Segunda Odisseia de Literatura Fantástica

08/04/2013

73331_549546491732188_236872195_nPorto Alegre é palco da reunião de autores, editores e amantes do gênero

A capital gaúcha será cenário de um encontro de heróis, monstros e personagens extraordinários, na segunda semana de abril, dias 12 e 13. Personalidades ligadas aos gêneros literários de horror, fantasia e ficção científica estarão presentes no Memorial do Rio Grande do Sul (RS) para debates, palestras e sessões de autógrafos.

A 2ª Odisseia de Literatura Fantástica foi idealizada pela editora Argonautas, criação dos gaúchos Duda Falcão e César Alcázar, além de Nikelen Witter, Christian David, e do norte-americano Christopher Kastensmidt. O evento surgiu no ano passado e se consolidou por seu sucesso. Chamar atenção para o mercado editorial da área é um dos principais objetivos, uma vez que Porto Alegre já pode ser considerada cidade polo das artes fantásticas.

Regina Zilberman será responsável pela palestra de abertura, na sexta-feira (12), dia temático da literatura juvenil. A romancista é graduada em letras pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e atua no meio acadêmico lecionando história da literatura. Escolas foram convidadas a participar da apresentação, pois a programação deste dia será voltada para o público infanto-juvenil.

A programação conta com mais de 50 autores, cerca de 20 editoras e muitas sessões de autógrafos confirmadas. Entre os nomes importantes estão: Simone Saueressig, Max Mallmann, Jheremy Raapack, Roberto de Sousa Causo, Giulia Moon, Rosana Rios e Martha Argel. O encontro conta com o apoio do Memorial do RS, da Secretaria da Cultura do RS, da Tytius Camisetas Alternativas, da Revista Fantástica, da Argonautas Editora, da A Bandeira do Elefante e da Arara, e patrocínio da PrintStore e da AGES.

Serviço:

Datas e horários: dias 12 (sexta-feira) e 13 de abril (sábado), das 10h00min às 19h.

Local: Memorial do Rio Grande do Sul (Rua Sete de Setembro, nº 1020 – Praça da Alfândega – Centro Histórico – Porto Alegre – RS).

Apoio: Memorial do RS, Secretaria da Cultura do RS, Tytius Camisetas Alternativas, Revista Fantástica, Argonautas Editora, A Bandeira do Elefante e da Arara

Patrocínio: PrintStore e AGES.

Entrada franca.

Contato para imprensa:
DEBORAH CATTANI


Duplo Fantasia Heroica 3

25/03/2013

duplo-fantasia-feroica_v03Ano passado, a Devir Livraria lançou o terceiro volume voltado à fantasia heroica do selo Asas do Vento.

Assim como os volumes anteriores, este traz mais uma aventura da Bandeira do Elefante e da Arara, brilhante criação de Christopher Kastensmidt com os carismáticos aventureiros Gerard van Oost e Oludara: O Desconveniente Casamento de Oludara e Arani. A segunda aventura, no entanto, é uma novidade. Simone Saueressig substitui Roberto de Sousa Causo e sua Saga de Tajarê, apresentando O Relato do Herege, aventura misturada com terror no Brasil Colônia.

Se você ainda não ouviu falar, a Bandeira do Elefante e da Arara conta as aventuras de um par nada comum de aventureiros: um escravo liberto e um aventureiro holandês que decidem enfrentar sozinhos os mistérios e perigos do interior do Brasil Colônia. Dando continuidade aos eventos apresentados na história anterior (veja aqui), O Desconveniente Casamento de Oludara e Arani, como o título já diz, conta a história do casamento do aventureiro com a índia tupinambá Arani. O problema é que a tribo toda está inexplicavelmente apreensiva com essa história toda de casamento e Arani, mesmo apaixonada, está relutante. O motivo é que tanto Arani quanto os demais membros da sua aldeia estarão condenados se o casamento realmente acontecer. Para vencer essa maldição e realizar o desejo de ter a mulher amada, Oludara terá que enfrentar, ao lado de seu companheiro europeu, criaturas não só perigosas como extremamente ardilosas. Dessa vez, não será só uma luta desesperada contra um monstro da floresta, mas os herois terão que usar a cabeça e se mostrar mais espertos que seus oponentes. A Iara, a Flor-do-Mato e o Curupira são as figuras folclóricas que aparecem dessa vez.

A história é muito boa e cheia de aventura. Gerard e Oludara são figuras bem construídas e carismáticas, e é impossível não torcer por eles. Kastensmidt demonstra uma enorme criatividade nessa aventura. Muitos autores “queimariam” o tema com uma nova luta contra um monstro da floresta, repetindo a fórmula que já funcionou antes. Ao invés disso, o que vemos aqui são os herois tendo que usar a cabeça para vencer a malandragem da Iara e a esperteza do Curupira. Lógico que há um pouco de pancadaria (estamos numa aventura no meio da floresta, afinal!), mas o que vale aqui é a astúcia dos nossos herois. Ponto para o autor, ponto para a Bandeira do Elefante e da Arara.

Mudando totalmente o tom, a segunda noveleta presente neste volume é uma verdadeira história de terror. O Relato do Herege conta a sina de um espanhol, descendente de mouros, desterrado em solo brasileiro no século XVII. Em sua terra de origem, Índigo Ruiz Lopez, acusado de bruxaria, escapou por pouco da fogueira. Seu castigo foi desembarcar num continente selvagem e totalmente estranho, onde a morte seria mais dolorosa e lenta. Em determinado momento, o protagonista lamenta sua sorte, afirmando que teria preferido a morte rápida e menos sofrida na fogueira da Inquisição.

Acompanhando um grupo de jesuítas e índios, Lopez chega a uma Missão controlada por Diego, um capitão cruel e autoritário. Num passeio pela floresta, Lopez e um grupo de índios são surpreendidos por um feiticeiro inimigo e um demônio invocado por ele. No desespero, o herege espanhol se vê forçado a agir de acordo com sua criação e usa seus poderes mágicos para invocar um Caapora, salvando sua vida e de seus colegas, mas ao mesmo tempo revelando sua real identidade. Quando a Missão se vê cercada por inimigos e vítima de um jogo político, o capitão Diego, ciente dos poderes de Lopez, o obriga a invocar o maior deus das terras brasileiras: Tupã. Assim como fez em Contos do Sul,  Simone Saueressig quebra aquela visão monótona e ingênua da mitologia dos nossos índios. O Tupã que ela nos apresenta é cruel, sanguinário, e não concorda com a ideia de “fazer prisioneiros”.

O tom da narrativa é melancólico, apresentado em forma de diário, e faz o leitor se envolver com o sofrimento do protagonista. Ao contrário da floresta animada e alegre apresentada na primeira história do volume, temos uma selva suja, abafada, cheia de doenças e criaturas más, onde o sofrimento está sempre presente. A narrativa cersce em tensão nos momentos de ação, para em seguida voltar à tristeza do protagonista, como se ele sempre estivesse procurando por algo que nunca irá encontrar.

A escolha dessas duas histórias para o terceiro volume de Duplo Fantasia Heroica foi perfeita. São mais dois exemplos da excelente fantasia que se pode criar com mitos brasileiros. Assim como os demais volumes da série, é uma leitura imperdível.

Duplo Fantasia Heroica
Autores: Christopher Kastensmidt e Simone Saueressig
Total de páginas: 123
Editora: Devir Livraria
ISBN: 978-85-7532-526-1