer visitar alguns lugares novamente.

Ah, de dia, claro. Porque após a leitura de Jarbas, a noite de Porto Alegre nunca mais parecerá a mesma.

Leitura mais do que recomendada!

Título: Jarbas
Autor: Andre Bozzetto Jr.
Editora: Estronho
Total de páginas: 244
ISBN: 978-85-64590-04-5